A ABNT NBR 17150 é a norma brasileira para o projeto de porta-paletes, publicada em março de 2024 em duas partes.
A Parte 1 trata do projeto estrutural e do cálculo, enquanto a Parte 2 estabelece tolerâncias, deformações e folgas.
Ela substituiu a ABNT NBR 15524 e deve ser considerada na compra de estruturas novas. Por isso, peça que o projeto siga as duas partes da NBR 17150.
O equívoco mais comum é tratar a norma como um selo de certificação do produto. A NBR 17150 não certifica uma estrutura de catálogo, mas estabelece critérios para seu projeto, montagem e manutenção.
Esses critérios devem considerar as cargas e as condições do galpão onde a estrutura será instalada.
Uma proposta que informa apenas conformidade com normas da ABNT, sem citar o número, não permite identificar os critérios utilizados.
O que é a NBR 17150?
A NBR 17150 é o conjunto de duas normas da ABNT para estrutura de armazenagem estática tipo porta-paletes, ambas de março de 2024.
A ABNT NBR 17150-1:2024 estabelece os requisitos de projeto estrutural, especificação e cálculo, e a ABNT NBR 17150-2:2024 trata de tolerâncias, deformações e folgas.
Segundo o escopo publicado, a Parte 1 se aplica a porta-paletes de aço com longarinas fixadas por conectores de encaixe.
Essas estruturas armazenam unidades de carga sujeitas a esforços predominantemente estáticos.
Por sua vez, a Parte 2 cobre as folgas e tolerâncias de produção, montagem e prumo, o deslocamento da estrutura carregada e a interação com o piso.
As estruturas em que a empilhadeira entra nos túneis, como o drive-in, seguem outra norma, a ABNT NBR 17191:2024, como mostra o post sobre os tipos de porta-palete.
A NBR 15524 foi substituída: confira a norma citada no orçamento
Até março de 2024, os projetos de porta-paletes seguiam a ABNT NBR 15524, dividida em partes 1 e 2.
O catálogo do comitê de sistemas de armazenagem da ABNT identifica a NBR 15524-2 e a Parte 1 como substituídas.
O manual de boas práticas da Associação Brasileira dos Atacarejos (ABAAS) registra que a NBR 17150 resultou de uma comissão especial. Os trabalhos dessa comissão ocorreram entre 2017 e 2023.
Para quem compra porta-palete, essa mudança exige atenção à norma citada na proposta.
Orçamentos ou memoriais de cálculo emitidos após março de 2024 que adotem a NBR 15524 como referência estão desatualizados. Nesses casos, peça a revisão do documento conforme a NBR 17150.
Nas estruturas antigas, projetadas pela norma anterior, a substituição não exige a troca automática do porta-palete.
Entretanto, ampliações e reformas devem ser calculadas conforme os requisitos da NBR 17150.
Parte 1: projeto estrutural e capacidade de carga
A NBR 17150-1 estabelece os critérios utilizados para calcular a capacidade de carga das estruturas tipo porta-paletes.
O dimensionamento considera os perfis de montantes e longarinas, os contraventamentos, as ligações e as imperfeições de montagem.
Segundo o manual da ABAAS, a norma exige considerar uma vida útil projetada de pelo menos dez anos.
Esse período entra no cálculo da capacidade estrutural, mas não representa uma garantia de durabilidade do equipamento.
O manual também apresenta dois requisitos que o comprador pode conferir na entrega da estrutura.
Cada longarina deve possuir duas travas de segurança, uma em cada conector, enquanto os montantes precisam estar fixados no piso.
O documento ainda recomenda a entrega do projeto e do memorial de cálculo detalhado, com os parâmetros utilizados no dimensionamento.
Na prática, peça o projeto e o memorial assinados por engenheiro, acompanhados da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Esse registro é exigido para serviços de engenharia pela Lei nº 6.496/1977.
A capacidade por nível definida no projeto deve constar na placa de carga utilizada durante a operação.
Parte 2: prumo, deformações e piso
A ABNT NBR 17150-2:2024 estabelece tolerâncias de prumo da estrutura e limites de deformação das longarinas sob carga. Também define critérios relacionados ao comportamento do piso.
Para porta-paletes classe 400, a norma estabelece tolerância de desaprumo de H/350 na montagem, com a estrutura descarregada. Essa relação também aparece no manual da ABAAS.
Em um porta-palete de 7 m, por exemplo, a divisão da altura por 350 resulta em uma tolerância de 20 mm.
O piso também precisa ser avaliado, pois recebe cargas concentradas transmitidas pelos montantes da estrutura.
O manual da ABAAS recomenda verificar o nivelamento, a resistência e a espessura do piso antes da montagem.
A fixação por chumbadores deve seguir as especificações do projeto e considerar as características do concreto.
A NR-11 reforça essa preocupação no item 11.3.1, que limita o peso armazenado à capacidade de carga calculada para o piso.
Quando não existe documentação técnica suficiente sobre o piso, sua capacidade deve ser avaliada antes da instalação.
As hipóteses adotadas no projeto precisam ser fundamentadas e validadas pelo responsável técnico.

Protetor de coluna e placa de carga são exigências de uso
Segundo o manual da ABAAS, a NBR 17150 pede protetor de coluna com altura mínima de 400 mm nas colunas de esquina dos corredores.
O protetor deve absorver pelo menos 400 N·m de energia, em qualquer direção, entre 0,10 m e 0,40 m de altura.
O manual apresenta duas exceções previstas na norma para a instalação dos protetores.
A primeira envolve estruturas operadas por equipamentos guiados mecanicamente, que dispensam essa proteção.
A segunda permite que o projeto considere a resistência da estrutura à perda da parte inferior de uma coluna.
Fora desses casos, o protetor deve constar no orçamento como item obrigatório, e não como acessório opcional.
A identificação de carga completa a proteção. O manual recomenda placa com a carga máxima por nível e aviso visual nas longarinas, além de corredores sinalizados com faixas amarelas ou brancas.
Na operação, três cuidados são obrigatórios: respeitar a carga por nível do projeto, não remover longarinas nem travas e retirar de uso o montante batido até a avaliação.
Como inspecionar porta-palete?
A inspeção de porta-palete combina vistorias internas frequentes e avaliações periódicas feitas por profissionais especializados.
O manual da ABAAS recomenda inspeções para verificar a verticalidade e os danos visíveis, além de avaliações técnicas anuais.
Os ensaios não destrutivos devem seguir um plano de inspeção definido pelo responsável técnico.
Após colisões fortes ou outros eventos graves, também deve ocorrer uma inspeção extraordinária para avaliar possíveis danos.
Para medir deformações, o manual descreve o uso de uma régua de 1,0 m, posicionada no lado côncavo da peça.
A deformação é medida no ponto de maior afastamento entre a régua e a peça, conforme três níveis de risco:
| Nível | Deformação medida | O que fazer | ||
|---|---|---|---|---|
| Verde |
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| Âmbar |
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| Vermelho |
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O mesmo manual informa que a NBR 17150 prevê a nomeação de um responsável pela segurança das estruturas na empresa usuária.
Esse profissional organiza as inspeções, registra os danos encontrados e encaminha as situações que exigem avaliação especializada.
Já a definição dos reparos estruturais e a liberação técnica da estrutura para uso devem contar com a avaliação de um profissional habilitado.
O que pedir ao fornecedor de porta-palete
Ao solicitar um orçamento, peça que a proposta apresente os requisitos de projeto, capacidade de carga e segurança previstos na norma.
Para comparar as estruturas, confirme que todos os fornecedores consideraram as mesmas condições de uso e os seguintes documentos:
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Projeto e memorial de cálculo: solicite os documentos conforme a NBR 17150-1 e a NBR 17150-2, acompanhados da ART;
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Capacidade de carga: peça os valores por nível e por módulo, além da altura de cada nível;
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Dispositivos de segurança: confirme as travas em todas as longarinas e os protetores de coluna nos corredores;
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Identificação e manutenção: solicite a placa de carga e o guia de uso e manutenção;
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Condições do piso: peça a indicação dos parâmetros adotados no cálculo e do tipo de chumbador previsto.
A Montiaço, fabricante que anuncia no Soluções Industriais, informa que fabrica e monta porta-paletes conforme normas da ABNT.
A ficha do porta-paletes apresenta capacidade de até 3.000 kg por nível. Ao solicitar a proposta, confirme o número da norma adotada e a capacidade prevista para o projeto.
Para entender os critérios de escolha da estrutura, consulte o guia sobre o que é porta-palete.
Com essas informações, peça orçamento de porta-palete a vários fornecedores no Soluções Industriais e compare as propostas pelos mesmos critérios.
Em projetos que envolvem segurança estrutural, a decisão final deve seguir a versão vigente da norma e passar por engenheiro habilitado.