Válvula guilhotina deixando passar pó: causas e verificação

Saiba por que a válvula guilhotina deixa passar pó: curso incompleto, vedação gasta, material na guia ou válvula errada, e o que verificar em cada caso.
Operador de capacete laranja e macacão azul trabalha em um equipamento metálico em ambiente industrial

Uma válvula guilhotina deixa passar pó quando a lâmina não completa o curso, quando a vedação está gasta ou quando o material se acumula na guia.

Também acontece quando a válvula foi escolhida para um serviço que não é o dela.

Na maior parte dos casos, a causa aparece numa inspeção da lâmina, da vedação e do acionamento.

O primeiro passo é separar dois sintomas que parecem iguais. Pó que continua caindo com a válvula fechada indica falha no fechamento.

Pó que escapa para fora, pela fresta por onde a lâmina entra no corpo ou pelos flanges, indica falha de vedação externa.

As causas e as correções são diferentes, e registrar qual dos dois acontece poupa tempo na conversa com o fornecedor.

Por que a válvula guilhotina deixa passar pó?

As quatro causas mais frequentes são o curso incompleto da lâmina, o desgaste da vedação, o acúmulo de material na guia e a escolha errada da válvula para o material.

Elas se somam: o material acumulado na guia impede o fechamento total, e a lâmina que não fecha de todo desgasta a vedação mais rápido.

Em aplicações com pós, o problema raramente está na pressão, mas na eficiência da vedação.

Isso porque, em válvulas guilhotina para sólidos a granel, a vedação precisa reter partículas finas, que podem escapar mesmo por pequenas frestas.

A Wamgroup, fabricante italiana, informa que, na sua linha de guilhotinas VL, a borda de vedação fica incorporada ao revestimento de polímero em todo o perímetro.

A linha tem ainda uma entrada de serviço para desviar o material das vedações e dos roletes, justamente para reduzir esse desgaste.

Por isso, antes de trocar a válvula, vale conferir cada causa na ordem em que aparecem a seguir.

Antes de qualquer intervenção, siga o procedimento de bloqueio de energia da empresa: desligue e trave o acionamento, alivie o ar comprimido e confirme que a lâmina não pode se mover.

A lâmina não completa o curso

Se a lâmina para antes do fim, sobra uma fresta por onde o pó continua a cair.

No acionamento pneumático, a falha pode ocorrer quando a pressão do ar está abaixo da indicada, o sensor de fim de curso interrompe o movimento antes da hora ou há vazamento no cilindro.

Já no acionamento manual, o esforço necessário para girar o volante pode levar o operador a interromper o movimento antes do fechamento completo.

Para verificar, feche a válvula com o silo vazio e observe se a lâmina chega ao batente. Depois, repita com material e compare.

Se a lâmina fecha vazia e não fecha cheia, o problema está no material que se acumula na frente dela ou na força do atuador, e não no cilindro.

A comparação entre os tipos de atuador está no post sobre acionamento de válvula guilhotina.

Ao relatar ao fornecedor, informe a pressão de ar medida no ponto, o tipo de comando e se a falha acontece sempre ou só com o silo cheio.

Esses dados mostram se basta regular o sensor ou se é preciso um atuador de maior força.

A vedação está gasta ou danificada

A vedação é a peça que mais se desgasta numa guilhotina para sólidos, porque a lâmina corre sobre ela a cada manobra, com pó entre as superfícies.

Materiais abrasivos, como cimento, areia e minério, aceleram esse desgaste e comprometem a vedação progressivamente.

Nesse caso, o vazamento costuma começar com um pequeno fluxo de pó, que aumenta com o tempo.

Para verificar as condições do componente, retire a válvula de operação e observe se a borda de vedação apresenta cortes, partes faltantes ou endurecimento.

Confira também a lâmina, porque riscos profundos e deformações impedem a vedação mesmo com o elemento novo.

A família de peças que fazem esse trabalho em máquinas e válvulas está no post sobre elementos de vedação.

Peça aos fornecedores de válvula guilhotina as peças de reposição pelo modelo exato da válvula e pergunte qual material de vedação e de lâmina ele indica para o pó em questão.

Em material abrasivo, a escolha de lâmina e corpo revestidos pode ser vantajosa: compara-se o custo maior da válvula com o intervalo maior entre as trocas de vedação.

Trabalhador de capacete branco e colete refletivo consulta um tablet em passarela metálica entre silos industriais
Registrar quando e com qual material a válvula começou a deixar passar pó ajuda o fornecedor a indicar a causa. Foto: Freepik.

O material se acumula na guia da lâmina

Pós úmidos, pegajosos ou que empedram entram na guia por onde a lâmina corre e formam uma crosta.

Com o tempo, essa crosta impede a lâmina de chegar ao fim do curso ou a afasta da vedação.

Isso ocorre, por exemplo, com cimento que absorveu umidade e com açúcar.

A correção começa pela limpeza da guia, com a válvula bloqueada, e segue com a investigação da origem da umidade: respiro do silo sem filtro, condensação ou ar comprimido úmido no transporte pneumático.

No respiro, o filtro de silo retém o pó e evita que ele se espalhe pelo topo; na linha de ar, o secador e os drenos fazem diferença.

Quando o material é naturalmente pegajoso, vale perguntar ao fornecedor se há modelo com lâmina e guia revestidas em polímero de baixo atrito e com entrada de limpeza.

Informe o material, a umidade e a temperatura no ponto.

A válvula foi escolhida para outro serviço

Uma guilhotina feita para pós secos não deve ser usada em líquido, e uma guilhotina usada para regular vazão, meio aberta, desgasta a lâmina e a vedação de forma irregular.

Como explica o post sobre como funciona a válvula guilhotina, ela trabalha só totalmente aberta ou fechada.

Se a função for dosar, o equipamento certo é a válvula rotativa ou a rosca.

Também acontece de a guilhotina ser instalada num ponto com pressão, como a entrada de uma linha de transporte pneumático, sem ter sido especificada para isso.

Nessa situação, o ar empurra o pó pelas frestas. A guilhotina distribuída pela Macvale Brasil é indicada para silos, roscas transportadoras e dutos pneumáticos; informe sempre o ponto exato de montagem para que o fornecedor confirme se o modelo atende.

Se a conclusão for trocar a válvula, aproveite para revisar a especificação inteira: material, posição, medida, acionamento e se a área tem poeira combustível.

A escolha entre guilhotina, borboleta e rotativa na saída do silo está no post sobre válvula para descarga de silo.

Leve o diagnóstico para a cotação

Com a causa identificada, a cotação de peças ou de uma válvula nova fica mais precisa.

Informe o modelo atual, o material que passa pela válvula, o sintoma (pó caindo com a válvula fechada ou escapando para fora), o tipo de acionamento e há quanto tempo a válvula está em operação.

Se o pó estiver se espalhando pelo ambiente, registre também se a área tem poeira combustível, informação que muda a especificação do acionamento.

Com esses dados, compare fornecedores de válvula guilhotina na Soluções Industriais, que reúne mais de 50 mil fornecedores e permite cotar com vários de uma vez.

A equipe da Macvale Brasil, distribuidora autorizada Wamgroup em São José dos Campos (SP), ajuda a dimensionar a válvula certa para cada material e ponto do processo.

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