Ponte rolante é o equipamento de elevação que se desloca sobre trilhos elevados e movimenta a carga em três direções.
Os tipos se dividem pela forma estrutural, que pode ser apoiada ou suspensa, univiga ou dupla viga. A escolha depende da capacidade, do vão e da altura útil disponível.
O erro mais comum é escolher o modelo só pela capacidade, em toneladas. Duas pontes de mesma capacidade podem ter classificações de uso diferentes, conforme o número de ciclos por dia e o peso médio das cargas.
Por isso, a cotação precisa trazer também o regime de trabalho. Esse ponto vem da norma de projeto, tratada mais adiante.
O que é ponte rolante?
A ponte rolante é uma estrutura metálica instalada sobre um caminho de rolamento elevado, que permite transportar cargas ao longo de um galpão por meio de uma talha.
Um trabalho de conclusão de curso de Engenharia Mecânica do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA), publicado em 2021, identifica três componentes essenciais desse equipamento: a viga, a talha e o carro.
Esses elementos permitem realizar três movimentos distintos. A estrutura inteira percorre o comprimento do galpão, movimento conhecido como translação, enquanto o carro se desloca transversalmente sobre a viga. Já a talha é responsável por elevar e baixar a carga.
Como o sistema de movimentação fica acima da área de trabalho, o piso permanece disponível para a instalação de máquinas, armazenamento de materiais e circulação de pessoas e veículos.
A ponte rolante é utilizada em setores como metalurgia, caldeiraria, fundição, manutenção de motores e logística de peças pesadas.
Ponte rolante apoiada e ponte rolante suspensa
A primeira divisão é pela forma de apoio. O Trabalho Acadêmico Integrador do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), de 2017, classifica as pontes em apoiadas e suspensas, e cada uma pode ser univiga ou biviga.
Na apoiada, as cabeceiras correm em cima dos trilhos do caminho de rolamento, sustentados pelas colunas do próprio galpão.
Na suspensa, a ponte corre por baixo do caminho de rolamento, o que, segundo o mesmo trabalho, permite melhor aproveitamento do comprimento do local.
Em geral, ela é usada quando a estrutura do telhado suporta o caminho de rolamento e não há colunas no espaço.
A definição exata varia entre as fontes técnicas, então peça ao fornecedor o desenho com a forma de fixação.
Para quem compra, a pergunta prática é onde o caminho de rolamento vai se apoiar. Se o galpão já tem consoles nos pilares, a apoiada costuma ser o caminho natural.
Se não tem, o fornecedor precisa avaliar com o responsável pela estrutura se ela suporta a ponte suspensa ou se será necessário erguer colunas novas.
Qual a diferença entre ponte rolante univiga e dupla viga?
A ponte univiga tem uma só viga principal no vão, e a dupla viga, também chamada de biviga, tem duas vigas paralelas sobre as cabeceiras.
Segundo o trabalho do IFMG, a viga única limita a capacidade do equipamento. Por isso, a dupla viga é a opção para cargas maiores e vãos mais longos.
A especificação técnica de ponte rolante da Saneago, companhia de saneamento de Goiás, deixa a escolha entre univiga e dupla viga a critério do fabricante, de acordo com a carga de içamento.
É um bom modelo de compra: o comprador define carga, vão e altura, e o fornecedor justifica a configuração no projeto.
A tabela resume as configurações mais comuns. Ela serve como ponto de partida para a conversa com o fornecedor, e não como regra de escolha:
| Tipo | Como é montado | Quando costuma ser indicado |
|---|---|---|
| Univiga apoiada | Uma viga principal sobre cabeceiras que correm em cima do caminho de rolamento | Cargas leves e médias, quando a altura útil sob o telhado é suficiente |
| Univiga aporticada | Viga sobre pernas aporticadas fixadas nas cabeceiras | Pé-direito alto com caminho de rolamento abaixo da altura de elevação necessária |
| Dupla viga (biviga) | Duas vigas paralelas sobre cabeceiras, com o carro correndo por cima delas | Cargas maiores, vãos longos ou uso intenso |
| Suspensa | Ponte que corre por baixo do caminho de rolamento, preso à estrutura do telhado | Galpões sem colunas para apoiar o caminho de rolamento |
| Pórtico rolante | Estrutura com pernas que correm sobre trilhos no piso | Áreas externas e pátios sem estrutura para caminho elevado |
A univiga aporticada é descrita no trabalho da UniFOA, e o pórtico, no do IFMG, que lembra que nele o caminho de rolamento é feito no chão.
Para o pátio externo, compare fornecedores de pórtico rolante. Para linhas de produção com trajeto fixo, a talha pode correr em uma monovia para talha, um trilho único sem ponte.
Componentes da ponte rolante e o que cada um faz
O trabalho do IFMG lista os componentes principais: viga principal, cabeceiras, caminho de rolamento, carro (ou trole) e rodas.
A viga principal é a parte de maior solicitação, explica o trabalho de conclusão do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), de 2022. O maior esforço ocorre quando o carro está no centro do vão.
As cabeceiras são unidas à viga principal e levam os motores, os redutores e as rodas da translação. As rodas têm uma aba lateral, o flange, que impede a saída dos trilhos.
A talha reúne motor, tambor, cabo de aço e gancho. Na ponte rolante com talha elétrica, ela fica montada no carro e faz a elevação.
A especificação da Saneago acrescenta os itens de segurança que o comprador deve exigir, como freios eletromagnéticos, fins de curso nos limites do caminho de rolamento e da elevação e limitador de sobrecarga.
O comando é por botoeira, com parada de emergência. Ao comparar propostas, confirme se cada um desses itens está incluído e se as peças para ponte rolante de reposição são de fácil acesso.
Como a norma classifica a ponte rolante
A ABNT NBR 8400-1:2019 classifica os equipamentos de elevação em grupos e define as cargas a considerar no projeto.
Segundo o trabalho do IFRS, a classificação cruza a classe de utilização, de U0 a U9, pelo número de ciclos ao longo da vida útil, com a classe de espectro de carga. Esta indica com que frequência o equipamento trabalha perto da capacidade máxima.
O resultado é um grupo de A1 a A8. A tabela de exemplos da norma reproduzida no trabalho coloca o guindaste giratório com gancho nos grupos A2 a A3.
Já os equipamentos de carregamento de fundição, com garra ou eletroímã, ficam entre A6 e A8. Quanto maior o grupo, mais robustos precisam ser estrutura e mecanismos para a mesma capacidade.
Por isso, informe na cotação quantas operações por hora e por turno a ponte fará e qual é o peso médio das cargas, e não só o peso máximo.
Com esses dados, o fornecedor define o grupo, e as propostas passam a ser comparáveis. Em projeto e instalação, a especificação final cabe a profissional legalmente habilitado.
Leve capacidade, vão e regime de uso para a cotação
Antes de pedir orçamento, reúna a capacidade máxima, o vão entre os trilhos, a altura útil de elevação, o comprimento do caminho de rolamento, o tipo de comando desejado e o regime de uso.
Informe também se o galpão já tem caminho de rolamento ou consoles nos pilares. Com esses dados, os fornecedores cotam o mesmo equipamento.
O Soluções Industriais reúne mais de 50 mil fornecedores cadastrados. Na plataforma, você pode comparar fornecedores de ponte rolante e de talha elétrica e pedir orçamento a vários deles ao mesmo tempo.
Depois da compra, os cuidados com o equipamento estão no artigo sobre manutenção preventiva de ponte rolante, e a liberação para uso, no artigo sobre teste de carga em ponte rolante.
Romário Martins · Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends
Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transformar o cenário de mais de 20.000 empresas.