Chicote industrial é o chicote elétrico montado para máquinas, linhas de produção, painéis de comando e grupos geradores.
Ele conecta motores, sensores, botoeiras e quadros com fios já cortados, crimpados e identificados.
A escolha do chicote industrial depende das condições de operação da máquina, pois fatores como calor, óleo, vibração e movimento determinam a isolação, os conectores e as proteções necessárias.
Por isso, a especificação não deve considerar apenas a bitola dos fios e o tipo de conector, como em aplicações mais simples, mas também as exigências do ambiente industrial.
Em máquinas, o conjunto também precisa atender à NR-12, a norma de segurança em máquinas e equipamentos do Ministério do Trabalho.
Ela trata dos condutores, das ligações e da proteção contra choque e incêndio, e isso muda o que deve constar no pedido.
O que é chicote industrial?
Chicote industrial é o conjunto de condutores, terminais, conectores e proteção feito sob medida para um equipamento de uso industrial.
Sua função é levar energia e sinal entre os componentes da máquina com o roteamento definido em projeto, sem ligações improvisadas na montagem. A diferença em relação a outros chicotes está nas condições de uso.
Uma máquina de linha de produção trabalha em turnos longos, perto de partes móveis, lubrificantes e fontes de calor.
Por isso, o chicote industrial costuma combinar circuitos de potência, que alimentam motores e resistências, com circuitos de comando e sinal, que ligam sensores e controladores.
Os conceitos gerais de componentes e tipos estão no artigo o que é chicote elétrico. Aqui, o foco são as aplicações industriais e as exigências que o comprador precisa levar para a cotação.
Máquinas e linhas de produção usam chicote de comando e de potência
Em máquinas e linhas de montagem, o chicote substitui a fiação feita ponto a ponto. O fabricante da máquina recebe o conjunto pronto, encaixa os conectores e reduz o tempo de montagem de cada unidade.
Quando a máquina é produzida em série, essa padronização também garante que todas as unidades saiam com a mesma ligação.
Por isso, o chicote elétrico para máquinas e painéis é cotado a partir do desenho do circuito ou de uma peça de referência.
Quando a máquina já existe, a amostra do chicote original permite reproduzir conectores, comprimentos e identificação.
Se é um projeto novo, o diagrama elétrico precisa trazer a posição de cada componente na estrutura. Nesse contexto, o comprador deve separar no pedido o que é potência e o que é sinal.
Fios de sinal, de sensores e instrumentação, podem precisar de cabo blindado, que tem uma malha metálica para reduzir a interferência elétrica dos circuitos de potência vizinhos.
Se essa informação não constar no pedido, um fornecedor pode cotar cabo comum e outro, cabo blindado, e as propostas deixam de ser comparáveis.
Painéis e quadros de comando recebem o chicote pronto
O painel elétrico e o quadro de comando concentram os dispositivos que ligam, protegem e controlam a máquina. Neles, o chicote faz a ligação entre o painel e os componentes de campo, como motores, sensores e botoeiras, ou entre os próprios dispositivos internos.
A NR-12 também trata do painel. O item 12.3.5 exige que os quadros de comando e potência tenham, entre outros requisitos, >proteção e identificação dos circuitos e grau de proteção adequado ao ambiente.
Na prática, isso significa pedir ao fornecedor do chicote a identificação de cada via, com anilha ou etiqueta, coerente com o diagrama do painel.
Por isso, quando o painel é feito por terceiros, vale alinhar o fornecedor do chicote com quem faz a montagem de painel elétrico. O diagrama deve ser o mesmo para os dois, com a mesma numeração de bornes e vias.
Geradores e motores pedem proteção contra calor e vibração
Grupos geradores e motores elétricos estão entre as aplicações em que o chicote trabalha em condição mais severa.
Há vibração contínua, temperatura alta perto do motor e, em geradores a diesel, contato possível com combustível e óleo.
O item 12.3.4 da NR-12, detalhado mais abaixo, exige proteção dos condutores justamente contra lubrificantes, combustíveis e calor.
Nesses casos, a isolação e a proteção externa têm na especificação a mesma importância da bitola. Por isso, os fabricantes trabalham com mais de um material de isolação, como PVC e silicone.
A temperatura máxima de cada isolação deve ser confirmada na ficha técnica do cabo usado, e o pedido deve informar a temperatura real do percurso.
Já a fixação do chicote ao longo do percurso evita que a vibração desgaste o fio contra a estrutura. Quem está comprando o gerador de energia completo deve perguntar ao fabricante como o chicote é fixado e protegido.
No caso de quem fabrica ou reforma o equipamento deve informar ao fornecedor do chicote a temperatura do local de passagem e a presença de óleo ou combustível.
O que a NR-12 exige dos condutores da máquina
A NR-12 não define bitola nem tipo de conector, mas estabelece requisitos de segurança que o chicote industrial precisa cumprir.
Os itens abaixo, do >texto oficial da NR-12, são os que mais afetam a especificação.
| Item da NR-12 | O que exige | O que pedir ao fornecedor do chicote |
|---|---|---|
| 12.3.3 | Circuitos em contato com água ou agentes corrosivos com blindagem, estanqueidade, isolamento e aterramento | Conectores vedados e isolação compatível com o produto químico |
| 12.3.4 | Condutores de alimentação com resistência mecânica e proteção contra abrasão, lubrificantes, combustíveis e calor, sem contato com partes móveis ou cantos vivos, de materiais que não propaguem o fogo | Proteção externa (corrugado, manga ou termorretrátil), roteamento e isolação antichama |
| 12.3.6 | Ligações e derivações feitas com dispositivos apropriados, com resistência mecânica e contato elétrico adequado | Terminais crimpados com ferramenta própria e derivações com conector, não emenda manual |
Dessa forma, o item 12.3.4 explica por que o chicote de máquina leva proteção ao longo de todo o percurso.
O item 12.3.6, por sua vez, explica por que a emenda com fita isolante não é uma solução aceitável em máquina. A aplicação desses requisitos ao seu equipamento deve ser avaliada por profissional legalmente habilitado.
Qual o valor de um chicote industrial?
O valor de um chicote industrial depende do número de vias, do comprimento, da bitola, do tipo de conector, da proteção externa e da quantidade do lote. Por ser feito sob medida, não existe preço de tabela; o orçamento sai do desenho ou da amostra.
O lote tem efeito direto sobre o custo unitário, porque o fabricante precisa preparar o gabarito de montagem e conferir a primeira peça.
Conectores importados ou com vedação também elevam o custo, assim como a proteção contra calor. Para comparar propostas, peça a cada fornecedor o preço para a mesma quantidade, com os mesmos conectores e a mesma proteção.
Além do preço, compare o que cada proposta inclui: amostra para aprovação, identificação das vias e teste de continuidade de cada peça.
O artigo sobre fabricação de chicotes elétricos explica essas etapas e o que cada teste verifica. Com a especificação fechada, você pode cotar com os fornecedores de chicote elétrico da plataforma.
Leve o diagrama da máquina para a cotação
Antes de pedir orçamento, reúna o diagrama elétrico, a lista de conectores, o comprimento de cada ramal e a descrição do ambiente: temperatura, óleo, umidade e vibração.
Informe também quais circuitos são de potência e quais são de sinal. Em máquinas, o projeto elétrico e a conformidade com a NR-12 são responsabilidade de profissional habilitado.
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