Tipos de medidor de vazão: como cada um funciona e como escolher para o seu processo

Placa de orifício, rotâmetro, eletromagnético, ultrassônico, turbina ou Coriolis: veja como cada medidor de vazão funciona e o que pedir na cotação.
Tubulações de aço inoxidável com visores transparentes em uma linha de processo industrial

Medidor de vazão é o instrumento que indica a quantidade de fluido que passa por uma tubulação em um intervalo de tempo, em volume ou em massa.

Há vários princípios de medição, e nenhum serve para todos os casos. A escolha começa pelo fluido (líquido, gás ou vapor), pela faixa de vazão e pela exatidão que o processo exige.

Para solicitar um orçamento, informe o diâmetro da tubulação e as características da aplicação. Considere se o fluido conduz eletricidade, contém partículas e se a medição será utilizada para faturamento.

Esses dados orientam a escolha da tecnologia, da faixa de medição e do modelo adequado, permitindo comparar propostas com especificações equivalentes.

O que é um medidor de vazão?

O medidor de vazão é o conjunto que mede quanto fluido escoa por unidade de tempo e transforma essa medida em uma indicação ou em um sinal.

A vazão volumétrica é expressa em metros cúbicos por segundo no Sistema Internacional e, na indústria, em m³/h ou L/min. A vazão mássica, em kg/s, kg/h ou t/h. Os conceitos e as fórmulas estão no artigo sobre vazão, fórmula e unidades de medida.

Em geral, o medidor tem duas partes. O elemento primário fica em contato com o fluido ou junto à tubulação e gera um efeito mensurável, como uma diferença de pressão, uma frequência ou uma tensão elétrica.

O elemento secundário converte esse efeito em vazão, totaliza o volume e envia um sinal ao sistema de controle. Esse sinal costuma ser de 4 a 20 mA, o mesmo padrão explicado no artigo sobre transmissor de temperatura.

Para gases e vapores, a medida em volume precisa vir acompanhada das condições de referência. O curso de instrumentação básica da Petrobras, hospedado pela UFPR, registra que é comum indicar a vazão de gases em Nm³/h.

São metros cúbicos normais por hora, referidos a 0 °C e à pressão atmosférica. Um mesmo metro cúbico de gás ocupa volumes diferentes conforme a pressão e a temperatura da linha.

Pressão diferencial: placa de orifício, tubo Venturi e bocal

Os medidores por pressão diferencial criam uma restrição na tubulação e medem a queda de pressão que ela provoca.

Segundo o material de controle de processos da UFRN, a vazão depende da raiz quadrada do diferencial de pressão, e o que o sensor mede, na prática, é esse diferencial.

Por isso, a malha pode ser completada por um transmissor de pressão diferencial, que mede a diferença de pressão gerada pela placa de orifício, um elemento simples formado por um disco com furo calibrado e instalado entre flanges.

O mesmo material da UFRN indica rangeabilidade média de 3:1 (relação entre a vazão máxima e a mínima mensuráveis) e exige trechos retos de tubulação antes e depois do elemento.

O curso da Petrobras acrescenta que a placa é o dispositivo com maior perda de carga irrecuperável, de 40% a 80% do diferencial gerado. Essa perda tem efeito sobre o consumo de energia de bombeamento.

O tubo Venturi tem entrada e saída cônicas e recupera a maior parte da pressão. Segundo a USP, ele requer menos trechos retos do que a placa.

A geometria e a instalação desses elementos são definidas pela série ABNT NBR ISO 5167. A parte 1 (2008) traz os princípios gerais, a parte 2 (2011) trata das placas de orifício e a parte 3 (2016), dos bocais e bocais Venturi.

Área variável: o rotâmetro

O rotâmetro é um tubo cônico vertical com um flutuador que sobe até a posição em que as forças se equilibram. O curso da Petrobras descreve que o fluido passa da base para o topo e que a vazão é lida pela observação direta da posição do flutuador em uma escala.

Não precisa de energia elétrica, o que o torna comum em linhas de água, ar, gases de laboratório e dosagem.

O rotâmetro tem limitações que precisam constar no pedido. Ele deve ser instalado na vertical, e a escala vale para o fluido e a densidade para os quais foi construído.

O funcionamento, as versões de vidro e metálicas e o efeito da troca de fluido estão detalhados no artigo sobre como funciona o rotâmetro.

Eletromagnético e ultrassônico: medição sem obstruir a linha

O medidor eletromagnético usa a lei de Faraday: o líquido condutor, ao passar por um campo magnético, gera uma tensão proporcional à velocidade. Segundo a UFPR, ele não tem partes móveis em contato com o fluido, e sua perda de carga equivale à de um trecho reto.

Por outro lado, só funciona com líquidos condutores de eletricidade. Água, efluentes, polpas e a maior parte das soluções aquosas atendem a esse requisito.

medidor de vazão

O medidor ultrassônico mede a vazão por ondas sonoras e existe em versões com transdutores presos à parede externa do tubo ou em contato com o fluido.

Ele mede líquidos que não conduzem eletricidade e também gases. A comparação entre os dois princípios, com os requisitos de instalação de cada um, está no artigo sobre medidor de vazão eletromagnético e ultrassônico.

Turbina, deslocamento positivo e Coriolis

No medidor tipo turbina, o fluido gira um rotor, e cada passagem de pá gera um pulso. O curso da Petrobras explica que a frequência dos pulsos é proporcional à velocidade do fluido, e a vazão é obtida pela contagem e totalização desses pulsos.

A UFPR indica faixa de medição entre 10:1 e 30:1. Para gás, a ABNT NBR ISO 9951:2002 trata das dimensões, do desempenho e da calibração das turbinas.

O medidor de deslocamento positivo mede volumes fixos. No modelo de engrenagens ovais, descrito pela UFPR, a diferença de pressão gira um par de engrenagens que aprisiona e transfere uma quantidade constante de fluido a cada volta.

É usado em óleos, combustíveis e líquidos viscosos, em que a turbina perde desempenho.

O medidor Coriolis mede diretamente a vazão mássica. Segundo o curso da Petrobras, o atraso entre os dois lados dos tubos vibrantes do instrumento é proporcional à vazão mássica.

O material de instrumentação industrial publicado no eduCAPES acrescenta que o mesmo instrumento entrega densidade, temperatura e vazão volumétrica. Por isso, é indicado quando o produto é vendido ou dosado por massa.

Qual medidor de vazão escolher?

O medidor de vazão certo é o que atende ao fluido, à faixa de vazão e à exatidão exigida com o menor custo de instalação e de operação.

A tabela a seguir resume as características descritas nas fontes acadêmicas citadas e serve como ponto de partida para a conversa com o fornecedor.

Tipo Princípio Fluidos típicos Característica a considerar
Placa de orifício Pressão diferencial Líquidos, gases e vapor Rangeabilidade média de 3:1; maior perda de carga
Tubo Venturi Pressão diferencial Líquidos e gases Recupera a pressão; exige menos trecho reto que a placa
Rotâmetro Área variável Líquidos e gases limpos Leitura local, sem energia; instalação vertical
Eletromagnético Indução (Faraday) Líquidos condutores Sem partes móveis e sem perda de carga adicional
Ultrassônico Ondas sonoras Líquidos e gases Versões instaladas por fora do tubo
Turbina Velocidade (pulsos) Líquidos limpos e gases Faixa de 10:1 a 30:1
Deslocamento positivo Volume fixo Óleos e líquidos viscosos Indicado para totalização
Coriolis Força de Coriolis Líquidos e gases Mede massa e densidade diretamente

Depois do princípio, entram as condições da linha: pressão e temperatura máximas, material em contato com o fluido, diâmetro e espaço para trechos retos.

Se houver atmosfera explosiva, entra também a classificação da área. Também entra a saída do sinal: 4 a 20 mA, pulsos, comunicação digital ou indicação local.

Quando a leitura precisa ser corrigida por pressão e temperatura, como em gás e vapor, a malha pode incluir um computador de vazão.

Calibração e medição para faturamento

Todo medidor de vazão tem um erro, e a calibração é o que o torna conhecido.

O Vocabulário Internacional de Metrologia, na edição do Inmetro, define calibração como a operação que relaciona as indicações do instrumento aos valores de padrões, com as incertezas associadas.

Certificados rastreáveis são emitidos por laboratórios da Rede Brasileira de Calibração (RBC), acreditados segundo a ABNT NBR ISO/IEC 17025.

Em petróleo e gás natural, a medição segue regulamento próprio. A Resolução Conjunta ANP/Inmetro nº 1/2013 abrange as medições fiscal, de apropriação, de transferência de custódia e operacional, segundo relatório de análise de impacto regulatório da ANP.

O mesmo documento registra que o regulamento fixa frequências de calibração e verificação rastreáveis ao Inmetro e limites de incerteza. Nesses casos, o tipo de medidor e o sistema de medição dependem de projeto e de aprovação do órgão regulador.

Fora da medição fiscal, a periodicidade de calibração é definida pelo usuário, conforme o uso do dado.

Um medidor que apura consumo entre áreas, dosa produto ou alimenta relatório ambiental tem impacto maior quando erra do que um usado só para indicação local.

O intervalo de calibração deve refletir essa diferença. Peça na cotação se o medidor sai de fábrica com certificado e em quantos pontos da faixa foi calibrado.

Leve à cotação o fluido, a faixa e o uso da medição

Antes de cotar, reúna o nome do fluido e suas propriedades: densidade, viscosidade, condutividade e presença de sólidos ou bolhas.

Acrescente a vazão mínima, normal e máxima, a pressão e a temperatura de operação, o diâmetro e o material da tubulação e o espaço disponível para trechos retos.

Informe também a saída de sinal desejada e se a medição será usada para controle, totalização ou faturamento.

Com essas informações, você pode comparar fornecedores de medidor de vazão na Soluções Industriais e pedir orçamento a vários deles ao mesmo tempo, com a mesma especificação.

A plataforma, que reúne mais de 50 mil fornecedores, também tem empresas de sensor de vazão, placa de orifício, tubo Venturi e computador de vazão.

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