Porcelanato cimento queimado ou cimento queimado?

Porcelanato com aspecto de cimento queimado é placa com rejunte; o cimento queimado é contínuo. Compare instalação, juntas, reparo e manutenção.
Piso de porcelanato com acabamento que imita cimento queimado, em tonalidade cinza e com placas de grande formato, aplicado em um ambiente residencial moderno.

O porcelanato cimento queimado é uma placa cerâmica de baixa absorção de água, com textura e aparência semelhantes às do cimento queimado tradicional, instalada com argamassa colante e rejunte.

Já o cimento queimado é um revestimento cimentício contínuo, aplicado diretamente sobre a base existente, com espessura de 2 a 3 mm.

A escolha entre os dois depende das condições da superfície, da preferência por juntas aparentes e das necessidades de manutenção do ambiente.

Embora ofereçam resultados estéticos semelhantes, os materiais possuem características diferentes de instalação e conservação.

O porcelanato chega pronto da fábrica, com propriedades avaliadas em laboratório, enquanto o cimento queimado é preparado e aplicado na obra, com resultado diretamente relacionado à preparação da base e à proteção final.

Por isso, comparar apenas o preço por metro quadrado pode levar a uma escolha inadequada.

O que é porcelanato cimento queimado

O porcelanato cimento queimado é uma placa cerâmica industrializada, cuja estampa e textura reproduzem a aparência de uma superfície cimentícia, mas mantém as características técnicas do porcelanato convencional.

A ABNT NBR ISO 13006:2020 estabelece as definições, classificações e características das placas cerâmicas, além dos requisitos de marcação.

Conforme a norma, o porcelanato apresenta absorção de água de até 0,5%, característica associada à sua estrutura densa e resistente.

Para aplicações em pisos, outro critério importante é a resistência à abrasão, que indica o comportamento da superfície diante do desgaste provocado pelo uso.

Um estudo de patologias de pisos cerâmicos publicado em 2019 pelo NPPG da UFRJ explica que a classificação PEI, de 0 a 5, é utilizada para avaliar essa resistência em placas esmaltadas.

A classe PEI 4, por exemplo, é indicada para áreas comerciais com tráfego intenso, como lojas e restaurantes.

Nos porcelanatos não esmaltados, a avaliação ocorre por meio de ensaios de abrasão profunda, cujos resultados devem ser consultados na ficha técnica do fabricante.

Qual a diferença entre porcelanato e cimento queimado?

A principal diferença é que o porcelanato é um conjunto de placas com rejunte e desempenho definido na fábrica.

Já o cimento queimado é uma superfície contínua, de poucos milímetros, aplicada sobre a base na obra. Isso muda a espessura, as juntas, a forma de reparo e a manutenção.

A tabela reúne as características dos dois sistemas, com base na NBR ISO 13006 para o porcelanato e nas fichas técnicas da Tecnobeton, fornecedora de São Paulo (SP), para o cimento queimado:

Critério Porcelanato com aspecto de cimento Cimento queimado
Natureza Placa industrializada, absorção de água até 0,5% Revestimento cimentício de base branca, pigmentado na obra e fornecido em kit
Espessura Placa mais a camada de argamassa colante 2 a 3 mm
Base Contrapiso regularizado ou piso existente, com argamassa colante adequada Contrapiso, cerâmica, porcelanato, mármore ou granito firmes, sem remoção
Juntas Rejunte entre placas Acabamento monolítico; a fornecedora informa que não requer juntas de dilatação
Proteção Conforme o fabricante da placa Seladora e resina de proteção, com reaplicação periódica
Reparo Troca da placa danificada, com peça do mesmo lote Reparo localizado, que tende a ficar visível

A possibilidade de reparo merece atenção antes da compra, principalmente em locais com maior risco de impactos e desgaste.

No porcelanato, a substituição de uma peça danificada tende a ser mais simples quando há placas de reserva do mesmo lote, o que ajuda a evitar diferenças de tonalidade.

Já no cimento queimado, a correção de fissuras ou danos pontuais pode permanecer visível devido à continuidade da superfície.

Por isso, a preparação adequada da base e a renovação da proteção são cuidados importantes para preservar o acabamento.

Instalação: argamassa colante ou aplicação sobre a base

A instalação do porcelanato exige uma argamassa colante compatível com sua baixa absorção de água, para garantir a aderência das placas ao substrato.

O estudo da UFRJ destaca que materiais com absorção nula ou próxima de zero necessitam de argamassas com maior quantidade de polímeros.

No Brasil, a ABNT NBR 14081-1:2012 classifica as argamassas colantes industrializadas em AC I, AC II e AC III, categorias apresentadas no documento técnico do PBQP-H, programa de qualidade da construção do governo federal.

A argamassa AC III apresenta maior aderência em relação às demais classes, mas a escolha deve considerar as características da placa e as indicações do fabricante, disponíveis na embalagem do produto.

O cimento queimado, por outro lado, dispensa argamassa colante e rejunte, pois sua aplicação ocorre diretamente sobre a superfície preparada.

Segundo as fichas técnicas da Tecnobeton, o processo começa com duas demãos de base fibrada, seguidas por duas camadas de cimento queimado, aplicadas com desempenadeira de aço.

Depois, são utilizadas a seladora e a resina de proteção, com liberação para circulação prevista 48 horas após a aplicação da resina.

Em reformas que aproveitam o revestimento anterior, a preparação da superfície exige cuidados específicos, apresentados no artigo sobre cimento queimado sobre piso.

Piso cimentício claro e contínuo em área comercial, com faixas escuras decorativas e janelas ao fundo
Piso contínuo em cimento queimado, sem rejunte entre peças. Imagens: Tecnobeton.

Qual sai mais barato?

O custo depende das condições da obra e dos materiais necessários para a execução, por isso não existe uma alternativa mais econômica em todas as situações.

No porcelanato, o orçamento deve considerar as placas, a argamassa colante, o rejunte, as perdas provocadas pelos recortes e a mão de obra de assentamento.

Já no cimento queimado, entram a preparação da superfície, a base fibrada, o kit de revestimento, a seladora, a resina de proteção e o serviço de aplicação.

A comparação também precisa considerar as despesas após a conclusão da obra. Um revestimento com menor necessidade de substituições e interrupções para reparos pode compensar um investimento inicial mais elevado.

Esse raciocínio é apresentado no artigo sobre pisos duráveis em escritórios e redução de custos com reformas.

No caso do cimento queimado, a reaplicação periódica da resina deve integrar essa avaliação, pois representa uma despesa de manutenção necessária para conservar a proteção superficial.

Como escolher para cada ambiente

Em áreas molhadas e acessos externos, o critério que vem antes da estética é o escorregamento.

A ABNT NBR 15575 exige coeficiente de atrito dinâmico de no mínimo 0,4 em áreas molhadas, rampas, escadas de uso comum e terraços, segundo comunicação técnica do IPT.

No porcelanato, esse dado vem do ensaio da placa; no cimento queimado, depende do acabamento e da resina, e deve ser pedido ao fornecedor. O tema é tratado no post sobre piso antiderrapante em áreas molhadas.

Em reformas sem demolição, a baixa espessura favorece o cimento queimado, porque não altera o nível das portas.

Em obras novas de grande área, com prazo apertado e tráfego intenso, o porcelanato de classe de abrasão adequada simplifica a especificação.

Quando o projeto pede superfície sem juntas aparentes, só o acabamento contínuo atende, desde que as juntas da base sejam tratadas.

O que pedir na cotação

Se ainda houver dúvida entre porcelanato e cimento queimado, solicite propostas para os dois sistemas com base na mesma área e nas mesmas condições de utilização.

Dessa forma, será possível comparar não apenas o preço dos materiais, mas também os custos de instalação e manutenção.

Para o porcelanato, peça a ficha técnica com informações sobre absorção de água, resistência à abrasão, coeficiente de atrito, formato e lote de fabricação, além da indicação da argamassa colante adequada.

No caso do revestimento contínuo, solicite aos fornecedores de cimento queimado a especificação do produto, a espessura final e as etapas necessárias para preparar a base.

A proposta também deve incluir o tratamento das juntas existentes, a cor escolhida com aprovação prévia de amostra, a seladora, a resina de proteção e os intervalos recomendados para reaplicação.

Com esses dados, a comparação passa a considerar sistemas completos, o que ajuda a identificar diferenças de escopo e evita a escolha de uma proposta aparentemente mais barata, mas sem etapas essenciais.

Próximo passo: decidir pelo ambiente, não pela foto

Liste os ambientes que receberão o acabamento, identifique as condições da base e considere o nível de tráfego e a presença de áreas molhadas.

Essas informações ajudam a determinar se o projeto será mais bem atendido por placas de porcelanato ou por uma superfície cimentícia contínua, além de orientar a comparação dos custos de execução e conservação.

Caso a escolha seja o cimento queimado, compare fornecedores de cimento queimado no Soluções Industriais e encaminhe a mesma solicitação a diferentes empresas.

A plataforma reúne mais de 50 mil fornecedores e mais de 250 mil produtos. Para conhecer os cuidados de aplicação, o tratamento das juntas e as possíveis desvantagens desse acabamento, consulte o artigo sobre piso de cimento queimado.

Artigo Anterior

Resina para cimento queimado: tipos e como escolher

Próximo Artigo

Automação logística: o que é, equipamentos e por onde começar

Escreva um Comentário

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *