Quanto custa terceirizar limpeza: como o preço se forma

O preço da limpeza terceirizada depende da área, da produtividade por servente, da convenção coletiva e dos insumos. Veja como ler a planilha de custos.
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O custo de terceirizar a limpeza depende do tamanho da área, da produtividade por servente, do piso da convenção coletiva da região, dos adicionais devidos e dos insumos incluídos.

Por isso não existe preço único: o valor mensal é a soma de uma planilha de custos que o comprador pode e deve pedir ao fornecedor.

O erro mais comum é comparar só o valor total de cada proposta. Duas empresas podem apresentar preços para a mesma área, mas com equipes, insumos, equipamentos e supervisão diferentes.

Por isso, sem padronizar os serviços incluídos, a proposta mais barata não representa necessariamente o menor custo.

Quanto custa terceirizar a limpeza?

O preço da terceirização é composto pelo custo da equipe necessária para atender à área, somado aos insumos, tributos e à margem do fornecedor.

Entre esses fatores, o número de profissionais tem o maior peso no valor final. Quatro dos seis módulos da planilha de custos tratam da mão de obra.

Por isso a primeira pergunta não é “quanto custa o metro quadrado”, e sim “quantas pessoas limpam esta área com esta frequência”.

Esse dimensionamento depende de três informações que só o contratante tem: a metragem de cada tipo de ambiente, a frequência exigida (diária, em turnos, só em horário comercial) e o padrão de resultado esperado.

Um escritório de piso frio limpo uma vez por dia exige muito menos gente por metro quadrado do que sanitários de grande circulação ou áreas hospitalares.

Esses ambientes pedem limpeza repetida ao longo do turno e protocolos próprios. Por isso o primeiro passo para receber um orçamento confiável é medir e classificar as áreas antes de pedir preço.

A área e a produtividade definem o tamanho da equipe

Produtividade, no contrato de limpeza, é a área que um servente consegue limpar em uma jornada de oito horas.

O governo federal publica faixas de referência no Anexo VI-B da Instrução Normativa SEGES/MP nº 5/2017, que orienta as contratações de serviços terceirizados da administração pública federal.

A norma vale para órgãos públicos, mas suas faixas são uma referência útil para qualquer comprador conferir se a equipe proposta faz sentido.

A própria instrução, no item 2.1 do anexo, pede que cada órgão use também os parâmetros medidos nos seus contratos anteriores.

Tipo de área (IN SEGES/MP nº 5/2017, Anexo VI-B) Produtividade de referência por servente, jornada de 8 h
Pisos frios e pisos acarpetados (áreas internas) 800 a 1.200 m²
Saguão, hall e salão 1.000 a 1.500 m²
Banheiros 200 a 300 m²
Laboratórios 360 a 450 m²
Áreas hospitalares e assemelhadas 360 a 450 m²
Almoxarifados e galpões 1.500 a 2.500 m²
Pisos pavimentados externos, junto às edificações 1.800 a 2.700 m²

A tabela permite estimar o efetivo necessário com base na metragem e nos índices de produtividade adotados.

Por exemplo, um escritório com 6.000 m² de pisos frios demandaria seis serventes, considerando a produtividade de 1.000 m² por profissional.  Se houver também 500 m² de banheiros, serão necessários mais dois serventes, com base no índice de 250 m² por profissional.

A IN também estabelece a proporção de um encarregado para cada 30 serventes ou fração, prevendo a necessidade de supervisão mesmo em equipes menores.

Caso a proposta apresente um quantitativo inferior ao estimado, a prestadora deverá demonstrar como atenderá à frequência e aos padrões de qualidade definidos no contrato.

Em hospitais, a faixa de 360 a 450 m² ajuda a entender por que a terceirização de limpeza hospitalar custa mais por metro quadrado do que a limpeza administrativa.

Como ler a planilha de custos e formação de preços

A planilha de custos é o documento que mostra de onde sai o preço de cada posto de trabalho.

O modelo do Anexo VII-D da IN nº 5/2017 é o mais conhecido no mercado e organiza o custo mensal de cada empregado em seis módulos:

  1. Composição da remuneração: salário-base e adicionais, como insalubridade, periculosidade e adicional noturno;
  2. Encargos e benefícios: 13º salário, férias e adicional de férias, contribuições previdenciárias e FGTS, transporte e auxílio-refeição;
  3. Provisão para rescisão: aviso prévio indenizado ou trabalhado e a multa do FGTS;
  4. Custo de reposição do profissional ausente: o substituto que cobre férias, faltas legais e o intervalo intrajornada;
  5. Insumos diversos: uniformes, materiais e equipamentos;
  6. Custos indiretos, tributos e lucro: despesas administrativas do fornecedor, impostos sobre o faturamento e margem.

A análise detalhada de cada módulo da planilha permite identificar divergências entre as propostas.

Se uma empresa não incluir o módulo de reposição de profissionais, por exemplo, eventuais ausências poderão deixar postos descobertos ou gerar custos adicionais posteriormente.

Se o módulo de insumos vem zerado, os produtos e as máquinas ficaram por conta do contratante. Ao cotar terceirização de limpeza com vários fornecedores, peça que todos entreguem a planilha no mesmo formato, para que a comparação seja feita linha a linha, e não só pelo total.

O custo de supervisão costuma ficar diluído no último módulo e merece pergunta direta. A RIAN Facilities, empresa de terceirização do Rio de Janeiro fundada em 1956, informa no seu site que mantém supervisão em todos os serviços e um centro de treinamento próprio.

Pergunte a cada proponente se o supervisor e o treinamento estão no preço ou são cobrados à parte: é um item que muda o custo final e a qualidade do serviço.

É mais barato contratar por posto ou por metro quadrado?

Depende do ambiente: em áreas grandes e homogêneas, a cobrança por metro quadrado tende a ser mais eficiente. Em locais que exigem presença contínua, como recepções e sanitários de grande fluxo, o posto fixo é em geral a opção mais adequada.

Os dois modelos partem da mesma planilha; o que muda é a unidade de medida do contrato.

Na contratação por posto, o contratante paga por um número fixo de profissionais por turno, o que facilita a previsão de custos, mas pode gerar ociosidade em áreas menores.

Já no modelo por área, baseado na estimativa de custo por metro quadrado prevista na IN nº 5/2017, a prestadora assume a responsabilidade pelo dimensionamento da equipe, enquanto o contratante fiscaliza a qualidade e os resultados da execução.

Em ambos os modelos, a comparação de preços exige que a produtividade considerada esteja especificada na proposta. Para avaliar o custo-benefício na terceirização de serviços, solicite essa informação a todos os fornecedores.

Convenção coletiva e insalubridade alteram o custo do posto

O salário-base do servente não é negociado entre contratante e fornecedor: ele vem da convenção coletiva de trabalho da categoria de asseio e conservação no município onde o serviço será prestado.

A convenção também fixa benefícios, como vale-refeição e cesta básica, e uma data-base anual, quando os valores são reajustados.

Por isso duas propostas para o mesmo serviço, em cidades diferentes, podem ter custos de mão de obra diferentes sem que nenhuma esteja errada.

A data-base é o motivo pelo qual contratos de limpeza preveem repactuação, a revisão do preço pela variação comprovada dos custos.

O artigo 54 da IN nº 5/2017 estabelece intervalo mínimo de um ano para esse tipo de reajuste nos contratos públicos, e a lógica se repete no setor privado.

Antes de assinar, vale simular o efeito da próxima data-base sobre o contrato inteiro, como explica o post sobre como cláusulas de reajuste afetam os custos de compras empresariais.

O adicional de insalubridade é o outro componente que varia conforme o ambiente. A NR-15, no Anexo 14, trata da insalubridade por agentes biológicos, que alcança atividades em hospitais e a coleta de lixo.

Já a Súmula 448 do Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconhece insalubridade em grau máximo na limpeza de banheiros de uso público ou coletivo de grande circulação.

A aplicação varia conforme o caso e depende de laudo técnico assinado por profissional habilitado, então peça ao fornecedor o laudo que fundamenta a inclusão ou a ausência do adicional na planilha.

Desconfie da proposta muito abaixo das demais

Uma proposta muito abaixo das demais pode indicar falhas na planilha de custos, como equipe insuficiente, salários abaixo do piso coletivo, encargos não provisionados ou insumos excluídos do preço.

Por isso, é fundamental verificar a viabilidade dos valores apresentados. A IN nº 5/2017 classifica como inexequível o preço insuficiente para cobrir os custos da contratação e recomenda, entre as diligências de análise, a verificação dos acordos e das convenções coletivas da categoria.

O comprador privado pode fazer o mesmo: pedir a convenção usada e conferir o salário-base declarado.

O cuidado não é apenas financeiro. Pelo § 5º do artigo 5º-A da Lei nº 6.019/1974, incluído pela Lei nº 13.429/2017, a empresa contratante é subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas do período em que o serviço foi prestado.

Se o fornecedor que cotou abaixo do custo deixar de pagar salários ou encargos, a cobrança pode chegar a quem contratou. As cláusulas e os documentos mensais que reduzem esse risco estão no post sobre o contrato de terceirização de limpeza.

Próximo passo: pedir orçamento com a área medida

Para padronizar as propostas, especifique a metragem de cada tipo de ambiente, a frequência da limpeza, os turnos de execução e o município da prestação do serviço.

Defina também se o preço deve incluir produtos, equipamentos, uniformes e serviços de supervisão. Peça que cada proponente declare a produtividade adotada e envie a planilha de custos no mesmo formato.

Para entender o modelo como um todo, das responsabilidades da contratante às modalidades de contratação, leia o guia sobre como funciona a terceirização da limpeza.

Com essas informações, compare fornecedores de terceirização de limpeza na Soluções Industriais e envie o mesmo pedido a várias empresas de uma vez. A plataforma reúne mais de 50 mil fornecedores e deixa o comprador cotar com todos os da categoria, sem custo, antes de decidir.

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