Limpeza concorrente e terminal: o que pôr no contrato

Veja a diferença entre limpeza concorrente e terminal, a frequência por área segundo a Anvisa e como cada uma entra no escopo e no preço do contrato.
Quarto de internação hospitalar vazio, com leito, poltrona e equipamentos, pronto para a limpeza terminal

A limpeza concorrente é realizada diariamente, com o ambiente em uso. Já a limpeza terminal abrange todas as superfícies e ocorre após alta, transferência ou óbito, além de seguir uma programação periódica.

No contrato terceirizado, as duas precisam aparecer separadas, com frequência e gatilho definidos por área.

Sem essa distinção, o serviço pode ser contratado de forma genérica, sem estabelecer quantas limpezas terminais cada setor exige por mês.

Por isso, antes de pedir orçamento, vale transformar o protocolo da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) em um mapa de áreas, frequências e responsáveis.

O que é limpeza concorrente?

É a limpeza diária de todas as áreas de um serviço de saúde, feita com o ambiente em uso. Ela serve para limpar, organizar, repor materiais de consumo e recolher resíduos, cobrindo as superfícies de contato frequente, o piso e os sanitários, e se repete sempre que houver necessidade.

A definição vem do manual da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre limpeza e desinfecção de superfícies.

O Parecer Coren-SP CT 046/2013 reproduz o manual: a concorrente é o procedimento diário “com a finalidade de limpar e organizar o ambiente, repor os materiais de consumo e recolher os resíduos”.

Estão incluídas as superfícies horizontais, o mobiliário, as maçanetas, o piso e as instalações sanitárias.

No contrato, a concorrente é a rotina da equipe fixa de cada setor. Por isso, a frequência por turno e o que entra em cada passagem precisam estar escritos no escopo, área por área.

O que é limpeza terminal?

A limpeza terminal consiste na higienização completa do ambiente, abrangendo superfícies horizontais e verticais, internas e externas.

É realizada após alta, transferência ou óbito do paciente, durante a desocupação do leito e em intervalos programados para internações prolongadas e outras áreas.

O mesmo Parecer Coren-SP CT 046/2013 define a terminal como “a limpeza mais completa”, realizada “após alta hospitalar, transferências, óbitos ou nas internações de longa duração, chamadas de programadas”.

Ela alcança paredes, teto, janelas, luminárias, grades de ar-condicionado, camas e colchões. A tabela resume como a limpeza concorrente e terminal se diferenciam no escopo do contrato.

Item do escopo Limpeza concorrente Limpeza terminal
Quando acontece Todos os dias, com o ambiente em uso, e sempre que necessário Na desocupação (alta, transferência, óbito) e em datas programadas
O que inclui Superfícies horizontais, mobiliário, maçanetas, piso e sanitários; reposição de sabonete e papel; recolhimento de resíduos Todas as superfícies, inclusive paredes, teto, janelas, luminárias, grades de ar-condicionado, camas e colchões
Frequência Diária, ajustada à criticidade da área pelo protocolo da instituição Programada: semanal em área crítica, quinzenal em semicrítica, mensal em não crítica (Anvisa, Quadro 4)
Como entra no contrato Rotina coberta pela equipe fixa do setor Programada no cronograma mensal; a de desocupação, por demanda, com prazo de atendimento

Essa separação orienta a medição do serviço. A concorrente é verificada por inspeção de rotina, enquanto cada terminal pode ser registrada individualmente, com horário de início, fim e liberação do ambiente.

A criticidade da área define a frequência

O manual da Anvisa classifica as áreas pelo risco de transmissão de infecção. O Parecer Técnico Coren-AL nº 018/2018 reproduz a definição: áreas críticas são aquelas “onde existe risco aumentado de transmissão de infecção, onde se realizam procedimentos de risco”.

Também entram nessa classe os ambientes com pacientes imunodeprimidos. As semicríticas são ocupadas por pacientes com doenças infecciosas de baixa transmissibilidade ou não infecciosas, e as não críticas são as demais.

Dessa classificação sai a frequência da terminal programada. O Quadro 4 do manual, reproduzido no mesmo parecer, prevê limpeza terminal semanal nas áreas críticas, quinzenal nas semicríticas e mensal nas não críticas.

Em todas, a terminal tem “data, horário, dia da semana preestabelecido”. A RDC Anvisa nº 63/2011 trata das boas práticas de funcionamento dos serviços de saúde.

No artigo 52, ela determina que os ambientes sejam mantidos limpos, “devendo atender aos critérios de criticidade das áreas”.

Na prática, você precisa entregar ao fornecedor a lista de setores com a classificação adotada pela CCIH e a metragem de cada um.

O manual é referência, mas a frequência final é definida pelo protocolo da instituição, que pode ser mais rigoroso em setores como hemodiálise, isolamento ou queimados. Quem decide é a CCIH; o contrato apenas reproduz a decisão.

Terminal programada e terminal de desocupação têm custos diferentes

A terminal programada é previsível: dá para calcular quantas acontecem por mês e distribuí-las no cronograma da equipe.  A terminal de desocupação depende do giro de leitos, que varia com a taxa de ocupação e o tempo médio de internação.

Por isso, as duas não podem ser tratadas da mesma forma na proposta. Para a programada, informe na cotação o número de leitos e salas por criticidade, o que permite ao fornecedor calcular o volume mensal.

Para a de desocupação, informe a média histórica de altas, transferências e óbitos por dia e por setor, e o prazo máximo aceito para liberar o leito depois do chamado.

Um prazo curto em todos os turnos exige equipe disponível à noite e nos fins de semana, o que eleva o custo. Um prazo maior no turno da noite pode reduzi-lo. Essa diferença precisa estar clara também nas cláusulas de medição e de penalidade.

O contrato de terceirização de limpeza deve dizer como as terminais são registradas, qual o prazo de atendimento por turno e o que acontece quando ele não é cumprido.

Defina quem aciona a terminal e quem limpa o leito ocupado

A terminal de desocupação começa com um chamado, e o contrato precisa dizer quem o faz. Em geral, a enfermagem ou a hotelaria hospitalar comunica a alta e a equipe de limpeza executa, mas o fluxo varia entre instituições.

Sem essa definição, o leito fica parado enquanto as áreas discutem de quem era a vez. Outro ponto que costuma gerar conflito é a limpeza do leito e dos equipamentos com o paciente no quarto.

O Parecer Coren-SP CT 046/2013 registra que a limpeza do leito ocupado é atribuição da equipe de enfermagem, porque a manipulação indevida pode deslocar cateteres e drenos.

O mesmo documento observa que algumas instituições atribuem a limpeza de determinados equipamentos ao profissional de limpeza, o que exige capacitação específica.

Escreva essa divisão no escopo, item por item: bombas de infusão, monitores, incubadoras, suporte de soro e mesa de refeição. A NR-32 é a norma de segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde.

No item 32.8.1, ela exige que os trabalhadores de limpeza sejam capacitados “inicialmente e de forma continuada”.

O item 32.8.3 estende a obrigação às empresas de limpeza e conservação que atuam nesses serviços. O tema da equipe terceirizada em hospitais é aprofundado no artigo sobre terceirização de limpeza hospitalar.

A metragem, a criticidade e o número de terminais formam o preço

O custo da limpeza concorrente e terminal varia conforme a metragem, a criticidade da área, a quantidade de limpezas terminais mensais, o prazo de atendimento por turno e os insumos incluídos.

Como os ambientes hospitalares exigem procedimentos mais rigorosos e apresentam menor produtividade por servente do que escritórios, o custo por metro quadrado tende a ser maior.

A Instrução Normativa SEGES/MP nº 5/2017 orienta a contratação de limpeza pelo governo federal. Para áreas hospitalares e assemelhadas, ela adota a referência de 360 a 450 m² por servente em jornada de 8 horas. Para pisos frios de área interna comum, a faixa é de 800 a 1.200 m².

A norma vale para órgãos públicos, mas serve ao comprador privado como parâmetro para conferir se a equipe proposta é compatível com a área.

Ao comparar propostas, peça que cada fornecedor declare a produtividade adotada por setor e o número de profissionais reservados para as terminais de desocupação.

Uma proposta muito mais barata com a mesma metragem costuma indicar equipe menor, o que aparece depois como atraso na liberação de leitos.

Com o mapa de áreas e terminais definido, as propostas de empresas de terceirização de limpeza passam a ser comparáveis entre si. A composição completa do custo, com encargos e insumos, está no artigo sobre como funciona a terceirização da limpeza.

Exija método e capacitação do fornecedor

Na cotação, pergunte como o fornecedor treina a equipe para cada tipo de limpeza, que saneantes usa em cada área e como registra as terminais.

O item 32.8.2 da NR-32 manda o empregador “proibir a varrição seca nas áreas internas”. Por isso, o método de limpeza úmida precisa estar descrito no procedimento do fornecedor.

O piso molhado durante a limpeza também pede atenção à sinalização e ao revestimento, tema do artigo sobre piso antiderrapante para hospitais.

Entre os fornecedores cadastrados na Soluções Industriais está a RIAN Facilities, empresa do Rio de Janeiro fundada em 1956 que atende RJ, SP, MG e ES.

A empresa apresenta a limpeza de ambientes de saúde como um serviço que exige “protocolos e procedimentos específicos” e oferece também desinfecção e higienização profunda de ambientes.

Como em qualquer cotação, peça ao fornecedor os procedimentos operacionais e os registros de capacitação antes de fechar.

Audite a execução com checklist e indicador de liberação de leito

Contratada a equipe, a terminal precisa ser verificada, e não apenas registrada como feita.

A RDC nº 63/2011 determina no artigo 11 que os serviços terceirizados tenham contrato de prestação de serviços, e o hospital continua respondendo à Vigilância Sanitária pelo resultado.

O checklist de auditoria pode ser aplicado pela hotelaria ou pela CCIH em amostras de quartos liberados. Ele deve conferir pelo menos estes pontos:

  1. superfícies altas e verticais limpas: luminárias, grades de ar-condicionado, parapeitos e paredes;
  2. cama, colchão, grades da cama e mesa de cabeceira limpos e desinfetados conforme o protocolo;
  3. sanitário completo, com reposição de sabonete, papel e álcool;
  4. resíduos recolhidos e acondicionados conforme a classificação;
  5. registro da terminal com horário do chamado, do início e da liberação.

O horário registrado permite acompanhar o tempo entre o chamado e a liberação do leito, indicador que o hospital pode adotar no contrato com meta por turno.

Ele mostra se a equipe está bem dimensionada e se o fluxo de comunicação entre enfermagem e limpeza funciona.

Próximo passo: cotar com o mapa de áreas pronto

Para receber propostas comparáveis, leve para a cotação a lista de setores com a classificação da CCIH e a metragem de cada um.

Inclua o número de leitos, a média diária de altas e transferências, a frequência da terminal programada e o prazo de liberação de leito por turno.

Informe também quem aciona a terminal e quais equipamentos ficam com a equipe de limpeza.

Com esse mapa, compare fornecedores de terceirização de limpeza na Soluções Industriais e envie o mesmo pedido a várias empresas de uma vez. A plataforma reúne mais de 50 mil fornecedores e permite cotar com todos os da categoria em um só pedido.

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