O que é sorter, como funciona e como escolher o tipo certo

Sorter é o equipamento que classifica volumes por destino em centros de distribuição. Veja como funciona, os tipos e o que informar na cotação.
Sistema sorter automatizado em centro logístico, com esteiras transportadoras e mecanismos de desvio utilizados para separar e direcionar encomendas para diferentes destinos.

O sorter é um equipamento utilizado para classificar automaticamente caixas, pacotes e outros volumes por destino em centros de distribuição, transportadoras e operações de comércio eletrônico.

Por meio da leitura de códigos de identificação, o sistema direciona cada item para a saída correspondente, que pode representar uma rota de entrega, uma loja ou uma doca.

A escolha depende principalmente da quantidade de volumes processados por hora e das características das embalagens.

Um dos erros mais comuns é considerar o sorter apenas uma esteira de maior velocidade, quando, na verdade, seu funcionamento depende da integração de diferentes componentes.

O sistema reúne a indução, responsável por organizar o espaçamento entre os volumes, os dispositivos de leitura, os mecanismos de desvio e o software que determina cada destino.

Por isso, todos esses elementos precisam estar especificados no orçamento para que as propostas sejam comparáveis.

O que é sorter?

Sorter, do inglês to sort (classificar), é um sistema automático de classificação de volumes.

Ele recebe um fluxo misturado de caixas, pacotes ou sacos e o separa em fluxos menores, um para cada destino.

A separação é feita sem que um operador precise ler etiquetas e carregar cada volume até a saída.

A decisão de destino vem do sistema de gestão do armazém, conhecido pela sigla em inglês WMS (Warehouse Management System).

O sorter lê o código de barras ou a etiqueta RFID, de radiofrequência, consulta o destino e aciona o desvio no ponto certo.

Por isso, a integração com o software da operação faz parte do escopo do sorter para logística e precisa constar na cotação.

O sorter é uma das etapas da automação logística. Em geral, ele fica entre a separação dos pedidos e a expedição, ou entre o recebimento e a armazenagem, em operações que redistribuem carga.

Como funciona um sorter, etapa por etapa

Embora existam diferentes modelos, o sorter costuma seguir uma sequência de cinco etapas, desde a entrada dos produtos até sua distribuição entre as saídas.

Conhecer esse processo ajuda a identificar quais componentes precisam constar da proposta, já que cada etapa possui uma capacidade própria de operação:

  1. Indução: os volumes entram na linha, por esteira ou manualmente, e são espaçados para que o sistema os trate um a um;
  2. Identificação: um leitor de código de barras ou RFID identifica o volume; alguns sistemas também pesam e medem nessa etapa;
  3. Decisão: o software consulta o destino do volume no WMS;
  4. Desvio: o mecanismo do sorter retira o volume da linha principal no ponto da saída correspondente;
  5. Saída: o volume chega à rampa, à esteira ou à gaiola do destino; volumes sem leitura vão para uma saída de rejeito.

A capacidade real do conjunto é a da etapa mais lenta. Um mecanismo de desvio rápido não compensa uma indução manual lenta.

Por isso, peça ao fornecedor a capacidade em volumes por hora do sistema completo, e não só a velocidade da esteira.

Quais são os tipos de sorter?

Os tipos de sorter se distinguem pelo mecanismo de desvio, e o mecanismo é escolhido pelo tamanho, pelo peso e pela fragilidade dos volumes.

Os principais são o de rodas ou roletes desviadores, o de sapatas deslizantes, o de bandeja basculante e o cross belt.

Tipo Como desvia o volume Capacidade de referência (IMAM) Indicado para
Rodas ou roletes desviadores (pop-up) Rodas sobem entre os roletes e giram o volume para a saída Cerca de 80 caixas por minuto Caixas de fundo rígido
Sapatas deslizantes (sliding shoe) Sapatas se deslocam transversalmente e empurram o volume para a saída Cerca de 230 caixas por minuto Caixas de tamanhos variados
Bandeja basculante (tilt tray) Cada volume fica em uma bandeja que inclina na saída De 80 a mais de 200 por minuto Pacotes pequenos e médios, inclusive irregulares
Cross belt (correias cruzadas) Cada carrinho tem uma pequena correia transversal que descarrega o volume Mais de 200 por minuto Itens leves e variados, como no comércio eletrônico

As capacidades são de referência e vêm do artigo do IMAM, instituto de logística e movimentação de materiais, sobre sistemas de classificação.

Segundo a mesma fonte, desviadores simples, como defletores, empurradores e puxadores, trabalham na faixa de 10 a 35 caixas por minuto e servem a linhas com poucas saídas.

Para volumes frágeis, informe a fragilidade no pedido: o mecanismo de desvio tem efeito direto sobre o impacto que a carga recebe.

O que influencia a escolha e o preço do sorter

O preço de um sorter é definido pelo número de saídas, pela capacidade em volumes por hora e pelo tipo de mecanismo.

O comprimento da linha e o escopo de software e integração completam a conta. Sem esses dados, nenhum fornecedor consegue cotar.

As dimensões e o peso dos volumes também entram na conta. Informe o menor e o maior volume, o peso máximo e a proporção de cada tipo de embalagem, como caixa, envelope e saco.

Um sistema dimensionado só para caixas pode rejeitar envelopes, e esses itens acabam separados à mão.

Por fim, considere as etapas ao redor do sorter. A esteira transportadora faz a indução e a saída, e um sistema de pesagem em linha pode conferir o peso antes da classificação. Peça que a proposta deixe claro quais desses itens estão incluídos.

Segurança do sorter e da linha de indução

O sorter e as esteiras que o alimentam são transportadores contínuos de materiais e estão sujeitos ao item 12.8 da NR-12.

A norma estabelece medidas de proteção para pontos acessíveis com risco de esmagamento ou agarramento, além de dispositivos de parada de emergência ao longo dos transportadores contínuos que possam ser alcançados pelos trabalhadores.

Nas estações de indução manual, o operador permanece próximo aos equipamentos em movimento, o que exige atenção à posição do posto de trabalho e às condições de acesso.

O projeto também deve prever procedimentos seguros para retirar volumes travados nas saídas e realizar o bloqueio das fontes de energia durante intervenções de manutenção.

A avaliação da conformidade e a definição das medidas de proteção necessárias devem ficar sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado.

Leve o perfil dos volumes para a cotação

Antes de solicitar um orçamento, reúna a quantidade de volumes processados por hora nos períodos de pico, o número de destinos e as dimensões e os pesos mínimos e máximos das cargas.

Informe também os tipos de embalagem utilizados, o método atual de identificação dos produtos e o sistema de gestão que deverá se comunicar com o sorter.

Esses dados permitem que os fornecedores dimensionem os equipamentos conforme as necessidades da operação e apresentem propostas com escopos equivalentes.

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Romário Martins · Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends

Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transformar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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