Para especificar um manipulador a vácuo, informe o peso, as dimensões e o material da carga, a frequência de movimentação, as alturas de pega e deposição, o espaço disponível e a fonte de energia.
Esses dados permitem comparar propostas com critérios equivalentes e avaliar qual equipamento atende melhor à operação.
Afinal, pedir “um manipulador para 50 kg” costuma gerar orçamentos que não se comparam: um fornecedor considera a carga lisa, outro a porosa; um inclui a estrutura, outro só o tubo e a bomba.
Quem ainda avalia se o equipamento faz sentido para a operação encontra os critérios no post sobre quando utilizar manipuladores a vácuo; este guia parte do ponto em que a decisão está tomada.
Comece pela carga mais pesada e pela superfície mais difícil
O manipulador é dimensionado pela pior condição, e não pela média. Mencione. Comunique o peso da carga mais pesada que o equipamento vai movimentar e o material da embalagem mais porosa, porque é essa combinação que define a capacidade necessária.
No catálogo de 2019 da MovTek, marca da Vaculift Comércio e Indústria de Elevadores, a capacidade de cada modelo cai cerca de 25% em superfícies semiporosas, como papelão de camada dupla, e cerca de 50% nas porosas, como sacos e papelão simples.
Junto com o peso, aponte as dimensões e o ponto em que a carga pode ser pega. Caixas com fita exigem ventosas fora da vedação, sacos podem usar ventosas esponjosas e bombonas, ganchos.
Para cargas variadas, verifique a possibilidade de troca rápida dos terminais. Os critérios para cada formato estão detalhados no guia sobre ventosa para manipulador a vácuo. A faixa de peso também indica o tipo de sistema.
No mesmo catálogo, os terminais de tubo de elevação chegam a 60 kgf para sacos e a 150 kgf para caixas, enquanto o sistema com garra a vácuo e talha elétrica chega a 500 kgf.
Para tambores, que têm dispositivos de pega próprios, consulte os fornecedores de manipulador de tambor.
Descreva o ciclo de trabalho e as alturas
O ciclo diz ao fornecedor quanto o equipamento vai trabalhar e de que forma. Informe quantos movimentos por hora o posto faz, em quantos turnos, e se a carga precisa girar no caminho — na montagem de paletes, por exemplo, é comum alternar a posição das caixas a cada camada.
O catálogo da MovTek oferece para isso um terminal giratório inferior, que permite posicionar o produto no palete sem girar o tubo. As alturas de pega e de deposição também entram no pedido.
Elas definem o curso do tubo ou da talha e mostram se o operador vai trabalhar abaixo da cintura ou acima do ombro, posturas que a NR-17 manda evitar no item 17.5.2.
Se a empresa já fez a avaliação ergonômica do posto, anexe-a ao pedido: ela traz exatamente esses dados, como explica o guia sobre transporte manual de cargas na CLT, na NR-11 e na NR-17.
Meça o espaço e informe a energia disponível
A estrutura de sustentação costuma ser a parte mais variável da proposta, e por isso precisa de medidas. Informe o comprimento e a largura da área que a carga percorre, a altura livre até a cobertura e os obstáculos no caminho, como máquinas, colunas e portas.
Uma área circular em torno de um ponto atende a um guindaste giratório com coluna, que no catálogo da MovTek gira até 270°; uma área retangular maior pede ponte rolante, que a fabricante fornece com colunas fixadas no piso de concreto ou sustentada por cabos de aço.
Indique também onde a estrutura pode ser fixada. O guindaste pode ser fixado em coluna própria, existente ou parede, com contrachapas em blocos.
A capacidade de fixação deve ser validada por responsável técnico. Por fim, notifique se há energia elétrica e ar comprimido no ponto de instalação.
Segundo o IMAM, sistemas com bomba dependem de energia elétrica; os de efeito Venturi, de ar comprimido, cuja pressão pode cair e afetar a escolha do gerador de vácuo.
Defina os recursos de segurança antes da proposta
Os recursos de segurança variam com a altura e o tipo de carga, e é melhor pedi-los por escrito do que deixá-los a critério de cada fornecedor.
O IMAM recomenda indicador de vácuo, alertas de falha, reserva de vácuo ou bateria e válvula de retenção em sistemas pneumáticos. Para cargas acima do corpo, indica circuitos independentes ou retenção mecânica secundária.
A proposta deve atender às exigências legais: a NR-12 exige manual de instruções em português, com orientações de segurança para todas as fases de uso (item 12.13.1), enquanto a NR-11 determina a indicação visível da capacidade máxima de carga (item 11.1.3.2).
A definição final dos recursos cabe ao profissional habilitado de segurança do trabalho da empresa.
Quanto custa um manipulador a vácuo?
Não há preço de tabela: o valor depende da capacidade e da bomba ou gerador de vácuo, do tipo e do tamanho da estrutura, da quantidade de terminais, dos recursos de segurança e da instalação.
Dois manipuladores com a mesma capacidade nominal podem ter preços muito diferentes porque um inclui ponte rolante e o outro, só a coluna giratória. Cada item tem efeito próprio sobre o custo.
Cargas porosas exigem maior capacidade; áreas retangulares podem demandar ponte rolante; produtos variados, terminais extras; e recursos de segurança, como alarmes e circuitos redundantes, elevam o custo conforme a avaliação de risco.
Projetos sob medida também têm efeito sobre o custo: a MovTek, por exemplo, informa que desenvolve terminais especiais para cargas fora do padrão, como fardos e pacotes, o que precisa ser cotado à parte. Por isso, a comparação deve ser feita item a item, e não pelo total.
O que pedir em cada proposta
Para que as propostas de manipulador a vácuo fiquem comparáveis, envie o mesmo pedido a todos os fornecedores e peça que cada um informe os itens abaixo.
- a capacidade para cada carga da linha, indicada para o tipo de superfície (não porosa, semiporosa ou porosa), e não só a capacidade máxima do modelo;
- o tipo de sistema (tubo de elevação ou garra com talha) e o gerador de vácuo, com a energia ou o ar comprimido necessários;
- a estrutura de sustentação, com a área atendida, a forma de fixação e a responsabilidade pela verificação do ponto de apoio;
- os terminais incluídos e a forma de troca entre eles;
- os recursos de segurança (vacuômetro, alarmes, reservatório, válvula de retenção), o manual em português e a placa de carga máxima;
- a instalação, a orientação dos operadores, o prazo de garantia e a disponibilidade de manutenção e de peças de reposição.
O último item merece atenção porque ventosas e mangueiras são peças de desgaste.
A MovTek, fabricante de Diadema (SP), informa que projeta e fabrica os manipuladores no Brasil e que faz manutenção e fornece peças para equipamentos já instalados; pergunte o mesmo a cada fornecedor e compare os prazos de reposição.
Próximo passo: enviar o mesmo pedido a vários fabricantes
Reúna em um documento a lista de cargas com peso, dimensões e embalagem, o ciclo por hora, as alturas, as medidas da área, a energia disponível e os recursos de segurança exigidos.
Se a dúvida ainda for entre tipos de sistema, o guia sobre como funciona o manipulador a vácuo compara tubo de elevação, garra com talha e Venturi; para cargas que pedem acionamento pneumático, a plataforma também lista fornecedores de manipulador pneumático.
Com o pedido pronto, compare fornecedores de manipulador a vácuo na Soluções Industriais e envie a mesma especificação a vários fabricantes de uma vez.
A plataforma reúne mais de 50 mil fornecedores, e propostas feitas sobre o mesmo pedido podem ser comparadas item a item.