Manutenção de chiller: o que inclui, o que a lei exige e como contratar

Manutenção de chiller envolve trocadores, fluido refrigerante, água e torres. Veja o que a Lei 13.589 e a Portaria 3.523 exigem e o que pedir no contrato.
Técnico desmonta a proteção de um condensador durante a manutenção de equipamento de climatização

A manutenção de chiller reúne inspeções, medições, limpezas e ajustes para preservar a capacidade de refrigeração, a eficiência e a segurança do equipamento.

Ela abrange trocadores de calor, fluido refrigerante, circuitos de água, bombas e torres de resfriamento.

Em sistemas de climatização de uso coletivo, deve integrar o Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC), exigido por lei. A manutenção deve combinar procedimentos de limpeza com medições periódicas de desempenho.

Mesmo com os componentes limpos e o equipamento em funcionamento, o consumo de energia pode estar acima do esperado.

Por isso, registre temperaturas, pressões e consumo elétrico para acompanhar as condições de operação e avaliar os resultados das intervenções.

O chiller precisa de PMOC?

Sim, quando atende ambientes climatizados de uso público e coletivo. A Lei nº 13.589/2018 determina que esses edifícios mantenham um Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC) dos sistemas de climatização.

O parágrafo 1º do artigo 1º estende a lei aos ambientes de uso restrito, como processos produtivos, laboratórios e hospitais, que devem seguir regulamentos específicos.

A Portaria GM/MS nº 3.523/1998 detalha a responsabilidade. Para sistemas acima de 5 TR (60.000 BTU/h), o proprietário, o locatário ou o preposto deve manter um responsável técnico habilitado.

Cabe a ele implantar o PMOC, garantir sua execução e manter o registro dos procedimentos no imóvel. O conteúdo do plano e quem é obrigado a tê-lo estão no artigo sobre o que é PMOC.

Mesmo em chiller de processo industrial, fora do alcance do PMOC, o plano de manutenção continua necessário.

A ABNT NBR 13971:2014, que trata da manutenção programada de sistemas de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento, estabelece orientações básicas para essas atividades. A Portaria 3.523 já remetia à versão anterior dessa norma.

Quais são os procedimentos de manutenção preventiva em um chiller?

Os procedimentos de manutenção preventiva em um chiller cobrem os trocadores de calor, o circuito de fluido refrigerante, o compressor, os controles e a qualidade da água.

A periodicidade de cada item é definida no plano de manutenção, com base no manual do fabricante e nas condições de operação.

O volume II do Manual sobre Sistemas de Água Gelada, do Ministério do Meio Ambiente (MMA, 2017), aponta o approach como o indicador mais simples de desempenho.

Approach é a diferença entre a temperatura da água e a temperatura do fluido refrigerante em cada trocador. Segundo o manual, um approach acima do valor de projeto sempre indica baixo desempenho.

As causas mais comuns apontadas pelo manual são duas. A primeira é a sujeira nos trocadores, quando o tratamento da água gelada ou da água de condensação não mantém a água dentro dos limites do fabricante.

A segunda é a carga inadequada de fluido refrigerante, em excesso ou em falta. O manual orienta medir com o chiller a 100% da carga, nos dois trocadores ao mesmo tempo, e comparar com o valor de projeto.

O que um contrato de manutenção de chiller deve prever

Um contrato bem definido descreve os serviços incluídos, a frequência das visitas, as medições exigidas e os indicadores de desempenho esperados.

Dessa forma, é possível comparar propostas com os mesmos critérios, acompanhar a execução das atividades e cobrar resultados com base em parâmetros objetivos.

Antes de cotar, confira se o escopo inclui os itens abaixo.

  1. Plano de manutenção com a periodicidade de cada atividade, conforme o manual do fabricante e a NBR 13971;
  2. Registro de temperaturas de entrada e saída de água, pressões e corrente elétrica a cada visita;
  3. Medição do approach do evaporador e do condensador, comparada ao valor de projeto;
  4. Controle e registro do tratamento da água gelada e da água de condensação;
  5. Inspeção e limpeza das torres de resfriamento, quando houver;
  6. Verificação de vazamentos e controle da carga de fluido refrigerante;
  7. Relatório com falhas encontradas, correções feitas e recomendações.

O manual do MMA reforça que o approach de projeto raramente é informado, mas deve constar como item obrigatório nas propostas dos fornecedores de chiller.

chiller

Se o seu equipamento não tem esse dado, peça ao fabricante ou registre o valor medido logo após uma limpeza completa dos trocadores.

Na compra de um novo chiller para ar-condicionado, exija o approach de projeto na proposta.

Torres, água e fluido refrigerante

Em chillers com condensação a água, a torre de resfriamento faz parte da manutenção. A Portaria 3.523 inclui a torre no modelo de plano de manutenção, com a orientação de verificar e eliminar sujeira, danos e corrosão.

A diferença entre os tipos de condensação e a função da torre está no artigo sobre chiller com condensação a ar ou a água.

O fluido refrigerante merece atenção especial em equipamentos antigos, principalmente devido às mudanças nas regras de importação.

Nesse contexto, a Instrução Normativa Ibama nº 20/2022 (esta página não está funcionando) reduziu em 53,82%, a partir de 2025, a cota de importação do HCFC-22 (R-22) em relação à linha de base.

Para os HCFC em geral, a redução chega a 100% em 1º de janeiro de 2040. Chillers com R-22 terão reposição de fluido mais restrita a cada ano, e o plano de manutenção deve prever a troca de fluido ou a substituição do equipamento.

O manual do MMA observa que trocar apenas o chiller nem sempre traz a economia esperada. Muitos problemas de desempenho vêm da operação e da automação, e não do equipamento.

Antes de substituir, peça um diagnóstico do sistema completo. O artigo sobre sinais de que o sistema de refrigeração precisa ser modernizado ajuda nessa avaliação.

Vasos de pressão e segurança na manutenção

O chiller trabalha com fluido refrigerante sob pressão, e alguns componentes podem se enquadrar como vasos de pressão.

A NR-13, do Ministério do Trabalho e Emprego, se aplica a vasos com produto P×V acima de 8. P é a pressão máxima de operação, em kPa, e V é o volume interno, em m³.

A mesma norma exclui alguns equipamentos, como vasos de pressão integrantes de sistemas auxiliares de pacote de máquinas e vasos com diâmetro interno inferior a 150 mm.

Mesmo assim, o item 13.2.3 determina que a exclusão não dispensa a inspeção e a manutenção, acompanhadas ou executadas por responsável técnico.

O enquadramento dos trocadores e reservatórios do seu chiller deve ser avaliado por profissional habilitado.

O manual do MMA cita ainda duas normas da ABNT: a NBR 16069, sobre segurança em sistemas frigoríficos, e a NBR 13598, sobre aplicação de vasos de pressão para refrigeração.

Ambas ganharam edições posteriores às citadas no manual. Peça que o prestador informe qual edição segue e como atende a essas normas nos serviços que envolvem o circuito de fluido refrigerante.

Contrate a manutenção com escopo e indicadores

Reúna o modelo, a capacidade e o fluido refrigerante de cada chiller, o histórico de manutenção e os valores de projeto disponíveis.

Defina se o contrato inclui torres, bombas e tratamento de água, e quais registros você vai receber a cada visita. Para paradas longas, avalie a locação de um equipamento temporário para manter a operação.

Na Soluções Industriais, você pode comparar fornecedores de chiller para ar-condicionado e enviar o mesmo pedido a vários deles.

Para equipamentos de processo, a plataforma também reúne fornecedores de chiller.

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