A parafina para vela é uma cera derivada do petróleo, comercializada em diferentes graus conforme sua faixa de temperatura de fusão, expressa em Fahrenheit (°F).
Na fabricação, predominam as versões macrocristalinas de 130/135 °F a 150/155 °F, cuja escolha deve considerar o formato da vela, o acabamento desejado e a temperatura de operação da máquina.
Antes de solicitar um orçamento, é importante definir o grau necessário, pois produtos com características distintas podem apresentar preços diferentes e comprometer a comparação entre fornecedores.
Também é preciso distinguir a parafina utilizada na produção em série daquela em gel, destinada principalmente a velas decorativas e com comportamento diferente durante a moldagem.
Macrocristalina e microcristalina: a diferença está no cristal
As parafinas derivadas do petróleo são divididas em dois grupos principais, que se diferenciam pelo tamanho dos cristais, pela composição molecular e pela temperatura de fusão.
Segundo um artigo do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), publicado em 2006, a parafina macrocristalina apresenta cristais maiores e bem definidos, é branca, inodora e insípida, além de possuir uma faixa de fusão entre 30 e 70 °C.
Já a microcristalina possui cristais menores e compostos de maior peso molecular, com temperaturas de fusão entre 60 e 90 °C. Sua obtenção ocorre por extração com solvente dos resíduos da destilação do petróleo.
Essa diferença também aparece na classificação comercial da Petrobras, principal produtora nacional. A empresa oferece parafinas macrocristalinas nos graus 120/125, 130/135, 137/142 e 150/155 °F, enquanto a microcristalina é comercializada no grau 170/190 °F.
Na fabricação de velas em série, predominam as versões macrocristalinas. As microcristalinas são utilizadas em outras aplicações industriais, como isolantes elétricos, ceras de polimento e revestimentos de frutas e queijos, conforme os dados da Firjan apresentados na próxima seção.
A Petrobras comercializa a matéria-prima exclusivamente a granel, e cabe às distribuidoras dividir o produto em embalagens menores para atender às necessidades de cada indústria.
Os graus de parafina e o uso de cada um
A nota técnica da Firjan sobre o mercado de parafina, publicada em agosto de 2021, reúne os principais graus comercializados no Brasil, seus teores máximos de óleo e as respectivas aplicações industriais.
O teor de óleo corresponde à quantidade dessa substância que permanece na parafina após o processo de refino.
A tabela apresenta os dados da publicação, com as faixas de fusão convertidas para graus Celsius:
| Grau (°F) | Faixa de fusão (°C) | Teor máximo de óleo | Aplicações citadas pela Firjan |
|---|---|---|---|
| 120/125 | 48,9 a 51,7 | 3% | Fósforos, curtumes, emulsões e artefatos de borracha |
| 130/135 | 54,4 a 57,2 | 1% | Velas, parafinação de papéis, artefatos de borracha e ceras em gel |
| 140/145 | 60,0 a 62,8 | 1% e 2% | Velas, impermeabilização de papéis, embalagens e lonas |
| 150/155 | 65,6 a 68,3 | 1,7% | Velas, impermeabilização de papéis e embalagens, pneus e borracha |
| 170/195 | 76,7 a 90,6 | 1% | Isolantes elétricos, polidores e ceras, revestimento de frutas e queijos |
Entre os graus apresentados, três são associados diretamente à fabricação de velas: 130/135, 140/145 e 150/155 °F.
A publicação também menciona a parafina plus, utilizada no banho final de velas artesanais para proporcionar uma aparência aveludada, além da parafina em gel, empregada em modelos decorativos por sua maior facilidade de derretimento.
Vale observar que a Firjan apresenta a parafina microcristalina no grau 170/195 °F, enquanto a Petrobras informa 170/190 °F.
Por isso, ao comprar a matéria-prima, confira a faixa de fusão indicada no boletim de análise do fornecedor, em vez de considerar apenas a identificação comercial.
Qual a melhor parafina para fazer velas?
Não existe um grau único melhor para todas as velas: os graus 130/135, 140/145 e 150/155 °F são os indicados para velas, segundo a Firjan.
A escolha entre eles depende do formato, do tempo de queima esperado e da temperatura que a máquina mantém no reservatório. O ponto de partida é a recomendação do fabricante do equipamento.
Uma vela de maço, fina e comprida, e uma vela de 7 dias, mais grossa e com queima prolongada, se comportam de forma diferente no resfriamento e na queima.
Por isso, quem fabrica mais de um formato deve testar o grau escolhido em cada um deles antes de fechar um contrato de fornecimento de volume. As diferenças entre esses formatos estão no texto sobre tipos de vela.
A utilização de cores e aromas também merece atenção, pois essas características devem ser compatíveis com as condições de fabricação.
A Imavel, fabricante de máquinas para velas de São Paulo (SP), informa que sua máquina para velas de 7 dias permite trabalhar com parafinas de diferentes cores e fragrâncias, graças ao reservatório aquecido incorporado ao equipamento.
Antes de alterar a matéria-prima utilizada, confirme com o fabricante da máquina a faixa de temperatura suportada pelo termostato, para verificar a compatibilidade com o novo grau.

A temperatura de trabalho depende da máquina
O grau da parafina e as características do equipamento precisam ser avaliados em conjunto, pois a matéria-prima deve permanecer líquida no reservatório, sem superaquecimento, e solidificar nas formas dentro de um intervalo compatível com o ciclo de produção.
Nas máquinas da Imavel, o aquecimento é elétrico e controlado por termostato, enquanto a transferência da parafina para as formas ocorre por meio da abertura de um registro, conforme a descrição do derretedor de parafina apresentada pelo fabricante.
Esse sistema dispensa o uso de fogão, tacho e transferência manual da parafina quente, etapas associadas a maior risco de queimaduras na fabricação artesanal.
Ao comparar propostas de máquina de velas, pergunte qual é a faixa de temperatura de operação do termostato e se o fabricante já realizou testes com o grau de parafina que você pretende utilizar.
Essas informações ajudam a verificar se o equipamento atende às necessidades da produção antes da compra.
Abastecimento: tenha mais de um fornecedor de parafina
A oferta de parafina no Brasil é concentrada. A nota técnica da Firjan aponta que a produção nacional esteve historicamente quase toda na Petrobras.
Só duas refinarias da empresa tinham configuração para produzir parafina: a REDUC, no Rio de Janeiro, e a RLAM, na Bahia.
Com a redução da produção local em 2020, as importações de parafina cresceram 333% em relação ao ano anterior.
Para quem fabrica velas, isso tem efeito direto sobre o custo. Segundo dados da Associação Brasileira de Fabricantes de Velas (ABRAFAVE) reunidos pela Firjan, a parafina representa mais de 90% do custo com insumos.
Manter dois fornecedores qualificados para o mesmo grau reduz o risco de parar a produção por falta de matéria-prima ou de aceitar um grau diferente às pressas.
O que pedir ao fornecedor de parafina e ao da máquina
Na cotação de parafina, informe o grau em °F, o teor máximo de óleo aceito, o volume mensal, a forma de entrega e o município. Peça o boletim de análise do lote, que confirma a faixa de fusão real.
Use o mesmo pedido para todos os fornecedores, de modo que as propostas cubram o mesmo produto.
Com o grau definido, a máquina precisa ser escolhida para trabalhar com ele. O texto sobre fabricação de velas mostra as etapas da produção.
No Soluções Industriais, você pode comparar fornecedores de máquina de velas e pedir orçamento a vários fabricantes ao mesmo tempo.