Rotâmetro: como funciona, para que serve e o que especificar na compra

O rotâmetro mede vazão pela posição de um flutuador em um tubo cônico. Veja como funciona, os limites de instalação, vidro x metal e o que cotar.
Rotâmetro

O rotâmetro é um instrumento utilizado para medir a vazão de líquidos e gases por meio do princípio de área variável.  Ele possui um tubo cônico vertical e um flutuador interno que sobe conforme o fluxo aumenta.

A altura alcançada pelo flutuador indica a vazão do fluido, permitindo a leitura local sem necessidade de alimentação elétrica.

Ao selecionar um rotâmetro, verifique se a escala corresponde ao fluido utilizado e às condições de operação.

Como a posição do flutuador varia conforme a densidade, modelos calibrados para água podem exigir ajustes para medir óleos ou soluções mais densas. Para gases, considere também a pressão e a temperatura de trabalho, garantindo que a leitura represente a vazão real.

O que é rotâmetro?

O rotâmetro é o tipo mais comum de medidor de vazão por área variável. De acordo com o curso de instrumentação básica da Petrobras, hospedado pela UFPR, ele tem duas partes.

A primeira é um tubo cônico instalado na vertical, com a extremidade maior para cima; a segunda, um flutuador que se move dentro dele conforme a vazão.

A vazão é lida diretamente na escala gravada no tubo, na altura do flutuador. Essa leitura local, sem cabo nem alimentação, explica o uso do rotâmetro em painéis de gases, linhas de água de resfriamento, dosagem de produtos e bancadas de laboratório.

O material de instrumentação industrial publicado no eduCAPES cita aplicações nas indústrias química, alimentícia, farmacêutica e petroquímica.

O rotâmetro é um entre vários princípios de medição. Placa de orifício, eletromagnético, ultrassônico, turbina e Coriolis são comparados no artigo sobre tipos de medidor de vazão, que ajuda a decidir quando o rotâmetro é a opção adequada.

Como funciona o rotâmetro

O fluido entra pela base do tubo e sobe. O curso da Petrobras descreve o equilíbrio. Sem vazão, o flutuador fica no fundo, quase fechando a passagem.

Quando o fluido começa a escoar, a diferença de pressão através do flutuador, somada ao empuxo, supera o peso dele, e o flutuador sobe. Como o tubo se alarga para cima, a área anular em volta do flutuador aumenta e o diferencial de pressão diminui.

O flutuador para na altura em que as forças se igualam. Qualquer aumento de vazão o faz subir até um novo ponto de equilíbrio, com área maior; uma redução o faz descer.

Por isso, a escala do rotâmetro é praticamente linear, ao contrário da placa de orifício, em que a vazão varia com a raiz quadrada da diferença de pressão. Esse princípio impõe duas condições de instalação.

O material de instrumentação da USP registra que o rotâmetro tem de ser instalado na posição vertical, porque usa a força da gravidade. O fluxo deve ser de baixo para cima. Uma instalação inclinada ou com fluxo invertido não mede corretamente.

Para que serve o rotâmetro e quais são seus limites

O rotâmetro serve para indicar a vazão no local, de forma simples e com baixo investimento. O Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) aponta como vantagens a dispensa de alimentação externa e a construção simples.

A USP acrescenta que ele mede gases e líquidos, com incertezas da ordem de 0,4% a 4,0% do fluxo máximo, conforme o modelo.

Os limites também são claros. O mesmo material do IFSC lista a obrigação de instalação vertical e a precisão limitada da escala, que depende das propriedades do fluido.

Aponta também a dificuldade de adaptar os modelos de tubo transparente para leitura automática. O eduCAPES indica que o rotâmetro é adequado para baixas pressões e fluidos limpos, sem partículas sólidas.

Segundo o mesmo material, a seleção do flutuador e a construção da escala são determinadas pela densidade do fluido. Na prática, o rotâmetro atende bem à indicação local de vazões constantes de fluidos limpos.

Quando a medição precisa ser registrada, totalizada ou usada para faturamento, ou quando o fluido tem sólidos ou densidade variável, outro princípio tende a ser mais adequado.

Rotâmetro de vidro ou metálico

A diferença entre os dois está no tubo e na forma de leitura. No rotâmetro de vidro, o flutuador é visto diretamente através do tubo.

No metálico, o tubo cônico é de metal, e a posição do flutuador é transmitida a um indicador externo por acoplamento magnético, segundo a USP.

O mesmo material mostra que esses modelos podem ter saída de 4 a 20 mA ou comunicação digital HART.

A tabela de medidores do material da UFRGS indica rangeabilidade de 10:1 para os dois tipos, isto é, a vazão máxima é dez vezes a mínima mensurável.

A diferença prática está na leitura: o IFSC observa que a necessidade de tubo transparente limita o uso do modelo de vidro, restrição que o metálico não tem.

Vazão

Em resumo, o rotâmetro de vidro atende a fluidos limpos e transparentes, em baixa pressão e com leitura local. O metálico é indicado quando o fluido é opaco, quando o vidro não é aceito no local ou quando a vazão precisa chegar ao painel de controle.

Os limites de pressão e de temperatura de cada modelo devem ser conferidos na ficha técnica do fornecedor. A plataforma tem página própria para o rotâmetro industrial, que reúne os modelos para processo.

A escala vale para o fluido de calibração

Como a posição do flutuador depende da densidade e, em gases, da pressão e da temperatura, a escala só é válida nas condições para as quais o rotâmetro foi construído.

Um rotâmetro graduado para ar a uma pressão e usado em outra indica um valor errado, mesmo sem defeito. Por isso, a especificação deve informar as condições reais de operação, além do nome do fluido.

Com esses parâmetros definidos, solicite também o certificado de calibração para garantir a confiabilidade das medições quando a precisão for essencial.

O Vocabulário Internacional de Metrologia, na edição do Inmetro, define calibração como a operação que relaciona as indicações do instrumento aos valores fornecidos por padrões, com as incertezas associadas.

Além de verificar a calibração, realizada por laboratórios da Rede Brasileira de Calibração (RBC), com certificados rastreáveis e acreditação segundo a ABNT NBR ISO/IEC 17025, defina a unidade de medida da escala antes da compra.

Essa escolha é especialmente importante para rotâmetros de gases, que podem apresentar valores em L/min nas condições da linha ou em unidades normalizadas, referidas a uma pressão e temperatura padrão.

As diferenças entre essas unidades e as conversões mais usadas estão no artigo sobre vazão, fórmula e unidades de medida.

Especifique o rotâmetro pelas condições de operação

Antes de pedir orçamento, informe o fluido, sua densidade e, para gases, a pressão e a temperatura no ponto de instalação. Defina a vazão mínima, normal e máxima, na unidade em que a escala deve ser graduada, e o diâmetro e o tipo de conexão da linha (rosca ou flange).

Diga também se a leitura será só local ou se é preciso sinal de 4 a 20 mA ou contato de alarme.

Com essa especificação, você pode comparar fornecedores de rotâmetro na Soluções Industriais e solicitar orçamentos a vários deles ao mesmo tempo, com os mesmos dados.

A plataforma reúne mais de 50 mil fornecedores cadastrados e permite cotar, em uma única solicitação, modelos de vidro e metálicos.

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