O chicote de energia reúne fios e cabos de maior seção, terminais e proteções para conduzir eletricidade da rede, bateria ou gerador até máquinas, veículos e instalações prediais.
Sua especificação depende principalmente da corrente elétrica e do comprimento do circuito.
Ao especificar um chicote de energia, verifique a corrente elétrica do equipamento para dimensionar corretamente os condutores. Atenção ao dimensionamento: fios mal dimensionados podem superaquecer, e terminais incompatíveis com os bornes elevam o custo.
Portanto, confirme a corrente, a bitola dos condutores e o tipo de terminal antes de solicitar o orçamento.
O que é chicote de energia?
O chicote de energia, também chamado de chicote de alimentação ou de potência, é um conjunto de condutores, terminais e proteções que transporta energia elétrica da fonte até os componentes de um circuito.
Ele se diferencia do chicote de sinal, que leva comandos e informações de sensores com fios finos. Em muitos equipamentos, os dois tipos fazem parte da mesma montagem, mas têm exigências diferentes.
Os condutores de alimentação carregam corrente mais alta e pedem seção maior e terminais robustos. Já os de sinal podem exigir cabo blindado, com malha metálica que reduz a interferência dos circuitos de potência vizinhos.
Os componentes de qualquer chicote estão explicados no artigo o que é chicote elétrico. Por isso, quando o pedido inclui os dois tipos de circuito, separe no desenho as vias de potência e as de sinal.
Essa separação orienta o fornecedor na escolha do condutor, do terminal e do roteamento. Assim, os fios de alimentação não ficam colados aos de sinal em todo o percurso.
Onde o chicote de energia é usado
O mesmo nome cobre aplicações com regras diferentes. Em máquinas, vale a NR-12, norma de segurança em máquinas e equipamentos do Ministério do Trabalho.
Em edificações, a referência é a ABNT NBR 5410:2004, que trata das >instalações elétricas de baixa tensão, até 1.000 V em corrente alternada ou 1.500 V em corrente contínua.
A tabela abaixo resume o que muda em cada caso:
| Aplicação | O que o chicote alimenta | Referência | O que informar na cotação |
|---|---|---|---|
| Máquinas e equipamentos industriais | Motores, resistências, painéis de comando | NR-12, itens 12.3.4, 12.3.6 e 12.3.7 | Corrente, comprimento, temperatura do percurso, óleo e vibração |
| Veículos e máquinas móveis com bateria | Partida, iluminação e acessórios | NR-12, item 12.3.9 (máquinas); manual do fabricante (veículos) | Tensão da bateria, corrente, tipo de borne e capa do polo positivo |
| Instalações prediais com chicote pré-montado | Circuitos de tomadas, iluminação e quadros | ABNT NBR 5410:2004 | Projeto elétrico, circuitos e comprimento até o quadro |
| Geradores e sistemas de reserva | Ligação do gerador ou do banco de baterias ao quadro | NR-12 no equipamento e NBR 5410 na instalação | Potência, corrente e distância até o quadro |
Para as máquinas, o chicote de energia liga o painel aos motores e às resistências, e o chicote industrial detalha os requisitos da NR-12 para esse caso.
Nos veículos e nas máquinas móveis, ele liga a bateria automotiva ao sistema de partida e à distribuição de energia.
Em sistemas de reserva, a ligação pode partir de um gerador de energia ou de uma bateria estacionária.
E, em relação às edificações, o chicote pré-montado aparece em construções modulares e em kits de instalação predial, que chegam à obra com os circuitos já cortados e identificados.
Nesse caso, o chicote faz parte da instalação elétrica e segue o projeto elétrico da edificação, com os circuitos que chegam ao quadro de distribuição. A NBR 5410 está em revisão pela ABNT, por isso confirme a edição vigente com o projetista antes de fechar a especificação.
A bitola sai da corrente, do comprimento e do ambiente
A bitola, ou seção nominal do condutor em milímetros quadrados, é a decisão central do chicote de energia. A ABNT NBR NM 280:2011 padroniza as >seções nominais de 0,5 mm² a 2.000 mm², o número de fios e a resistência elétrica dos condutores.
É essa resistência que determina quanto o condutor aquece e quanta tensão se perde ao longo do comprimento.
Por isso, o dimensionamento considera três fatores: a corrente de trabalho da carga, o comprimento do percurso e a temperatura do ambiente.
Isso porque percursos longos podem exigir condutores de maior seção para limitar a queda de tensão, mesmo quando a corrente é moderada.
Um ambiente quente, por sua vez, reduz a corrente que o mesmo condutor suporta com segurança. O cálculo deve ser feito pelo projetista, com a norma aplicável ao tipo de instalação, e informado ao fornecedor do chicote.
Nas máquinas, a NR-12 exige no item 12.3.7 um >dispositivo protetor contra sobrecorrente dimensionado conforme a demanda de consumo do circuito. Bitola e proteção são, portanto, decisões ligadas: uma depende da outra.
Terminais e conexões concentram o risco de aquecimento
No chicote de energia, o ponto mais sensível é a conexão. Um terminal mal crimpado aumenta a resistência de contato, a resistência elétrica que surge na junção entre o fio e o terminal.
Com corrente alta, essa resistência gera calor no ponto da conexão. A NR-12 trata disso no item 12.3.6: as ligações e derivações dos condutores devem ser feitas >mediante dispositivos apropriados, com resistência mecânica e contato elétrico adequado, com características equivalentes às dos condutores.
Na prática, o terminal precisa ser compatível com a seção do fio e com o borne do equipamento. A crimpagem, por sua vez, deve ser feita com a ferramenta indicada para aquele terminal.
Por isso, informe ao fornecedor o tipo de borne de cada ponta: parafuso, pino, olhal ou conector. Os terminais avulsos podem ser cotados na página de terminal elétrico.
Pergunte também quais testes o fornecedor faz nas vias de potência; o artigo sobre fabricação de chicotes elétricos explica o que cada teste verifica.
O chicote de bateria precisa de proteção no polo positivo
O chicote de bateria conecta os polos da bateria ao circuito elétrico de veículos, máquinas móveis e sistemas de partida de geradores.
Por conduzir a corrente de partida, ele usa condutores de seção maior e terminais próprios para o borne da bateria. Nas máquinas, a NR-12 exige no item 12.3.9 a >proteção do terminal positivo da bateria, para prevenir contato acidental e curto-circuito.
O mesmo item pede que a bateria fique fixada de forma a não haver deslocamento acidental. Por isso, o pedido deve incluir a capa protetora do polo positivo e o comprimento que permita a fixação da bateria sem tensionar o cabo.
Quem precisa apenas do condutor para essa ligação pode cotar cabo para bateria a metro. Por outro lado, quando o equipamento é fabricado em série, o chicote pronto, com terminais e capas já instalados, elimina a montagem manual de cada unidade e padroniza a ligação.
Chicote de energia e cabo de energia são a mesma coisa?
Não. O cabo de energia é o condutor vendido a metro, que o instalador corta e conecta; o chicote de energia é a montagem pronta, com os condutores cortados no comprimento, os terminais crimpados e a proteção instalada.
A escolha depende de quem faz a montagem. Para uma instalação única, feita na obra ou na manutenção, o cabo a metro costuma atender, desde que a conexão siga a norma aplicável.
Para equipamentos fabricados em série ou em lote, o chicote reduz o tempo de montagem e transfere ao fornecedor a responsabilidade pela crimpagem correta.
Antes de pedir orçamento aos fornecedores de chicote elétrico, reúna os dados a seguir, que permitem comparar propostas de fornecedores diferentes:
- aplicação (máquina, veículo, instalação predial ou gerador) e norma de referência;
- corrente de trabalho, tensão e comprimento de cada condutor de potência;
- seção calculada pelo projetista e tipo de isolação exigido pelo ambiente;
- tipo de borne em cada ponta (parafuso, pino, olhal ou conector) e proteção do polo positivo, se houver bateria;
- proteção externa contra calor, óleo, abrasão e vibração, e quantidade do lote.
Com essas informações, os fornecedores conseguem cotar o mesmo padrão de chicote, facilitando a comparação de preços, prazos e especificações técnicas.
Antes de fechar a compra, confirme a compatibilidade do conjunto com a aplicação e os requisitos de segurança do equipamento.
Leve o cálculo do circuito para a cotação
O chicote de energia certo começa pelo cálculo do circuito: corrente, comprimento e temperatura definem a seção, e o borne define o terminal.
A aplicação define a norma, NR-12 em máquinas e NBR 5410 em edificações. Como envolve risco de aquecimento e incêndio, o dimensionamento deve ser feito ou validado por profissional legalmente habilitado.
A Soluções Industriais reúne mais de 50 mil fornecedores cadastrados. Nela, você pode comparar fornecedores de chicote elétrico e pedir orçamento a vários deles ao mesmo tempo; para os condutores avulsos, a página de cabos elétricos reúne os fornecedores da categoria.
