O checklist de empilhadeira é a inspeção feita pelo operador antes de colocar a máquina em uso, pelo menos uma vez por dia ou a cada turno.
Ele confere, com a máquina desligada, fluidos, vazamentos, pneus, garfos e placas e, com a máquina ligada, freios, direção, comandos do mastro e buzina. Defeito encontrado tira a empilhadeira de operação até o reparo.
O checklist não substitui a manutenção preventiva feita por técnico, que desmonta, mede e troca componentes em intervalos definidos pelo fabricante.
A inspeção do operador é visual e funcional. Serve para detectar o que mudou desde o último uso, como um vazamento novo, um pneu cortado ou uma buzina que parou de funcionar.
O que verificar na empilhadeira antes de usar?
A inspeção deve contemplar tanto as condições físicas do equipamento quanto o funcionamento dos seus principais comandos.
Por isso, o checklist é dividido em duas etapas: uma com a máquina desligada, para examinar componentes e identificar danos visíveis, e outra após a partida, para testar os sistemas de movimentação e segurança.
No Brasil, a NR-11, do Ministério do Trabalho e Emprego, estabelece requisitos para o transporte e a movimentação de materiais.
O item 11.1.8 determina que os transportadores industriais sejam inspecionados permanentemente e que as peças defeituosas sejam substituídas imediatamente, conforme o texto oficial da NR-11.
Entretanto, a norma brasileira não apresenta um modelo específico de checklist nem estabelece uma frequência para essa verificação.
Uma referência mais detalhada é a regulamentação da Occupational Safety and Health Administration (OSHA), agência norte-americana de segurança do trabalho.
O item q(7) do 29 CFR 1910.178 exige que as empilhadeiras sejam examinadas antes de entrar em serviço, pelo menos uma vez ao dia ou após cada turno em operações contínuas.
Caso a inspeção identifique uma condição que comprometa a segurança, o equipamento não deve ser liberado para uso.
Com a máquina desligada, comece pelo que se vê
A primeira etapa do checklist consiste em uma inspeção visual, com a chave desligada e a empilhadeira estacionada sobre uma superfície plana.
O roteiro de inspeção antes do uso da OSHA apresenta os principais pontos que devem ser observados e pode servir como referência para elaborar o formulário da empresa:
- Níveis de fluidos, como óleo, água e fluido hidráulico;
- Presença de vazamentos, trincas e outros danos visíveis, especialmente nas mangueiras hidráulicas e correntes do mastro;
- Condições e pressão dos pneus, com atenção a cortes e desgaste dos sulcos;
- Estado dos garfos, inclusive o pino de retenção e o calcanhar, região curva entre a haste vertical e a lâmina;
- Condições do encosto de carga e das proteções contra prensamento dos dedos;
- Legibilidade dos adesivos de segurança e das placas de identificação;
- Disponibilidade do manual do operador, limpeza do compartimento e funcionamento do cinto de segurança.
Além desses itens comuns, a OSHA indica verificações por tipo de máquina. Na empilhadeira elétrica, confira cabos e conectores, travas da bateria e nível do eletrólito.
Na empilhadeira a combustão, confira óleo do motor, reservatório do freio, líquido de arrefecimento, filtro de ar, correias e mangueiras.
Na empilhadeira a GLP, confira a fixação do cilindro, a válvula de alívio de pressão voltada para cima, a mangueira e os conectores. O cilindro não pode ter amassados, trincas ou vazamentos.
Entre os componentes mais sujeitos ao desgaste diário estão os pneus e os garfos, que merecem atenção especial.
Trincas, deformações ou danos que comprometam sua integridade exigem a retirada da máquina de operação até a substituição ou o reparo adequado.
Quando houver necessidade de reposição, é possível consultar fornecedores de garfo para empilhadeira e pneu para empilhadeira.
Com a máquina ligada, teste cada comando
A segunda etapa é funcional, com a máquina ligada e sem carga. O mesmo roteiro da OSHA lista o teste do acelerador, do controle de aproximação lenta, dos freios, da direção e do comando de marcha.
Completam a lista a inclinação do mastro, a elevação e a descida, os implementos, a buzina, as luzes, o alarme de ré e o horímetro.
A buzina é exigência expressa da NR-11, no item 11.1.7, para todos os equipamentos de transporte motorizados.
Freios e direção, embora não citados na norma brasileira, são os itens cuja falha tem consequências mais imediatas, e a OSHA os inclui no teste operacional.
O horímetro, que registra as horas de funcionamento do motor, merece ser anotado no checklist.
É a partir dele que se programam as revisões preventivas indicadas pelo fabricante, e o registro diário ajuda a planejar a parada da máquina sem surpresas.
O que fazer quando o checklist encontra um defeito?
Quando o checklist encontra um defeito que afeta a segurança, a empilhadeira deve sair de operação até o reparo, e o defeito deve ser comunicado imediatamente.
A OSHA determina que defeitos encontrados sejam “imediatamente relatados e corrigidos”.
Por isso, o formulário precisa ter um campo para a decisão: liberada, liberada com observação ou bloqueada.
A máquina bloqueada deve ser identificada, para que outro operador não a use no turno seguinte.
A OSHA disponibiliza um modelo de checklist, apresentado pela própria agência como orientação, que pode ser adaptado ao equipamento e ao manual do fabricante.
O reparo pode ser feito pela equipe interna ou por empresa contratada. Se a manutenção é terceirizada, defina no contrato o prazo de atendimento para máquina parada, como mostra o artigo sobre como gerenciar contratos de manutenção.
Para cotar o serviço ou as peças, a plataforma tem as páginas de manutenção de empilhadeira e de peças de empilhadeira.
Adote o checklist desde a chegada da máquina
O checklist deve fazer parte da rotina desde o primeiro dia de utilização da empilhadeira, independentemente de o equipamento ter sido comprado ou alugado.
Para isso, o formulário precisa considerar as características do modelo utilizado e as orientações do fabricante.
Ao solicitar propostas, peça o manual do operador em português, a relação de verificações diárias recomendadas e o plano de manutenção preventiva.
O treinamento do operador, exigido pelo item 11.1.5 da NR-11, também deve contemplar o preenchimento do checklist e os procedimentos diante de falhas. Essas obrigações são explicadas no artigo sobre a NR-11 para empilhadeira.
Outro cuidado importante é compreender as informações da placa de capacidade, cuja verificação faz parte da inspeção.
O artigo sobre centro de carga da empilhadeira explica como interpretar esses dados e sua influência na movimentação segura das cargas.
No Soluções Industriais, você pode comparar fornecedores de empilhadeira e solicitar, ainda na cotação, o manual e o plano de manutenção de cada equipamento.
Romário Martins · Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends
Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transformar o cenário de mais de 20.000 empresas.