Manutenção preventiva de ponte rolante: como montar o plano e definir a periodicidade

Veja o que a NR-12 exige da manutenção preventiva de ponte rolante, quais componentes mais falham, como definir a periodicidade e o que pedir no contrato.
Técnico realiza manutenção em ponte rolante industrial, com inspeção dos componentes do sistema de elevação para garantir a segurança e o funcionamento do equipamento.

Manutenção preventiva de ponte rolante é o conjunto de inspeções, ajustes, lubrificações e trocas feitas em intervalos definidos, antes da falha.

A NR-12 exige que ela siga a periodicidade do fabricante ou de profissional habilitado, com cronograma e registro.

A frequência certa depende do uso: uma ponte de fundição pede mais intervenções do que uma de almoxarifado, por exemplo.

Por isso, definir o plano de manutenção apenas pelo porte da estrutura pode resultar em procedimentos incompatíveis com as necessidades reais da operação.

Um estudo apresentado no Congresso Nacional de Engenharia Mecânica identificou que a ausência de critérios relacionados à frequência de uso e à severidade do trabalho provocava intervenções excessivas em algumas pontes e insuficientes em outras.

Nesse contexto, a elaboração de um plano adequado deve considerar o histórico de falhas e o regime operacional de cada equipamento, para estabelecer procedimentos e intervalos compatíveis com suas condições de funcionamento.

O que é manutenção preventiva de ponte rolante?

Manutenção preventiva é um serviço realizado em intervalos predeterminados, ou de acordo com critérios prescritos, destinada a reduzir a probabilidade de falha ou a degradação do funcionamento de um item.

A definição é da ABNT NBR 5462:1994, reproduzida no material da disciplina de gestão da manutenção da Escola de Engenharia de Lorena da USP.

O mesmo material descreve outros dois tipos: a corretiva, que recupera o equipamento depois da falha, e a preditiva, que refere-se ao monitoramento e à inspeção para avaliar indicadores de qualidade e desempenho do equipamento.

Na ponte rolante, os três convivem: a preditiva indica o momento da troca, a preventiva cuida do que tem desgaste previsível e a corretiva fica para o imprevisto.

O material da USP observa ainda que a preventiva é mais eficaz quando a taxa de falha está associada à idade do equipamento.

Na ponte rolante, isso vale para itens que se desgastam com o uso, como a lona de freio, o cabo de aço e a graxa dos rolamentos. Para os demais, a inspeção e o monitoramento indicam o momento da intervenção.

O que a NR-12 exige da manutenção

A NR-12 determina, no item 12.11.1, que máquinas e equipamentos passem por manutenção na forma e na periodicidade definidas pelo fabricante ou por profissional habilitado.

O item 12.11.2.2 acrescenta que a preventiva de itens que influenciam na segurança precisa ter cronograma de execução.

Cada intervenção deve ser registrada em livro, ficha ou sistema, com data, serviço realizado, peças substituídas, condições de segurança e nome do responsável (item 12.11.2).

Além disso, o trabalho é feito com o equipamento parado e as fontes de energia bloqueadas e sinalizadas (item 12.11.3). A NR-11 reforça a inspeção permanente de cabos, correntes, roldanas e ganchos.

Na prática, o cronograma e o registro são o que a fiscalização pede primeiro. Se a manutenção de ponte rolante industrial é terceirizada, exija que o prestador entregue o registro de cada visita no formato da NR-12. Peça também que ele assine o cronograma anual junto com a empresa.

Os componentes que mais falham na ponte rolante

O histórico de manutenção de equipamentos industriais permite identificar quais componentes apresentam maior frequência de falhas e quais exigem atenção especial nos planos preventivos.

A dissertação de mestrado “Programa de inspeção para ponte rolante baseado em risco”, desenvolvida por Alexsandro Barbosa Silva na PUC-Rio, em 2004, analisou os registros de manutenção de 20 pontes rolantes utilizadas em uma fundição.

O levantamento considerou ocorrências entre janeiro de 1995 e junho de 2002 e identificou cinco componentes críticos, as rodas motrizes e os eixos motrizes da translação, o motorredutor da translação, o cabo de aço da elevação e o guincho.

Segundo a dissertação, a falta de lubrificação é uma das principais causas do desgaste dos flanges das rodas e dos trilhos.

O estudo do Congresso Nacional de Engenharia Mecânica (CONEM 2010), feito por pesquisadores da Escola Politécnica da USP, analisou uma ponte de 30 t de fundição.

Nela, a falha do redutor da translação respondeu por 46% do tempo de reparo de 2008, e o fim de curso da elevação foi a falha mais frequente: 10 de 47.

A tabela reúne o que essas fontes apontam para cada componente e o que deve entrar no roteiro preventivo:

Componente Falha típica apontada nas fontes O que o plano deve prever
Rodas e trilhos da translação Desgaste do flange por falta de lubrificação e desalinhamento dos trilhos Inspeção de desgaste e trincas, lubrificação e conferência do alinhamento
Redutor e motorredutor Falha do redutor da translação, com longo tempo de reparo Nível e troca de óleo, vazamentos, ruído e vibração
Freios Freio desregulado ou que não atua, por desgaste da lona ou do disco Regulagem e medição do desgaste da lona
Fim de curso Falha frequente no limite da elevação Teste funcional em cada inspeção
Cabo de aço e tambor Desgaste do cabo e dos canais do tambor, cabo fora da roldana Inspeção visual e interna, lubrificação, conferência do enrolamento
Acoplamentos Desgaste dos elementos flexíveis Inspeção e troca planejada

Com que frequência fazer a manutenção preventiva?

Não existe uma periodicidade única para manutenção preventiva de ponte rolante: ela é definida pelo fabricante ou por profissional habilitado, conforme o uso e a severidade da operação.

Os estudos de caso brasileiros mostram intervalos bem diferentes, de verificações mensais em fundição a planos com intervenção detalhada a cada 180 dias.

No caso do CONEM, as pontes de fundição tinham três intervenções preventivas por ano, e as de menor solicitação, duas. Os cabos de aço da fundição passavam por 6 a 9 inspeções anuais.

Depois da análise de confiabilidade, o fim de curso da elevação principal passou a ser verificado todo mês, e o da auxiliar, a cada dois meses. Os redutores da translação e os acoplamentos ficaram com intervalo anual.

Já o trabalho de conclusão de curso do IFMG (2023), sobre uma ponte biviga de 2 t numa refinaria de alumina, definiu 180 dias para trocas e verificações detalhadas. O checklist operacional é feito toda vez que o operador vai usar a ponte.

A dissertação da PUC-Rio registra outro problema: inspeção prevista a cada 30 dias e não cumprida nos picos de produção.

O checklist do operador reduz as chamadas de emergência

A inspeção de início de turno é a parte mais barata do plano. No estudo do CONEM, todos os operadores passaram a preencher uma ficha antes de cada turno, verificando cabos, freios, fins de curso e sinalização.

As chamadas emergenciais nas 83 pontes da fábrica caíram de 20 para cerca de uma por semana.

O mesmo estudo registra que o programa de treinamento dos operadores reduziu em 70% as paradas causadas por erro humano. Ou seja, o plano de manutenção não é só da equipe técnica.

Inclua no contrato o treinamento do operador para o checklist e defina quem recebe e trata cada item reprovado.

No TCC do IFMG, a regra é direta: a ponte não pode ser usada se qualquer resposta do checklist for “não”.

Essa regra precisa estar escrita no procedimento e ser conhecida pela produção. Assim, a pressão por prazo não libera um equipamento com freio ou fim de curso falhando.

Leve o histórico da ponte para cotar o contrato

Antes de solicitar um orçamento de manutenção, reúna as informações técnicas e operacionais de cada ponte rolante, como capacidade de carga, vão, ano de fabricação e regime de utilização.

Também é importante apresentar o histórico das últimas intervenções e identificar os componentes que registraram falhas com maior frequência.

Com esses dados, os prestadores podem avaliar as necessidades do equipamento e propor um cronograma compatível com as condições de uso.

O contrato deve especificar os serviços de manutenção preventiva, o cronograma de execução, o atendimento corretivo, o fornecimento de peças e a documentação exigida pela NR-12.

Também deve esclarecer a responsabilidade pela elaboração dos laudos técnicos e pela emissão da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), quando aplicável.

Nos equipamentos destinados à elevação de cargas, a liberação para operação deve contar com a avaliação de profissional legalmente habilitado.

O Soluções Industriais reúne mais de 50 mil fornecedores cadastrados e permite cotar a manutenção de ponte rolante industrial com diferentes prestadores a partir de uma mesma solicitação.

Para conhecer os principais cuidados com os componentes de elevação, consulte o artigo sobre cabo de aço de ponte rolante.

As características dos diferentes modelos de equipamentos também são apresentadas no conteúdo sobre tipos de ponte rolante.


Romário Martins · Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends

Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transformar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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