Acionamento de válvula guilhotina: qual atuador escolher

Compare o acionamento manual, pneumático e elétrico da válvula guilhotina, quando usar cada um e o que muda em área com poeira combustível.
Ilustração em 3D de cilindro de dupla ação em corte, mostrando haste, êmbolo e camisa, sobre fundo cinza claro

A válvula guilhotina pode ser operada por diferentes sistemas, conforme as necessidades da instalação e o nível de automação desejado.

Entre as opções estão o acionamento manual, por volante ou alavanca, o pneumático, por cilindro de ar comprimido, e o elétrico, por motor com redutor.

A escolha depende de quantas vezes a válvula abre e fecha, se ela entra na automação da linha, se há ar comprimido no local e se a área tem poeira combustível.

A válvula em si costuma ser a mesma. O equívoco mais comum é escolher o acionamento pelo preço da válvula.

Uma guilhotina manual num ponto que manobra a cada batelada obriga um operador a subir até o silo várias vezes por turno.

Já uma guilhotina pneumática num ponto que só fecha na manutenção anual acrescenta cilindro, válvula solenoide e linha de ar que ninguém usa.

O ponto de partida é a frequência de manobra.

Qual acionamento escolher para a válvula guilhotina?

O acionamento manual é indicado para manobras pouco frequentes e em locais de fácil acesso, enquanto o pneumático atende operações frequentes em instalações com ar comprimido disponível.

Já o elétrico é uma alternativa para processos automatizados, especialmente quando não há rede de ar comprimido ou quando é necessário controlar a posição da válvula.

Em todos os casos, a lâmina trabalha só totalmente aberta ou totalmente fechada.

A Wamgroup, fabricante italiana, informa que, na sua linha de guilhotinas VL, os atuadores são intercambiáveis: manual, pneumático ou motorredutor elétrico.

Isso permite comprar a válvula com acionamento manual e automatizá-la depois, desde que o comprador confirme na proposta que o kit de conversão existe para o modelo cotado.

Peça essa confirmação a todos os fornecedores de válvula guilhotina consultados.

Três perguntas resolvem a maior parte dos casos: quantas manobras por dia a válvula fará, se ela recebe comando do painel da linha e se a área é classificada para poeira combustível.

As seções a seguir tratam de cada acionamento por inteiro, com o funcionamento, a aplicação e o que pedir ao fornecedor.

Acionamento manual: volante, alavanca ou corrente

No acionamento manual, o operador move a lâmina girando um volante ligado a uma haste roscada ou puxando uma alavanca.

Quando a válvula fica no alto, embaixo de um silo, o volante pode receber uma corrente que desce até o piso.

A válvula guilhotina manual distribuída pela Macvale segue o mesmo corpo da versão automatizada, indicada para silos, roscas transportadoras e dutos pneumáticos.

Esse acionamento serve aos pontos de bloqueio que só fecham para manutenção ou troca de produto, como a guilhotina acima de uma válvula rotativa ou de uma rosca.

Ele dispensa ar comprimido, energia e painel, e a posição da lâmina fica visível na própria haste.

Por outro lado, depende de alguém ir até a válvula e de força para vencer o material acumulado sobre a lâmina.

Ao cotar, informe a altura de montagem e se o acesso será por plataforma ou por corrente, além do espaço livre ao lado do corpo para o curso da lâmina.

Se houver chance de automatizar no futuro, peça na proposta a indicação do atuador compatível.

Acionamento pneumático: cilindro de ar comprimido

No acionamento pneumático, um cilindro de dupla ação empurra e recolhe a lâmina com ar comprimido, comandado por uma válvula solenoide que recebe o sinal do painel.

É o acionamento mais comum em guilhotinas que abrem e fecham a cada ciclo de produção, como na alimentação de misturadores, balanças e ensacadeiras.

A Macvale lista a válvula guilhotina pneumática entre os itens da linha.

A Wamgroup tem ainda uma versão de passagem quadrada com o cilindro integrado ao corpo, a VLS, que ocupa menos espaço e é indicada pelo fabricante para a saída de transportadores.

Esse detalhe pesa quando a guilhotina fica entre a rosca e o equipamento seguinte, onde falta altura para um cilindro externo.

Para cotar, informe a pressão do ar comprimido disponível no ponto e a tensão da bobina da solenoide.

Defina também a posição de segurança (a válvula deve fechar ou permanecer como está se faltar ar) e se haverá sensores de fim de curso para confirmar ao painel que a lâmina abriu ou fechou.

Em linhas de líquido, o fechamento rápido do cilindro pode gerar sobrepressão, tema do post sobre golpe de aríete.

Técnico de capacete amarelo e macacão ajusta componentes metálicos de uma máquina em linha de produção industrial
Com acionamento automático, a regulagem dos sensores de fim de curso faz parte da instalação. Foto: Freepik.

Acionamento elétrico: motorredutor

No acionamento elétrico, um motor com redutor move a lâmina por meio de um fuso ou de uma cremalheira, com chaves de fim de curso que desligam o motor nas posições aberta e fechada.

A Macvale tem a válvula guilhotina com atuador elétrico na linha que distribui.

O elétrico atende pontos automatizados onde não há ar comprimido ou onde a instalação de uma linha de ar seria longa e cara.

A manobra é mais lenta que a pneumática, o que pode ser vantagem em linhas de líquido, e o motor recebe o comando direto do painel.

Em compensação, precisa de alimentação elétrica no local e de proteção do motor contra pó e umidade.

Ao cotar, informe a tensão e a frequência da rede, o grau de proteção desejado para o motor, o tempo máximo aceitável de abertura e fechamento e o tipo de sinal de comando.

Se faltar energia, a válvula elétrica fica na posição em que estava; quando isso não for aceitável, o pneumático com posição de segurança é a alternativa.

Área com poeira combustível muda a especificação?

Sim. Farinha, açúcar, amido, ração e alguns pós químicos podem formar nuvem explosiva, e a área em volta do silo pode ser classificada como zona de poeira combustível.

A classificação dessas áreas segue a ABNT NBR IEC 60079-10-2, que define as zonas 20, 21 e 22 conforme a frequência com que a nuvem de poeira ocorre.

Em área classificada, os componentes elétricos do acionamento, como motor, solenoide e sensores, precisam de certificação para atmosferas explosivas.

No Brasil, essa certificação é compulsória e segue a Portaria Inmetro nº 115/2022.

A Wamgroup informa que a linha VL tem certificação ATEX como opção, mas a instalação no Brasil segue a regra do Inmetro: peça ao fornecedor o certificado brasileiro de cada componente elétrico.

A classificação da área não é decisão do comprador nem do fornecedor da válvula: ela vem de um estudo feito por profissional habilitado.

Informe na cotação a zona definida nesse estudo e o grupo da poeira. Sem esse dado, as propostas podem chegar com componentes comuns, que não podem ser instalados no local.

O que levar para a cotação

A especificação do acionamento entra junto com a da válvula. A lista abaixo reúne os dados que fazem as propostas chegarem comparáveis:

  1. Frequência de manobra (por dia ou por turno) e se a válvula recebe comando do painel;
  2. Tipo de acionamento desejado e se deve ser possível trocá-lo depois;
  3. Pressão de ar comprimido ou tensão e frequência da rede no local;
  4. Posição de segurança em caso de falta de ar ou de energia;
  5. Sensores de fim de curso e tipo de sinal para o painel;
  6. Zona e grupo de poeira, se a área for classificada.

Com esses dados, compare fornecedores de válvula guilhotina na Soluções Industriais, que reúne mais de 50 mil fornecedores e permite cotar com vários de uma vez.

A equipe da Macvale Brasil, distribuidora autorizada Wamgroup em São José dos Campos (SP), ajuda a dimensionar a válvula e o acionamento para cada ponto do processo.

Para a base de funcionamento da válvula, consulte o post sobre como funciona a válvula guilhotina; para outros tipos de válvula de processo, a página de válvula industrial reúne fornecedores.

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