Montagem de tenda para evento: etapas e segurança

Veja as etapas da montagem de tenda para evento, como ancorar em cada piso, quando exigir ART, NR-35 e laudo da lona e o que os bombeiros pedem para liberar.
Área de buffet com mesas cobertas por toalhas verdes e réchauds sob tendas de estrutura metálica branca montadas sobre a grama

A montagem de uma tenda para evento segue uma ordem fixa: projeto e visita técnica, preparo e marcação do terreno, montagem da estrutura, colocação da lona, ancoragem, fechamentos e vistoria antes da liberação.

A etapa que mais causa acidentes é a ancoragem, que precisa ser calculada para o vento e o piso do local. Quem contrata a tenda não monta, mas responde pela escolha do fornecedor e pelos documentos do evento.

Por isso vale conhecer cada etapa e saber o que pedir: o projeto com responsável técnico, o laudo da lona, a capacitação da equipe e o critério para interromper o uso em caso de vento forte.

Antes da montagem: projeto e responsável técnico

A tenda é uma estrutura temporária, e a estabilidade dela é calculada. A carga mais importante é o vento, tratado pela ABNT NBR 6123:2023, norma de forças devidas ao vento em edificações que substituiu a edição de 1988.

Quando os perfis são de aço, o dimensionamento segue também a ABNT NBR 8800:2024, de projeto de estruturas de aço.

Quem assina esse cálculo é um engenheiro, com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), o registro no conselho profissional de quem responde pelo serviço.

Em São Paulo, a exigência está na Instrução Técnica nº 12/2025 do Corpo de Bombeiros, que trata de centros esportivos e de exibição e de ocupações temporárias.

Pelo texto da IT 12/2025, a estabilidade estrutural das instalações temporárias deve ser comprovada em laudo técnico específico, e tendas, palcos e arquibancadas exigem responsabilidade técnica.

Na contratação, peça que a proposta diga quem emite a ART de projeto e a de montagem. A visita técnica antes do evento fecha a especificação.

Nela, o fornecedor confere a área disponível, o nivelamento, o tipo de piso, as interferências, como árvores, redes elétricas e tubulações enterradas, e o ponto de energia.

O dimensionamento da área pelo público está no post sobre quantas pessoas cabem em uma tenda.

As etapas da montagem

A sequência abaixo vale para as tendas de estrutura metálica, como piramidal, chapéu de bruxa e galpão.

É a ordem que o comprador deve ver no cronograma do fornecedor, com o tempo previsto para cada etapa.

  1. Marcação do terreno: posição de cada coluna, das saídas e da área livre ao redor para a ancoragem.
  2. Montagem da estrutura: colunas, vigas e tesouras unidas pelas conexões, no chão ou já de pé, conforme o modelo.
  3. Colocação e tensionamento da lona: a cobertura é presa à estrutura e esticada para escoar a água sem formar bolsões.
  4. Ancoragem: fixação de cada coluna com estacas, contrapesos ou chumbadores, conforme o projeto.
  5. Fechamentos e calhas: laterais, calhas entre módulos, iluminação e instalações provisórias.
  6. Conferência final: aperto das conexões, tensão dos cabos de travamento, saídas desobstruídas e sinalizadas.

Boa parte dessas etapas acontece acima de 2 metros do chão. Nessa situação, vale a Norma Regulamentadora nº 35, que, pelo item 35.2.1 do texto atualizado da NR-35, se aplica a toda atividade com diferença de nível acima de 2,0 m onde haja risco de queda.

Na prática, a equipe precisa de capacitação em trabalho em altura, análise de risco e equipamentos de proteção, e o contratante pode pedir os certificados.

Como ancorar uma tenda?

A tenda é ancorada de acordo com o piso: em solo natural, estacas metálicas cravadas; em asfalto ou piso intertravado, contrapesos de concreto ou blocos metálicos; em laje, chumbadores químicos.

Em todos os casos, o tamanho da estaca ou o peso do contrapeso vem do cálculo de vento, e não do hábito da equipe.

Essa é a lição que mais se repete nos acidentes. A página de tenda para evento da Soluções Industriais resume que vendaval derruba tenda por arrancamento da ancoragem ou por falha do travamento, quase nunca por ruptura do perfil.

Os erros recorrentes também estão lá: contrapeso escolhido por hábito, cabo de travamento solto durante o evento para liberar passagem, calha subdimensionada que acumula água e laterais totalmente fechadas sem prever o esforço do vento por dentro da tenda.

Por isso, combine com o fornecedor dois pontos por escrito. O primeiro é o critério de interrupção: a velocidade de vento a partir da qual o público deve sair da tenda e as laterais devem ser abertas ou recolhidas.

O segundo é quem acompanha o evento, já que a ancoragem e os cabos precisam de conferência durante o uso, e não só na montagem.

Em eventos com vários fornecedores, essa responsabilidade entra no plano de contingência, como mostra o post sobre como coordenar fornecedores na montagem de grandes eventos.

Precisa de autorização dos bombeiros para montar tenda?

Em eventos com público, sim: a tenda faz parte da ocupação temporária, que é vistoriada e liberada pelo Corpo de Bombeiros do estado.

Em São Paulo, o pedido segue o Decreto 69.118/2024 e a IT 12/2025, e a ocupação térrea em área aberta, sem barreiras físicas, pode ser dispensada.

O Decreto estadual nº 69.118/2024, que substituiu o Decreto 63.911/2018, classifica feiras de exposição, shows artísticos e assemelhados como ocupação F-7 e define a ocupação temporária como a desenvolvida de forma temporária, não recorrente ou sazonal.

O folheto do Corpo de Bombeiros de SP sobre eventos temporários orienta enviar o projeto pelo sistema Via Fácil com no mínimo sete dias de antecedência. A vistoria é pedida com no mínimo dois dias úteis, com os laudos das lonas e a comprovação de responsabilidade técnica (ART ou RRT).

Em escala nacional, a Lei nº 13.425/2017, conhecida como Lei Kiss, inclui nas medidas de prevenção as áreas de reunião de público com ocupação simultânea potencial a partir de cem pessoas.

A mesma lei atribui ao Corpo de Bombeiros a vistoria e a fiscalização. Fora de São Paulo, as regras de cada corporação variam; consulte a instrução técnica do estado do evento antes de fechar o cronograma.

A lona também precisa de laudo

A cobertura é o material de maior área da tenda e, por isso, entra no controle de materiais de acabamento dos bombeiros.

Pela IT 12/2025, as lonas, os acabamentos e a decoração devem restringir a propagação de fogo e o desenvolvimento de fumaça, com comprovação documental.

A IT 10/2025 indica a classe mínima: as lonas plásticas reforçadas devem ser no mínimo classe III-A. A classe IV-B é admitida nas lonas de barracas, feiras e eventos temporários quando atendem às condições da nota da tabela, entre elas a abertura lateral mínima.

A classificação vem de ensaio em laboratório, como o de propagação superficial de chama da ABNT NBR 9442:2024.

Na compra de lonas antichama, é importante solicitar ao fornecedor o laudo de reação ao fogo referente ao lote do material adquirido, e não apenas um documento genérico do modelo.

Para comparar as opções disponíveis, consulte as lonas antichama na plataforma.

Documento O que comprova Quem emite
Projeto estrutural com memorial de cálculo Estabilidade da tenda ao vento e às cargas (NBR 6123 e NBR 8800) Engenheiro responsável
ART de projeto e ART de montagem Responsabilidade técnica pelo cálculo e pela execução Engenheiro, registrada no CREA
Laudo de reação ao fogo da lona Classe do material conforme a IT 10 do estado Laboratório de ensaio, pelo fabricante da lona
Certificados de trabalho em altura Capacitação da equipe conforme a NR-35 Empresa montadora
Laudo das instalações elétricas provisórias Segurança da iluminação e das tomadas Profissional habilitado

A tenda inflável dispensa a montagem de estrutura

A tenda inflável dispensa a montagem de estrutura: ela é desdobrada no local, inflada por um motor elétrico e fixada pelos pontos de fábrica.

Segundo a página de tenda inflável da 3D Mídia Balões, fabricante de Guarulhos (SP) que anuncia na Soluções Industriais, basta retirá-la da sacola, ligar o motor de 110 V ou 220 V, aguardar inflar e prendê-la ao chão.

Isso elimina o trabalho em altura e a equipe especializada, mas não dispensa dois cuidados. A fixação continua essencial, com estacas na grama e pesos em piso duro, e o motor precisa de energia durante todo o uso.

Em eventos com público e vistoria, vale pedir também ao fabricante a comprovação do comportamento do tecido ao fogo.

A 3D Mídia Balões informa, na página de fabricante de tenda inflável, tecido de nylon emborrachado com tratamento ultravioleta; os detalhes do sistema estão no post como funciona a tenda inflável.

Tenda inflável vermelha de quatro pernas com marca impressa no teto e nas pernas, montada dentro de um galpão
Tenda inflável inflada e pronta para uso, sem estrutura metálica. Imagens: 3D Mídia Balões.

Próximo passo: contratar com montagem e documentos

Ao pedir orçamento, deixe claro que a proposta deve incluir a montagem e a desmontagem, a visita técnica, o projeto com ART, o laudo da lona, a equipe capacitada em NR-35 e o acompanhamento durante o evento.

Informe a data, o local, o tipo de piso, o público e se haverá vistoria do Corpo de Bombeiros, para que todos os fornecedores cotem o mesmo escopo.

Com esse escopo, compare fornecedores de tenda para evento na Soluções Industriais e envie o pedido a vários deles de uma vez. A plataforma reúne mais de 50 mil fornecedores, incluindo empresas de locação de tenda com montagem e fabricantes de tenda inflável.

O panorama dos modelos está disponível no post sobre os tipos de tenda para evento.

No entanto, a escolha do modelo é apenas uma etapa do planejamento: o dimensionamento da tenda e das saídas de emergência deve seguir as normas vigentes e as exigências do Corpo de Bombeiros.

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