Infiltração na laje: causas e como resolver

Infiltração na laje vem de ralos, rodapés, trincas e impermeabilização vencida. Veja como achar a origem, o que não resolve e quando refazer o sistema.
Superfície de concreto com manchas escorridas de umidade e um ponto de reboco desagregado

A infiltração na laje ocorre quando a água da chuva atravessa a cobertura e atinge os ambientes internos.

Esse problema pode surgir por falhas na impermeabilização, desgaste dos materiais ou pontos vulneráveis, como ralos, rodapés, juntas e trincas.

Para resolver, primeiro localize a origem; depois decida entre o reparo do ponto e a troca da impermeabilização inteira.

A mancha no teto raramente fica embaixo do defeito. A água corre sobre a laje e por dentro do contrapiso antes de atravessar o concreto, e aparece onde encontra uma fissura ou um ponto mais poroso.

Por isso pintar o teto ou passar um produto só sobre a área da mancha costuma esconder o problema por algumas semanas, sem tratar a causa.

Por que a laje vaza quando chove?

A laje vaza quando a água encontra um caminho pela camada impermeável. Os caminhos mais comuns são arremate mal feito nos ralos ou rodapés, trinca que o sistema não acompanhou, água empoçada por falta de caimento e impermeabilização no fim da vida útil.

Em laje sem impermeabilização, o concreto sozinho não impede a passagem da água. Os pontos singulares concentram a maior parte das falhas.

Ralos, rodapés junto às muretas, soleiras, juntas e passagens de tubulação são os lugares em que a camada impermeável muda de direção ou é interrompida, e é ali que a execução exige reforço.

Um estudo publicado em 2023 na revista PARC, da Unicamp, ouviu projetistas e empresas de impermeabilização.

Entre os cuidados que garantem a estanqueidade das lajes expostas, eles destacaram a eficiência da drenagem e a necessidade de solução específica para cada laje.

A movimentação da estrutura também abre caminho para a água. O guia do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI) explica que sistemas rígidos, como as argamassas, não suportam movimentação e só servem para estruturas não sujeitas a fissuras, enquanto os flexíveis absorvem a fissuração quando bem especificados.

Uma laje de cobertura, que dilata com o sol e contrai à noite, tratada com sistema rígido tende a trincar junto com o concreto. Por fim, há o tempo.

Pela tabela que o mesmo guia reproduz da ABNT NBR 15575-1, a impermeabilização de cobertura sem uso tem vida útil de projeto de 8 a 12 anos; sem manutenção nesse período, a laje está no limite.

Como identificar a origem da infiltração

O diagnóstico começa embaixo e termina em cima. No ambiente de baixo, mapeie as manchas, o mofo, a pintura estufada e os pontos de gotejamento, e anote se aparecem a cada chuva ou só nas mais longas.

Na laje, procure água empoçada horas depois da chuva, ralos entupidos ou com a manta solta, rodapés com a impermeabilização descolada, trincas na proteção e emendas da manta abertas.

O roteiro abaixo organiza a vistoria:

  • Ralos e condutores: desobstrua e veja se a impermeabilização entra no ralo ou termina antes dele;
  • Rodapés e muretas: confira se o sistema sobe pela parede e se está colado ou descolado no topo;
  • Caimento: marque as poças que ficam depois da chuva; elas mostram onde a declividade falha;
  • Trincas e juntas: registre as trincas da proteção mecânica ou do concreto exposto e as juntas sem tratamento;
  • Calhas, rufos e passagens: veja se a água entra pela borda da laje, pelo encontro com o telhado ou pelas tubulações.

Quando a vistoria visual não basta, existem ensaios que localizam a falha sem quebrar o piso. O guia do IBI cita três deles.

A termografia infravermelha identifica diferenças de temperatura causadas pela umidade; o mapeamento por campo elétrico usa a própria água sobre a laje para achar o furo; e os detectores elétricos acusam as falhas na camada.

Em lajes de condomínio e de indústria, com piso por cima, esse diagnóstico evita demolir uma área grande para achar um defeito pequeno.

Nos telhados, a lógica é a mesma, como mostra o post sobre infiltrações em telhados industriais; e quando a água entra pela borda, o problema pode estar na vedação de calhas e rufos.

Colocar cerâmica na laje resolve infiltração?

Não. Cerâmica, rejunte e contrapiso não são camada impermeável: a água passa pelo rejunte e pelas trincas e continua chegando ao concreto.

O piso só funciona como proteção mecânica de uma impermeabilização feita antes dele. A ideia é comum porque a cerâmica parece fechar a superfície.

Na prática, o rejunte é poroso, a dilatação abre fissuras entre as placas e a água que entra fica presa embaixo do piso, sem caminho para sair.

O mesmo vale para a pintura comum sobre a laje e para produtos aplicados só na área da mancha. A tabela abaixo reúne os equívocos mais frequentes.

O que se costuma pensar O que vale
Cerâmica ou piso resolve a infiltração. O piso é proteção mecânica; a camada impermeável tem de estar embaixo dele.
O vazamento está bem em cima da mancha. A água corre pela laje e pelo contrapiso antes de atravessar o concreto; a origem pode estar metros adiante.
Uma demão de impermeabilizante sobre a manta velha resolve. Produto novo sobre sistema descolado ou incompatível não adere; o sistema velho precisa ser avaliado e, em geral, removido.
Impermeabilização dura para sempre. A vida útil de projeto vai de 8 a 12 anos nas coberturas sem uso e de 20 a 30 anos nas que ficam sob piso, com manutenção (NBR 15575-1, pelo guia do IBI).

Com a origem identificada, o comprador passa a ter o que pedir ao aplicador: reparo localizado ou troca do sistema.

Reparo localizado ou nova impermeabilização

O reparo localizado é indicado quando a falha está restrita a um ponto específico e o restante da impermeabilização permanece aderido e dentro da vida útil, como em casos de arremates inadequados em ralos, emendas abertas ou rodapés descolados.

Nesse caso, o aplicador refaz o trecho com o mesmo tipo de sistema, com sobreposição sobre a parte boa, e testa a área com lâmina d’água.

Usar outro material sobre o existente funciona somente se o fabricante indicar a compatibilidade.

A troca completa é o mais indicadp quando há repetição de falhas em múltiplos pontos, quando a manta está ressecada, empolada ou descolada em grandes áreas, ou quando a impermeabilização já passou da vida útil.

Nisso, o serviço inclui a retirada do sistema antigo, a correção do caimento, os arremates e o teste de estanqueidade de no mínimo 72 horas que a ABNT NBR 9574:2008 recomenda, segundo o guia do IBI.

A escolha do sistema novo segue o uso da laje, como explica o post manta asfáltica ou manta líquida: qual usar na laje, e a sequência completa está em como impermeabilizar laje.

Laje de cobertura com manta asfáltica aluminizada aplicada em faixas, com base de caixa d’água no centro
Laje de cobertura refeita com manta asfáltica aluminizada, arrematada em volta da base da caixa d’água. Imagens: Agatux.

Em condomínios, a decisão envolve a área de uso comum e o acesso à cobertura. A Agatux, aplicadora de São Paulo que anuncia na Soluções Industriais, trata esse caso na página de impermeabilização de lajes de condomínio.

Ela atende calhas e rufos, que costumam entrar no mesmo serviço, como mostra a página de impermeabilização de calhas e rufos.

Em terraços com piso, a troca exige demolir o acabamento, e a impermeabilização de terraço tem cotação própria.

Ferrugem, desplacamento e água perto da elétrica pedem engenheiro

A infiltração passa a ser perigosa quando a água chega perto de instalações elétricas, quando aparecem manchas de ferrugem, desplacamento do concreto ou ferragem exposta no teto, e quando o gotejamento é constante.

Nesses casos, isole a área e chame um engenheiro antes de contratar o reparo.

A água é o principal agente de deterioração das construções, e o guia do IBI lembra que a deterioração dos elementos reduz a vida útil e pode levar ao colapso se não for tratada.

A ferrugem que escorre do teto indica que a umidade chegou à armadura do concreto; o desplacamento mostra que a corrosão já está empurrando o concreto para fora.

Nesses casos, o serviço não se limita à impermeabilização: a recuperação estrutural vem antes, com responsável técnico. Perto de quadros e eletrodutos, desligue o circuito afetado e chame um eletricista habilitado.

Próximo passo: cotar com a infiltração descrita

Para receber propostas comparáveis, informe na cotação a área da laje em metros quadrados, o uso (exposta, com piso, garagem) e o sistema que existe hoje, com a idade aproximada.

Para mais, diga onde aparecem as manchas e se surgem a cada chuva. Fotos da laje e do teto ajudam o aplicador a propor reparo ou troca já na primeira visita.

Com essas informações, compare empresas de impermeabilização de laje na Soluções Industriais e envie o mesmo pedido a vários aplicadores de uma vez.

Se a laje vai receber manta asfáltica, também é possível cotar direto a impermeabilização com manta asfáltica; e quem procura imóvel ou cobertura já tratada encontra as opções de laje impermeabilizada.

Em São Paulo e região, a Agatux é uma das empresas de impermeabilização de lajes que recebem pedidos pela plataforma.

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