A umidade da soja e do milho é um fator importante tanto para a comercialização quanto para o armazenamento, pois influencia a qualidade e o peso do lote.
Por isso, é necessário distinguir os limites usados como referência para venda das condições recomendadas para conservar os grãos por períodos mais longos.
Para a comercialização de soja e milho, o teor de umidade de referência é de até 14%. Já para o armazenamento da soja, a Embrapa recomenda umidade abaixo de 13%, preferencialmente entre 12% e 13%. Colher grãos mais úmidos exige secagem, enquanto secá-los em excesso reduz o peso comercializado.
Portanto, atingir 14% não significa, necessariamente, que o grão esteja na condição ideal para permanecer por meses no silo.
Qual a umidade ideal da soja para armazenar?
Abaixo de 13%. A Circular Técnica 224 da Embrapa Soja, de junho de 2026, recomenda secar e armazenar a soja com teor de água inferior a 13%.
Nessa faixa, o metabolismo do grão diminui e os microrganismos se multiplicam menos. A mesma publicação informa que a soja costuma ser colhida com teor de água entre 13% e 18%, faixa em que o grão está mais sujeito à deterioração.
Nas boas práticas para secagem em alta temperatura, a Embrapa indica que o teor de água final fique entre 12% e 13%. Para a venda, o regulamento técnico da soja, a Instrução Normativa MAPA nº 11/2007, determina que a umidade seja medida obrigatoriamente.
O texto recomenda o percentual máximo de 14%, mas não usa a umidade para enquadrar a soja em tipos.
O MAPA abriu em 2022 consulta pública para revisar esse padrão de classificação; antes de fechar contrato, confirme se a versão vigente mudou a referência de umidade.
E a umidade do milho?
Para comercialização, até 14,0%. O artigo 11 do regulamento técnico do milho, a Instrução Normativa MAPA nº 60/2011, fixa esse percentual como tecnicamente recomendado.
O milho mais úmido pode ser vendido, mas a umidade precisa constar no documento de classificação. Para armazenar, a referência técnica também fica abaixo dos 14%.
O professor Paulo Carteri Coradi, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), escreveu sobre isso em artigo na revista Cultivar Máquinas.
Ele recomenda secar soja e milho até teores de armazenamento, de preferência abaixo de 14%. Na secagem intermitente, ele indica uma meta de cerca de 12% a 13%. A umidade de colheita do milho varia com o híbrido, a região e a época de plantio.
Antes de dimensionar o secador, levante a umidade com que o milho realmente chega à sua unidade em cada safra: esse dado define quantos pontos o equipamento precisa retirar.
Como a umidade é medida na recepção
A IN 11/2007 define umidade como o percentual de água encontrado na amostra isenta de matérias estranhas e impurezas, determinado por método oficial ou por aparelho que dê resultado equivalente.
Na classificação, uma subamostra é separada por quarteamento, limpa e medida, e o valor é anotado no laudo e no certificado. Na prática, a medição é feita por medidores de umidade de grãos calibrados para cada cultura.
Use o mesmo procedimento na sua unidade e confira o aparelho com amostras de referência no início de cada safra. Uma diferença de meio ponto entre a sua leitura e a do comprador aparece no peso faturado.
Secar demais também custa
Quando o grão sai do secador abaixo da umidade necessária, ocorre a supersecagem. A Embrapa aponta que ela causa perda de peso comercial e danos físicos ao grão.
Cada ponto de água retirado além do necessário é peso que deixa de ser vendido e combustível gasto sem retorno. O calor em excesso tem outro efeito.
A Embrapa recomenda que a temperatura da massa de grãos não ultrapasse 40 °C, mesmo com o ar do secador entre 80 °C e 90 °C. Estudos citados pela publicação mostram que temperaturas de ar acima de 40 °C, somadas ao armazenamento prolongado, reduziram proteína e óleo da soja.
Para não errar nos dois sentidos, a Embrapa recomenda monitoramento contínuo. Devem ser acompanhados a temperatura do ar, a temperatura da massa e o teor de água na entrada e na saída do secador.
Coradi, no caso do secador intermitente, sugere medir a umidade a cada 20 ou 30 minutos. A diferença entre os dois tipos de equipamento está no post sobre secador intermitente ou contínuo.
Seca-aeração: parar a secagem antes e terminar no silo
Uma forma de chegar à umidade final sem supersecar é a seca-aeração. Pela Embrapa, o grão sai do secador 1 a 2 pontos percentuais acima da meta, como 14% ou 15% para chegar a 13%.
Depois, a secagem é concluída em um silo com aeração, que aproveita o calor residual para reduzir a umidade dos grãos. Segundo a Embrapa, esse método aumenta em até 30% a capacidade do secador e reduz a ocorrência de trincas e quebras.
Ele depende de silo com sistema de aeração e de transporte entre o secador e o silo. O processo completo, do ar natural à alta temperatura, está no post sobre secagem de grãos.
Leve os números da umidade para a cotação do secador
A capacidade de um secador só pode ser comparada quando vem acompanhada da redução de umidade de referência. A Tecsilos, por exemplo, usa como base do seu secador de cereais a soja de 17% para 14%.
Se o seu grão chega mais úmido, ou se a meta é 13%, a capacidade real muda. O mesmo vale para a fornalha a lenha que aquece o ar: ela precisa ser dimensionada para a água que o secador vai retirar.
Na cotação, informe a umidade média e a máxima de chegada, a umidade final desejada para cada grão e o volume diário na safra. Peça que cada proposta declare a capacidade em t/h para essa redução. Assim, as propostas de secador de grãos ficam comparáveis.
Com a ficha pronta, compare fabricantes de secador de grãos na Soluções Industriais, que reúne vários fornecedores da categoria numa mesma cotação, inclusive de secador de milho.