Bit de impacto ou bit comum: qual a diferença e quando usar

Entenda a diferença entre bit de impacto e bit comum, para que serve a zona de torção, por que o bit comum quebra na parafusadeira de impacto e o que cotar.
Montador apertando parafuso em estrutura de vidro e metal com parafusadeira e bit longo

O bit de impacto é feito para resistir aos golpes da parafusadeira de impacto. Tem uma zona de torção, trecho mais fino da haste que torce de forma elástica e absorve os picos de torque, e costuma ser de aço mais duro.

O bit comum é rígido e serve à parafusadeira convencional; na de impacto, lasca cedo. A confusão vem do encaixe: os dois têm a mesma haste sextavada de 1/4 de polegada e entram na mesma ferramenta.

O que muda está no corpo e no material. A diferença só aparece no uso, quando a ponta do bit comum começa a lascar depois de poucos parafusos na parafusadeira de impacto.

Como a parafusadeira de impacto trabalha

A parafusadeira convencional gira o bit de forma contínua, com o torque limitado pela embreagem. A parafusadeira de impacto soma à rotação golpes no sentido do giro.

Quando o parafuso oferece resistência, um mecanismo interno dispara impactos rotativos em sequência, e cada golpe é um pico de torque curto e intenso.

Esse mecanismo permite apertar parafusos longos e grossos com pouco esforço do operador e sem que a ferramenta torça o pulso.

Em contrapartida, o bit passa a receber cargas de choque repetidas, muito diferentes da carga constante da parafusadeira comum.

A página de bits para parafusadeira da Soluções Industriais descreve esse efeito: os pulsos de torque da impactadeira estilhaçam bits rígidos.

O bit comum e o seu limite

O bit comum, também chamado de rígido, tem a haste de diâmetro uniforme e é projetado para torque contínuo.

Atende bem à parafusadeira elétrica convencional, à parafusadeira de bancada e às chaves manuais com porta-bits, e é a opção de menor custo para montagem com torque controlado.

O limite dele é a carga de choque. Como o corpo não se deforma, o pico de torque do golpe vai direto para a ponta, que é a parte mais fina do bit.

O resultado típico é a ponta lascada ou trincada, e não o desgaste gradual. Ponta lascada em pouco tempo de uso é sinal de bit errado para a ferramenta, e não necessariamente de defeito de fabricação.

Na parafusadeira elétrica convencional, por outro lado, o bit comum continua sendo a escolha certa para a maioria dos trabalhos.

Pagar mais por bit de impacto só se justifica nela quando o parafuso exige torque alto e o bit comum está quebrando por torção.

O bit de impacto e a zona de torção

O bit de impacto tem, entre a haste e a ponta, uma zona de torção: um trecho de diâmetro menor que funciona como mola.

Quando chega o golpe, essa região torce um pouco e devolve a energia, e o pico de torque que chega à ponta fica menor. A ponta deixa de receber o choque inteiro e dura mais. O material completa o projeto.

A página da plataforma aponta o aço S2 como o padrão para bits de impacto, temperado a dureza mais alta, frequentemente entre 58 e 62 HRC (escala Rockwell C, usada para aços temperados).

Os fabricantes costumam marcar os bits de impacto pela cor, por um acabamento escuro ou pela palavra “impact” gravada no corpo, e essa identificação deve constar da proposta.

A DFG Ferramentas, distribuidora de São Bernardo do Campo (SP) que anuncia na Soluções Industriais, representa a fabricante alemã Wera no Brasil.

Na página de bits para parafusadeira de bancada, ela publica um gráfico de vida útil da linha de impacto da fabricante.

Nele, o bit comum aparece com vida bem menor que a do bit de impacto, e a maior vida é a do bit de impacto usado com porta-bits próprio para impacto.

Gráfico de barras comparando a vida útil de bit comum, bit de impacto e bit de impacto com porta-bits
Comparação de vida útil entre bit comum (“Standard”) e bits de impacto da linha Impaktor, sem valores numéricos no gráfico. Imagens: DFG Ferramentas.

Posso usar bit comum na parafusadeira de impacto?

Não é recomendado. O bit comum até encaixa e funciona por algum tempo, mas os golpes da parafusadeira de impacto lascam ou quebram a ponta muito antes do normal.

O caminho inverso é possível: o bit de impacto funciona na parafusadeira comum, só que a zona de torção fica sem função.

O risco não é só de custo. Uma ponta que lasca durante o aperto escorrega, espana a cabeça do parafuso e pode danificar a peça.  Em linha de montagem, isso significa parafuso para retrabalho e parada para troca de bit.

Por isso, quem usa parafusadeira de impacto deve padronizar bits de impacto para todos os perfis da operação. Os perfis, de Phillips a Torx, estão no post sobre os tipos de bits para parafusadeira.

A tabela resume as diferenças entre os dois tipos pelos critérios de compra.

Critério Bit comum (rígido) Bit de impacto
Corpo Haste de diâmetro uniforme Haste com zona de torção, mais fina, entre o encaixe e a ponta
Material usual Aço cromo-vanádio (Cr-V) ou S2 Aço S2, com dureza mais alta
Ferramenta indicada Parafusadeira comum, de bancada, chave manual Parafusadeira de impacto; também serve na comum
Falha típica Ponta lascada se usado com impacto Desgaste gradual da ponta
Porta-bits Qualquer porta-bits de 1/4″ Porta-bits próprio para impacto
Custo por unidade Menor Maior

A escolha entre bit comum e bit de impacto deve considerar a ferramenta, a frequência de uso e o esforço aplicado durante o aperto.

Embora o bit de impacto tenha custo maior, sua estrutura é projetada para suportar melhor os esforços repetitivos desse tipo de operação.

Portanto, verifique a compatibilidade entre bit, porta-bits e parafusadeira para reduzir falhas, prolongar a vida útil dos acessórios e manter a eficiência do trabalho.

O bit de impacto dura mais que o comum?

Na parafusadeira de impacto, sim: a zona de torção e o aço mais duro fazem o bit de impacto durar mais que o comum, que lasca com os golpes. Na parafusadeira convencional, a diferença diminui, porque não há choque para absorver.

Por isso, a comparação de custo deve ser feita por parafuso apertado, e não pelo preço da unidade. Um bit de impacto que custa mais e aperta muito mais parafusos sai mais barato no fim do mês do que vários bits comuns trocados no mesmo período.

A forma mais confiável de medir é registrar, durante um lote de teste, quantos parafusos cada bit aperta antes da troca.

O porta-bits também entra nessa conta. Em impacto, o porta-bits comum pode quebrar ou soltar o bit; os modelos próprios para impacto têm corpo reforçado e, em alguns casos, também amortecem o golpe.

A DFG mostra na página de bits para parafusadeira com ímã os porta-bits magnéticos da linha de impacto da Wera.

Cinco bits de impacto azuis e pretos lado a lado, com a zona de torção entre o encaixe sextavado e a ponta
Bits de impacto com zona de torção visível entre o encaixe sextavado e a ponta. Imagens: DFG Ferramentas.

Próximo passo: o que pedir na cotação

Informe se a ferramenta é de impacto ou convencional, o perfil e o número de cada bit, o comprimento, o material desejado e se precisa de porta-bits para impacto.

Peça ao fornecedor a identificação do bit de impacto na ficha técnica e a quantidade por embalagem. Combine também um lote de teste para medir quantos parafusos cada bit aperta na sua operação.

Com o pedido pronto, cote bits para parafusadeira, comuns e de impacto, na Soluções Industriais. Para equipes de manutenção, que encontram parafusos variados, vale incluir na cotação um kit de bits para parafusadeira de impacto.

A plataforma reúne mais de 50 mil fornecedores, e a mesma especificação enviada a todos garante propostas comparáveis.

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