NBR 9575: o que a norma de impermeabilização exige

A ABNT NBR 9575:2010 trata da seleção e do projeto da impermeabilização. Veja o que ela exige, o teste de 72 h da NBR 9574 e quanto tempo o sistema dura.
Três profissionais de capacete amarelo analisando uma planta de projeto ao ar livre, em canteiro de obra

A ABNT NBR 9575:2010, intitulada Impermeabilização — Seleção e projeto, orienta a escolha do sistema de impermeabilização mais adequado e estabelece as etapas para elaborar o projeto: estudo preliminar, projeto básico e projeto executivo.

A ABNT NBR 9575:2010 complementa a ABNT NBR 9574:2008, que estabelece os procedimentos de execução e prevê o teste de estanqueidade por 72 horas.

Na prática, essas normas ajudam a tornar a contratação mais precisa: em vez de solicitar apenas a impermeabilização da laje, o comprador deve especificar um sistema adequado ao uso da área, incluindo detalhes de ralos e rodapés, espessuras e testes.

Dessa forma, é possível comparar propostas que atendam aos mesmos requisitos técnicos.

A NBR 9575 está em vigor?

Sim. A edição de 2010 é a vigente, e a norma teve a validade confirmada pela ABNT em 2015, 2019 e 2024, segundo o histórico publicado pelo Busca Normas.

Uma revisão está em discussão: o Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI) mantém um grupo de trabalho para revisar a NBR 9575, com reuniões desde 2024. A ABNT NBR 9575:2010 trata da seleção e do projeto de impermeabilização, enquanto a ABNT NBR 9574:2008 estabelece os requisitos para sua execução.

Antes de aprovar projetos ou firmar contratos de longo prazo, consulte o catálogo da ABNT para verificar se essas edições foram atualizadas.

O projeto em três etapas

A NBR 9575 trata a impermeabilização como um projeto próprio, e não como um item do memorial de acabamento. Segundo o Guia de Aplicação da Norma de Desempenho para Impermeabilização, do IBI, a norma divide o projeto em três etapas sucessivas.

O estudo preliminar levanta as informações legais, técnicas e de custo e quantifica as áreas a impermeabilizar. O projeto básico define, com desenhos e textos, as soluções adotadas na construção, e deve ser feito durante a coordenação geral dos projetos.

O projeto executivo detalha de forma completa e inequívoca cada sistema e é feito junto com os demais projetos executivos.

Na prática, isso significa que ralos, rodapés, juntas, soleiras e passagens de tubulação precisam estar desenhados antes da obra, com o caimento da regularização e a altura de subida da impermeabilização nas paredes.

O guia recomenda ainda que a fiscalização seja feita pelo projetista ou por um profissional capacitado e independente do aplicador.

Em reformas de laje, em que o projeto original não existe, o mínimo é um levantamento da área e uma especificação escrita do sistema, que permita comparar as propostas.

A Agatux, aplicadora de São Paulo que anuncia na Soluções Industriais, oferece esse serviço na página de elaboração de projetos de impermeabilização, e a plataforma reúne quem faz o serviço em projetos de impermeabilização.

Como a norma classifica os sistemas

Escolher o sistema, pela NBR 9575, é cruzar o tipo de água que age sobre a área com o material e a forma de aplicação. O guia do IBI resume as classificações da norma que mais interessam ao comprador.

  • Pelo material da camada impermeável: Cimentícios (argamassas e cimentos poliméricos), asfálticos (membranas e mantas) e poliméricos (membranas acrílicas e de poliuretano, mantas de PVC e EPDM, entre outros).
  • Pela flexibilidade: rígidos, que não suportam movimentação da estrutura, e flexíveis, que absorvem fissuras quando bem especificados.
  • Pela forma de aplicação: moldados no local, as membranas, sem emendas; e pré-fabricados, as mantas, unidas por solda ou colagem.
  • Pela solicitação da água: água de percolação (a chuva sobre a laje, sem pressão acima de 1 kPa), água de condensação, umidade do solo e água sob pressão.
  • Pela exposição ao tempo: resistentes, autoprotegidos (com face de alumínio ou grânulos, sem trânsito além do eventual) e pós-protegidos, que recebem proteção mecânica.

Na laje de cobertura, a solicitação é a água de percolação e a estrutura se movimenta com a variação de temperatura, por isso a norma leva a sistemas flexíveis.

A escolha entre os dois mais usados, a manta asfáltica e a membrana acrílica, está no post manta asfáltica ou manta líquida: qual usar na laje, com as normas de produto de cada uma.

A NBR 9574 e o teste de estanqueidade de 72 horas

A execução é o tema da ABNT NBR 9574:2008. Segundo o guia do IBI, a norma recomenda que, depois de aplicada a impermeabilização, seja feito um ensaio de estanqueidade com lâmina d’água limpa, por no mínimo 72 horas, para verificar falhas.

Se houver reparo, o ensaio é repetido antes de liberar a área para a proteção mecânica.

É o chamado teste de estanqueidade ou ensaio hidráulico: os ralos são fechados, a laje é alagada e o ambiente de baixo é observado durante os três dias.

Laje com manta asfáltica preta coberta por lâmina d’água que reflete as árvores, com mureta ao redor
Laje com lâmina d’água sobre a manta asfáltica recém-aplicada, a condição do teste de estanqueidade da NBR 9574. Imagens: Agatux.

O teste é o momento em que a falha aparece antes de ficar escondida sob o piso, e por isso deve estar escrito na proposta, com quem acompanha e como é registrado.

O guia do IBI cita também ensaios não destrutivos que complementam a lâmina d’água, como a termografia infravermelha e o mapeamento por campo elétrico, úteis quando a área é grande ou já tem acabamento.

A sequência completa da obra, da regularização à proteção, está no post como impermeabilizar laje.

Como o trabalho acontece na cobertura, a equipe também precisa de treinamento de segurança; a Agatux, por exemplo, informa na página de certificações os treinamentos de NR-35, de trabalho em altura, e de NR-18, da construção civil.

Quanto tempo dura uma impermeabilização?

Pela ABNT NBR 15575-1, a norma de desempenho de edificações habitacionais (edição de 2013, com emendas até 2025), a vida útil de projeto da impermeabilização vai de 8 a 12 anos quando ela pode ser mantida sem quebrar o revestimento, como nas coberturas sem uso.

Sob piso, como nos terraços e nas coberturas utilizáveis, vai de 20 a 30 anos. Os valores estão na tabela C.6 da edição de 2013 da NBR 15575-1, reproduzida no guia do IBI, em três níveis: mínimo, intermediário e superior.

A norma recebeu emendas em 2021, 2024 e 2025, e a versão vigente é a ABNT NBR 15575-1:2025; antes de fechar o projeto, confira a tabela nessa versão.

A lógica é econômica: o sistema que exige demolir o piso para ser refeito precisa durar mais. O mesmo guia detalha a vida útil por local, como resume a tabela abaixo.

Local Vida útil de projeto (mínimo, intermediário, superior)
Cobertura não utilizável  8, 10 e 12 anos
Cobertura utilizável com proteção mecânica (tráfego de pedestres) 20, 25 e 30 anos
Cobertura utilizável exposta, com tráfego de pedestres 8, 10 e 12 anos

Área externa com jardim

(laje com jardim)

20, 25 e 30 anos
Laje de garagem e rampa com proteção 20, 25 e 30 anos
Laje de garagem e rampa exposta 8, 10 e 12 anos

A vida útil de projeto não é garantia: ela pressupõe o sistema especificado, a execução correta e a manutenção prevista.

O guia do IBI lembra que cabe ao projetista estabelecer a vida útil de cada sistema, ao construtor entregar o manual de uso e manutenção e ao usuário fazer a manutenção.

Por isso a laje impermeabilizada entra no plano de inspeções do prédio, como mostra o post sobre como o impermeabilizante aumenta a vida útil das estruturas, e no calendário de manutenção preventiva para o período de chuvas.

Para o comprador, a tabela vira um critério de proposta. Quem cota a impermeabilização de um terraço que vai receber piso deve pedir um sistema compatível com 20 anos ou mais, e não o mesmo sistema de uma cobertura exposta.

A Agatux trata esse caso na página de impermeabilização de terraços, uma das áreas com proteção mecânica em que a escolha do sistema tem efeito direto sobre a vida útil.

Próximo passo: cotar com o sistema especificado

Para receber propostas que atendam à NBR 9575 e à NBR 9574, informe na cotação o local (cobertura exposta, terraço, garagem, jardim), a área em metros quadrados, a vida útil esperada e se já existe projeto.

Peça que cada proposta descreva o sistema, a espessura ou o número de demãos, os arremates, o teste de estanqueidade de 72 horas e a proteção.

Com essas informações, compare empresas de impermeabilização de laje na Soluções Industriais e envie o mesmo pedido a vários aplicadores de uma vez. A plataforma reúne mais de 50 mil fornecedores, e também traz as opções de laje impermeabilizada para quem procura o serviço completo.

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