A rosca transportadora é um equipamento de transporte contínuo que utiliza uma hélice, chamada helicoide, para movimentar materiais ao girar dentro de uma calha.
Ela empurra o material a granel da boca de entrada até a boca de descarga. É indicado para para trechos curtos, na horizontal ou com pouca inclinação. O fator decisivo na escolha é a vazão necessária para movimentar o material.
Por isso, a cotação não deve considerar apenas o comprimento da rosca, pois o diâmetro, o passo da hélice, a rotação e a potência do motor dependem das características do material, da vazão e da inclinação do equipamento.
Sem essas informações, cada fornecedor pode adotar parâmetros de dimensionamento diferentes.
O que é a rosca transportadora?
É o equipamento que move grãos, farelos e pós por meio de uma hélice que gira presa a um eixo, dentro de uma calha. No mercado, também é chamada de transportador helicoidal ou rosca sem fim.
A apostila de transportadores contínuos para granéis sólidos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) indica o transportador helicoidal para pequenas vazões em pequenas distâncias.
A mesma apostila destaca uma diferença em relação à correia e ao elevador de canecas: na rosca, o material se move em relação à estrutura, raspando a calha.
Por isso, além de transportar, ela pode misturar, separar, aquecer ou resfriar o produto. Em contrapartida, o atrito com a calha limita o equipamento a percursos curtos.
Quando a distância de transporte aumenta, o armazém de grãos costuma combinar diferentes equipamentos.
Nesse caso, a correia transportadora é utilizada nos trechos mais longos, conforme explicado no post sobre como escolher a correia transportadora para grãos. Para subir o grão na vertical, o equipamento usual é o elevador de canecas.
Calha, helicoide, eixo, mancais e acionamento são as partes principais
A apostila da UFBA lista os componentes básicos do transportador helicoidal.
São eles a hélice (helicoide), os componentes de travamento e segurança, os mancais intermediários e as tampas de fechamento. Completam o conjunto a calha com a boca de entrada, o flange de fixação, a boca de descarga e o suporte.
A esse conjunto se soma o acionamento, em geral um motorredutor, que é o motor elétrico acoplado a um redutor de velocidade.

O helicoide é a peça que trabalha. Ele é uma chapa em forma de espiral soldada ao eixo, e a cada volta do eixo o material avança uma distância igual ao passo da hélice.
Os tipos de hélice, o passo e a folga em relação à calha estão detalhados no post sobre o helicoide da rosca transportadora.
Os mancais intermediários sustentam o eixo ao longo da calha. Segundo a apostila, eles passam a ser usados quando o eixo tem mais de 3 m.
Na prática, a rosca longa é montada em módulos. A rosca transportadora da Tecsilos, por exemplo, é formada por módulos de acionamento, padrão e ajuste.
Cada módulo tem calha, chapa de cobertura e caracol, nome que o fabricante dá ao helicoide.
Como o material avança dentro da calha
O giro da hélice empurra o material, que escorrega sobre o fundo da calha sem girar junto com o eixo. Para isso funcionar, a calha não pode estar cheia.
A apostila da UFBA recomenda que o material não ocupe mais de 50% do volume do transportador, e o fator de enchimento cai para materiais pesados e abrasivos.
A velocidade de avanço resulta do passo multiplicado pela rotação. A apostila indica trabalhar entre 0,2 m/s e 0,4 m/s. Acima disso, reduz-se a rotação; abaixo, aumenta-se.
Essa conta, junto com o diâmetro e a potência do motor, está passo a passo no post sobre o cálculo de rosca transportadora.
A inclinação tem efeito direto sobre a vazão. A apostila informa que o transportador helicoidal é montado na horizontal ou com até 20° de inclinação, e que a capacidade cai à medida que o ângulo aumenta.
Há roscas verticais, mas com restrições ao tipo e ao tamanho do material. Se o projeto pede subida forte, confirme com o fornecedor se a rosca é a melhor opção.
Calha em U, tubo ou carcaça com camisa: o formato depende do material
A carcaça pode ser aberta ou fechada. A calha em U, com tampa parafusada, facilita a inspeção e a limpeza e é comum na movimentação horizontal de grãos.
A carcaça tubular, também descrita pela UFBA, fecha o material por inteiro e é usada quando a rosca trabalha inclinada ou quando é preciso conter poeira.
Há ainda carcaças especiais para processos. A carcaça com jaquetamento, ou camisa, tem uma câmara por onde passa um fluido que aquece ou resfria o material durante o transporte.
A carcaça com chuveiro adiciona líquido ao produto. Essas versões aparecem em indústrias de alimentos, rações e químicos, e não no transporte simples de grãos.
O material das chapas também entra na especificação. A Tecsilos informa que fabrica a rosca em chapas de aço galvanizado de até 2,70 mm, com chapas mais espessas conforme o caso.
As uniões externas são vedadas com massa de calafetar na montagem. Peça ao fornecedor a espessura da calha e do helicoide, porque são elas que definem a vida útil diante do desgaste.
Onde a rosca transportadora é usada no armazém de grãos
Na unidade armazenadora, a rosca faz os trechos curtos entre equipamentos. Ela leva o grão da moega ao pé do elevador, alimenta o secador e descarrega o silo.
Em cada um desses pontos, a vazão da rosca transportadora precisa acompanhar a dos equipamentos vizinhos. A Tecsilos, de Primavera do Leste (MT), indica a sua rosca para transporte horizontal de cereais a granel, com capacidade de até 200 t/h, segundo a página do produto.
No fundo do silo, a função é outra: retirar o grão que sobra depois da descarga por gravidade. Esse equipamento é a rosca varredora, que gira em torno do centro do silo, assunto do post sobre a rosca varredora automática.
A rosca também aparece na saída do processo de secagem de grãos, levando o produto seco ao silo. Nesse ponto, o grão ainda pode estar quente, e o fornecedor precisa saber disso para escolher as vedações e a pintura.
Em unidades já montadas, a Tecsilos oferece serviço de revisão, com vistoria de peças e do funcionamento.
Segurança: o que a NR-12 e a NR-31 exigem dos transportadores
A Norma Regulamentadora nº 12 (NR-12), do Ministério do Trabalho e Emprego, trata dos transportadores de materiais no item 12.8. Pelo subitem 12.8.1 do texto consolidado da NR-12, os movimentos perigosos acessíveis durante a operação devem ser protegidos, em especial nos pontos de esmagamento, agarramento e aprisionamento.
Na rosca, esse ponto é a hélice: a tampa da calha e a grade da boca de entrada são as proteções.
A NR-12 também determina, no subitem 12.8.3, que o transportador só seja usado para o tipo e a capacidade de carga para os quais foi projetado.
O subitem 12.8.7 pede dispositivos de parada de emergência ao longo dos transportadores contínuos acessíveis, salvo quando a análise de risco os dispensar.
Em estabelecimento rural, a referência é a NR-31. O subitem 31.12.55 repete a proteção dos movimentos perigosos, e o 31.12.55.1 pede que as partes móveis fiquem lubrificadas e limpas, para evitar superaquecimento e acúmulo de poeira.
O subitem 31.13.13.1 lista os transportadores enclausurados entre os locais que podem ser caracterizados como espaço confinado. A definição das proteções e dos procedimentos cabe a profissional legalmente habilitado.
O que levar especificado para a cotação
Com o funcionamento claro, o pedido de orçamento pode trazer os dados que o fornecedor usa para dimensionar o equipamento.
Sem eles, cada proposta chega com um diâmetro e um motor diferentes, e a comparação perde o sentido.
Os itens abaixo são o mínimo.
- material transportado, com massa específica, granulometria e se é abrasivo ou empoeirado;
- vazão desejada, em t/h ou m³/h, e regime de trabalho (horas por dia, época de safra);
- comprimento entre centros, inclinação e posição das bocas de entrada e descarga;
- tipo de carcaça (calha em U ou tubular), material e espessura das chapas;
- tensão disponível e exigências de segurança da NR-12 ou da NR-31.
Com esses dados em mãos, compare propostas de fornecedores de rosca transportadora na Soluções Industriais, que reúne fabricantes da categoria numa mesma cotação.
A plataforma soma mais de 50 mil fornecedores. Se a rosca fizer parte de um projeto de armazenagem com secador de grãos, envie o fluxograma completo, para que o fornecedor compatibilize as vazões de todos os equipamentos.