Tipos de célula de carga: como funcionam e como escolher para balança, tanque e silo

Viga, S, coluna e panqueca: como cada tipo de célula de carga trabalha, o que a classe de exatidão e o Inmetro exigem e o que informar na cotação.
Operador em plataforma metálica inspeciona tanques de armazenagem de uma indústria de alimentos

A célula de carga é o sensor que transforma a força de um peso em sinal elétrico e faz balanças, tanques e silos medirem massa. Os tipos mais usados são a viga, a célula em S, a coluna e a panqueca.

Sua escolha depende de como a carga atua, da capacidade, da exatidão e do ambiente. Além da capacidade de carga, é importante considerar as características da célula de carga.

Dois modelos com a mesma capacidade podem apresentar diferenças de formato, precisão e proteção, o que nem sempre permite a substituição direta.

Por isso, o pedido deve especificar a aplicação e as condições de uso, e não apenas a capacidade de pesagem.

Como funciona uma célula de carga?

A célula de carga funciona pela deformação de um corpo metálico: o peso deforma o metal, e sensores colados nele convertem essa deformação em tensão elétrica.

Um trabalho de conclusão de curso da Unesp explica que esses sensores são os extensômetros, também chamados de strain gauges, ligados a um circuito chamado ponte de Wheatstone.

O extensômetro é uma resistência elétrica muito fina que muda de valor quando o metal se alonga ou se comprime. Segundo o mesmo trabalho da Unesp, os transdutores geralmente usam quatro extensômetros ligados em ponte.

Essa montagem compensa variações de temperatura e transforma a pequena mudança de resistência numa diferença de tensão mensurável.

O sinal de saída da célula de carga é muito baixo e, por isso, exige instrumentos de leitura adequados.

Como exemplo, um projeto de iniciação científica do Instituto Mauá de Tecnologia trabalhou com um sinal de 2 mV/V na carga máxima, equivalente a 2 milivolts por volt de alimentação.

Por isso a célula sempre trabalha com um indicador de pesagem, que alimenta a ponte, amplifica o sinal e mostra o valor em quilogramas. A Unijuí registra o mesmo ponto: como a variação é de milivolts, o sinal precisa ser condicionado antes da leitura.

Os tipos de célula de carga por formato

A célula de carga em viga trabalha por flexão ou por cisalhamento: uma ponta é fixada na estrutura e a carga atua na outra.

A versão de ponto único, chamada single point, aceita a carga fora do centro sem perder a medida. Por isso equipa, com uma célula só, balanças de bancada e plataformas pequenas.

A viga de cisalhamento é mais robusta e aparece em balanças de piso e em tanques apoiados em vários pontos. A célula em S tem o formato da letra e trabalha tanto por tração quanto por compressão.

Ela é a escolha natural para cargas penduradas, como tanques suspensos, tremonhas e dosadores pendurados em estrutura. Também aparece em máquinas de ensaio e em conversões de balanças mecânicas.

Quando a carga é suspensa, a montagem deve incluir articulações que mantenham o esforço alinhado ao eixo da célula, evitando forças laterais que possam comprometer a medição.

Para aplicações que exigem alta capacidade de carga em espaços reduzidos, a célula de coluna, também chamada de canister, é uma opção adequada.

Ela recebe a carga verticalmente, de cima para baixo, e é comum em balanças rodoviárias, silos e tanques de grande porte.

Já em instalações com pouco espaço vertical, a célula tipo panqueca é uma alternativa, pois também trabalha por compressão e tem formato de disco baixo.

Nos dois casos, o apoio precisa permitir a dilatação da estrutura sem forçar a célula de lado.

O quadro abaixo resume como cada formato recebe a carga e onde aparece com mais frequência. 

Formato Como a carga atua Aplicações mais comuns
Viga de ponto único Flexão, com carga em qualquer ponto da plataforma Balanças de bancada, checadoras de peso, balanças de embalagem
Viga de cisalhamento Cisalhamento, com a célula fixa numa ponta Balanças de piso, plataformas, tanques sobre apoios
S Tração ou compressão no mesmo eixo Tanques e tremonhas suspensos, dosadores, conversão de balanças
Coluna Compressão vertical Balanças rodoviárias, silos e tanques de grande porte
Panqueca Compressão, em perfil baixo Estruturas com pouca altura livre, prensas e ensaios

O formato define a fixação e a forma da estrutura que vai receber a célula. Por isso, na troca de uma célula danificada, o caminho mais seguro é repetir formato, capacidade e furação da peça original.

Quantas células de carga uma balança ou um silo precisa?

Depende da estrutura: balanças pequenas usam uma célula de ponto único, plataformas de piso costumam usar quatro, e tanques e silos usam uma célula por apoio.

Um trabalho de especialização da UFMG sobre silo industrial descreve esse arranjo. O silo tem corpo de chapa de aço e quatro bases de apoio, cada uma sobre uma célula de carga.

células de carga

A capacidade de cada célula não é a capacidade total dividida pelo número de apoios. O regulamento de balanças do Inmetro, a Portaria Inmetro nº 157/2022, traz no item 3.12 uma fórmula que multiplica essa divisão por um fator de segurança maior que 1.

O fator considera a carga fora do centro, o peso morto da estrutura e a distribuição desigual entre os apoios.

Na prática, quem especifica precisa somar o peso do silo vazio, a carga máxima de produto e o efeito de vento ou de agitação, quando houver.

Esse cálculo cabe ao projetista da balança ou ao fornecedor do sistema de pesagem, e o comprador deve pedir que ele conste da proposta.

Classe de exatidão e o que o Inmetro exige

A classe de exatidão diz em quantas divisões a célula consegue dividir a sua capacidade sem ultrapassar o erro permitido. Não há regulamento brasileiro próprio para a célula de carga.

No Brasil, a Portaria Inmetro nº 157/2022 estabelece requisitos metrológicos para instrumentos de pesagem não automáticos e, no item 3.12.1, faz referência à Recomendação Internacional OIML R60, que estabelece critérios para a classificação metrológica das células de carga.

A escolha deve considerar a classe aplicável, a capacidade de pesagem e a precisão exigida pelo equipamento. A mesma portaria regula a balança completa, que o texto chama de instrumento de pesagem não automático.

Ela entrou em vigor em 02/01/2023 e revogou a antiga Portaria Inmetro nº 236/1994.

Vale para a pesagem em transações comerciais e também para materiais usados na indústria quando o resultado pode influenciar o preço do produto. Nesses casos, a balança precisa de modelo aprovado pelo Inmetro.

A portaria também exige verificação na instalação e verificação periódica, com validade limitada a um ano, além de nova verificação depois de reparos.

Por isso, quando a célula de uma balança regulamentada é trocada, o conjunto passa por nova verificação. Pergunte ao fornecedor se a célula ofertada é compatível com o modelo aprovado da sua balança.

Célula analógica ou digital

A célula analógica entrega o sinal em milivolts, que segue por cabo até o indicador. Quando há várias células, os cabos se juntam numa caixa de junção, onde as saídas são equalizadas.

É a solução mais difundida e a que tem reposição mais fácil, desde que a capacidade e a saída em mV/V sejam iguais às da original. A célula digital tem o conversor do sinal dentro do próprio corpo e envia a leitura já em formato digital.

A vantagem está no diagnóstico individual de cada apoio, útil em silos e balanças rodoviárias, onde uma célula com defeito precisa ser localizada sem desmontar o conjunto.

A desvantagem é a dependência do protocolo do fabricante: a célula de reposição precisa conversar com o indicador instalado.

Proteção, material e ambiente

A célula que fica em área lavada, ao tempo ou em ambiente com pó precisa de grau de proteção compatível. O código IP, definido no Brasil pela ABNT NBR IEC 60529:2017, indica a proteção contra a entrada de sólidos e de água.

O primeiro algarismo trata da poeira, e o segundo, da água. Peça o código IP por escrito na proposta, com o ensaio que o comprova.

O material acompanha o ambiente. Aço-liga com pintura ou revestimento atende áreas secas, enquanto o aço inoxidável é a opção para indústrias de alimentos, químicas e áreas com lavagem frequente.

Em tanques aquecidos ou ao lado de fornos, informe também a temperatura de trabalho, porque ela altera o sinal e a vida útil do sensor.

O que informar no orçamento de célula de carga

Nos pedidos de orçamento de célula de carga, indicadores e balanças feitos na Soluções Industriais entre 11/2024 e 10/2026, cerca de 6 em cada 10 já traziam especificação. Ainda assim, falta com frequência o dado que decide a escolha: como a carga atua sobre a célula.

Para cotar célula de carga, informe o formato e a forma de montagem, a capacidade de cada célula e o número de apoios. Acrescente a classe de exatidão, o tipo de saída (analógica ou digital), o grau de proteção, o material e a temperatura do ambiente.

Se for reposição, envie a foto da etiqueta e a marca do indicador de pesagem instalado. Se a pesagem entrar em venda ou no preço do produto, peça também a compatibilidade com o modelo aprovado pelo Inmetro.

Para comprar a balança completa, a página de célula de carga para balança reúne fornecedores do conjunto.

O post sobre sistemas de pesagem industrial mostra onde a pesagem entra em cada etapa da produção, e o de balanças ensacadeiras trata da pesagem no envase.

Com a especificação pronta, compare fornecedores de célula de carga na Soluções Industriais, que reúne mais de 50 mil fornecedores e permite cotar com vários deles de uma vez.

Artigo Anterior

Válvula globo, borboleta ou esfera: qual usar para regular ou bloquear o fluxo

Próximo Artigo

Rosca transportadora, esteira ou alimentador vibratório: qual usar para cada material a granel

Escreva um Comentário

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *