Diferença entre porcelanato e cerâmica: como escolher

Porcelanato absorve até 0,5% de água; a cerâmica comum, mais. Veja a diferença, o que diz a ABNT NBR ISO 13006 e o que pedir ao fornecedor.
Porcelanato e cerâmica oferecem diferentes opções de acabamentos, texturas e padrões para revestimentos de pisos e paredes.

A diferença entre porcelanato e cerâmica está na capacidade de absorção de água, característica que influencia a densidade, a resistência e as possibilidades de aplicação de cada material.

Enquanto o porcelanato absorve até 0,5% do próprio peso em água, a cerâmica convencional apresenta índices superiores e, geralmente, preços mais acessíveis.

Apesar dessa distinção, ambos pertencem à mesma categoria de placas cerâmicas, produzidas a partir de argila e outros minerais submetidos a altas temperaturas.

O que os diferencia é o grau de vitrificação alcançado durante a fabricação, responsável por determinar a porosidade do produto. Por isso, a escolha não deve se limitar à aparência ou à identificação comercial da embalagem.

É necessário avaliar características como absorção de água, resistência ao desgaste e compatibilidade com o ambiente, informações que precisam constar na ficha técnica apresentada pelo fabricante.

Qual a diferença entre porcelanato e cerâmica?

O principal critério utilizado para diferenciar porcelanato e cerâmica é o coeficiente de absorção de água, parâmetro que permite classificar as placas conforme suas propriedades físicas.

A ABNT NBR ISO 13006:2020 estabelece as definições, categorias e exigências de identificação desses produtos, reunindo disposições que anteriormente estavam distribuídas entre diferentes documentos técnicos.

Entre as normas incorporadas nesse processo está a ABNT NBR 15463, específica para porcelanato e substituída em dezembro de 2020.

Pela classificação da NBR ISO 13006, o porcelanato corresponde a uma placa totalmente vitrificada, cuja absorção de água não ultrapassa 0,5%.

Essa característica está diretamente relacionada à estrutura interna do material e interfere em propriedades como resistência mecânica e aderência à argamassa.

Um estudo sobre patologias de pisos cerâmicos publicado em 2019 na Revista Boletim do Gerenciamento, do NPPG da UFRJ explica que placas mais porosas tendem a apresentar maior aderência à argamassa, embora tenham menor resistência mecânica.

Em contrapartida, materiais com estrutura mais densa oferecem maior resistência, mas exigem argamassas com capacidade superior de aderência química.

A relação entre absorção de água e resistência mecânica pode ser observada na classificação apresentada no mesmo estudo:

Tipo de placa Absorção de água Resistência mecânica
Porcelanato 0 a 0,5% Alta
Grês 0,5% a 3% Alta
Semigrês 3% a 6% Média
Semiporoso 6% a 10% Baixa
Poroso Acima de 10% Baixa

Na prática, o que se chama de “cerâmica” no varejo costuma ser uma placa dos grupos semigrês, semiporoso ou poroso.

A faixa de absorção é o primeiro dado a pedir ao fornecedor, porque dela dependem o local de uso, a argamassa e o comportamento da peça ao longo dos anos.

Como identificar se é porcelanato ou cerâmica?

A maneira mais confiável de identificar um porcelanato é consultar a embalagem ou a ficha técnica do fabricante, documentos que apresentam as características exigidas pela ABNT NBR ISO 13006.

Entre essas informações está o grupo de absorção de água, responsável por indicar a classificação do produto.

Quando o índice é igual ou inferior a 0,5%, a placa se enquadra na categoria dos porcelanatos. Valores superiores correspondem a outros grupos de revestimentos cerâmicos.

A aparência engana. Há placas de cerâmica com acabamento que imita porcelanato polido e porcelanatos esmaltados com aspecto de cerâmica comum.

Por isso, em vez de avaliar a peça a olho, peça ao fornecedor a ficha técnica do lote cotado, com absorção de água, classe de resistência à abrasão e dimensões.

Sem esse documento, dois orçamentos para “porcelanato 60 × 60” podem estar cotando produtos de desempenho diferente.

Assentador confere com nível de bolha o alinhamento de placas cerâmicas recém-assentadas no piso
Conferência do nivelamento durante o assentamento: placas retificadas, com juntas estreitas, evidenciam qualquer desnível da base. Foto: Freepik.

A resistência à abrasão define onde a placa pode ir no piso

Além da absorção de água, a resistência ao desgaste é um dos principais critérios para escolher placas cerâmicas destinadas a pisos, especialmente em ambientes com circulação frequente de pessoas.

Nas peças esmaltadas, essa característica é identificada pela classificação PEI, sigla de Porcelain Enamel Institute, instituição estadunidense responsável pelo desenvolvimento do ensaio.

O estudo da UFRJ explica que o procedimento utiliza um equipamento capaz de provocar desgaste na superfície por meio de esferas de aço e materiais abrasivos, permitindo classificar a resistência em níveis de 0 a 5.

O anexo informativo da NBR ISO 13006 estabelece que placas esmaltadas de classe 0 não são recomendadas para pisos, enquanto as demais categorias apresentam diferentes indicações de uso.

A classificação PEI 1 corresponde ao menor nível de resistência entre as placas indicadas para pisos, sendo adequada para ambientes residenciais onde a circulação ocorre predominantemente com os pés descalços ou chinelos.

Já a PEI 2 atende espaços domésticos com circulação habitual de pessoas calçadas, incluindo salas e dormitórios, mas não é recomendada para cozinhas e entradas, onde o desgaste tende a ser maior.

A PEI 3 apresenta resistência compatível com todas as dependências residenciais, inclusive locais sujeitos à presença moderada de partículas abrasivas, desde que não envolvam areia ou materiais de dureza superior.

Para ambientes com circulação mais intensa, a PEI 4 pode ser utilizada tanto em residências quanto em estabelecimentos comerciais, como restaurantes, churrascarias, lojas, bancos, entradas e espaços de exposição ou atendimento ao público.

No nível mais elevado, a PEI 5 é indicada para pisos residenciais e comerciais submetidos a tráfego muito intenso, incluindo corredores, lanchonetes, restaurantes, estabelecimentos bancários e áreas comerciais com fluxo elevado de pessoas.

Entretanto, essa classificação não se aplica aos porcelanatos não esmaltados, cuja resistência deve ser avaliada por ensaios de abrasão profunda. Nesses casos, o fornecedor precisa apresentar o resultado correspondente.

Outro fator importante é a segurança em áreas sujeitas à presença de água, uma vez que a resistência ao desgaste não determina, isoladamente, o risco de escorregamento.

A ABNT NBR 16919:2020 estabelece o método para determinar o coeficiente de atrito dinâmico das placas cerâmicas utilizadas em pisos.

Em cozinhas industriais, vestiários e acessos externos, esse resultado deve acompanhar a ficha técnica, conforme explicado no artigo sobre piso antiderrapante em áreas molhadas industriais.

O porcelanato exige mais da instalação

A principal desvantagem do porcelanato é exigir mais da instalação: por absorver pouca água, ele adere menos à argamassa comum, e as peças grandes e retificadas evidenciam qualquer desnível da base. Também costuma custar mais que a cerâmica de mesmo formato.

A argamassa é o ponto que mais gera problema. O estudo da UFRJ observa que placas de absorção nula ou quase nula demandam argamassa colante com alta carga de polímeros.

A ABNT NBR 14081-1:2012 classifica as argamassas colantes industrializadas em tipos, descritos no documento técnico do PBQP-H, programa de qualidade da construção do governo federal.

A AC I atende revestimentos internos comuns, e a AC II suporta pisos e paredes internos e externos sujeitos a variações de temperatura e umidade. A AC III tem aderência superior às duas. A embalagem da argamassa informa para quais placas ela é indicada; confira se o porcelanato está entre elas.

O formato também tem efeito sobre o custo. Placas retificadas, que segundo a NBR ISO 13006 passam por acabamento mecânico preciso das bordas depois da queima, permitem juntas mais estreitas, mas pedem base plana e assentador experiente.

Em reformas sobre piso existente, essas exigências pesam ainda mais, como explica o post sobre piso sobre piso e reforma sem quebrar.

Porcelanato ou cerâmica: a escolha depende do ambiente

O porcelanato pode ser vantajoso onde há tráfego intenso, exposição a água ou necessidade de peças grandes com juntas finas: lojas, recepções, áreas externas e pisos de escritório.

Nesses casos, o custo maior da placa e da argamassa é compensado pela menor necessidade de troca, como mostra o post sobre pisos duráveis em escritórios e redução de custos com reformas.

Já a cerâmica de maior absorção atende bem paredes internas e pisos de baixo tráfego, com custo menor e assentamento mais simples.

Há ainda materiais de outras naturezas, como pedra, vinílico, madeira e revestimentos cimentícios em camada fina. Para compará-los, veja o guia de tipos de revestimento e como escolher para cada ambiente.

O que pedir ao fornecedor na cotação

Orçamentos de placas cerâmicas só são comparáveis quando descrevem o mesmo produto. Antes de pedir preço a fornecedores de revestimento, informe o ambiente, a área em metros quadrados e o tipo de tráfego, e peça que cada proposta traga:

  1. Tipo de placa e absorção de água: identificação do produto e seu grupo de classificação conforme a ABNT NBR ISO 13006;

  2. Resistência à abrasão: classe PEI para placas esmaltadas ou resultado do ensaio de abrasão profunda para porcelanatos não esmaltados;

  3. Coeficiente de atrito: informação necessária para avaliar a segurança de pisos instalados em áreas molhadas ou externas;

  4. Dimensões e acabamento: formato, espessura e indicação sobre a presença de bordas retificadas;

  5. Argamassa recomendada: tipo de produto indicado pelo fabricante da placa e rendimento previsto por metro quadrado;

  6. Lote e tonalidade: identificação que permita manter a uniformidade visual entre as diferentes caixas utilizadas na obra.

Com esses dados lado a lado, a diferença de preço passa a ter explicação. Uma proposta mais barata pode estar cotando placa de outro grupo de absorção ou de classe de abrasão menor, o que só aparece depois de alguns meses de uso.

Próximo passo: cotar com a especificação em mãos

A comparação entre porcelanato e cerâmica deve começar pela definição das necessidades do ambiente, seguida da avaliação da absorção de água e da resistência à abrasão exigida para cada aplicação.

Com esses critérios estabelecidos, a análise de preços passa a considerar produtos tecnicamente compatíveis, reduzindo o risco de escolhas baseadas apenas na aparência ou no valor inicial.

No Soluções Industriais, é possível comparar fornecedores de revestimento e solicitar vários orçamentos simultaneamente, utilizando a mesma especificação para consultar empresas de diferentes regiões.

A plataforma reúne mais de 50 mil fornecedores e 250 mil produtos, permitindo avaliar alternativas de placas cerâmicas e porcelanatos em um único processo de cotação.

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