Na descarga de silo, a válvula guilhotina bloqueia a saída, a válvula borboleta interrompe o fluxo por gravidade ou em linha pneumática e a válvula rotativa dosa o material e veda a pressão.
Uma não substitui a outra: a escolha depende da função na saída do silo, do tipo de pó ou grão e do equipamento que vem depois.
A especificação deve começar pela função da válvula no silo: bloquear a passagem, liberar o material ou controlar a dosagem.
Para cada necessidade, há um equipamento adequado: a guilhotina é indicada para isolamento e descarga, enquanto a válvula borboleta pode ser usada em determinadas aplicações de bloqueio.
Depois de definir a função, informe as medidas e as características do material armazenado para selecionar o modelo correto.
Qual válvula usar na saída do silo?
Use a guilhotina para isolar o silo, a rotativa para dosar e vedar o transporte pneumático e a borboleta para abrir e fechar a passagem em pós de fluxo livre.
Em muitas instalações, as três trabalham juntas: a guilhotina logo abaixo do cone, seguida da rotativa ou da rosca que leva o material ao processo.
Essa sequência tem uma razão prática. A guilhotina fica fechada a maior parte do tempo e permite tirar a rotativa ou a rosca para manutenção sem esvaziar o silo.
A rotativa e a rosca, por sua vez, trabalham o tempo todo e são as que definem quanto material sai.
Quem compra só uma delas costuma descobrir a falta da outra na primeira parada. O material também influencia.
Pós finos e secos, como cimento e farinha, escoam bem e aceitam borboleta; materiais que empedram, formam ponte no cone ou têm grãos maiores pedem a guilhotina, cuja lâmina corta a coluna.
Antes de cotar, descreva o material com granulometria, umidade e tendência a compactar.
Válvula guilhotina: bloqueio da saída do silo
A guilhotina fecha a saída com uma lâmina plana que desliza entre duas faces do corpo e atravessa a coluna de material.
Ela trabalha totalmente aberta ou totalmente fechada e não deve ser usada para regular a vazão.
Os detalhes de corpo, lâmina e vedação estão no post sobre como funciona a válvula guilhotina.
Para sólidos a granel, a Wamgroup, fabricante italiana, indica a sua linha de guilhotinas VL para funis, saídas de silo, entradas e saídas de transportadores mecânicos e tubulações de carregamento telescópico.
O corpo em aço-carbono ou inox é parcialmente revestido por um polímero que, segundo o fabricante, aumenta a resistência à abrasão, e a vedação à prova de pó fica em todo o perímetro da lâmina.
A guilhotina é a escolha quando o objetivo é isolar o silo com segurança. Ela permite trabalhar no equipamento de baixo com o silo cheio e, entre as três, é a mais indicada para fechar com material de granulometria maior parado sobre ela.
A Macvale Brasil distribui guilhotinas para silos, roscas transportadoras e dutos pneumáticos, com passagem quadrada ou circular.
Para cotar, informe a medida da boca do silo e a furação do flange aos fornecedores de válvula guilhotina.

Válvula borboleta: interrupção do fluxo em pós de fluxo livre
A borboleta fecha a passagem com um disco que gira um quarto de volta sobre um eixo central.
Em sólidos, ela é usada para interromper a alimentação por gravidade ou em linhas de transporte pneumático.
A Wamgroup descreve a sua linha de borboletas VFS como dois semicorpos de liga de alumínio, disco em polímero ou ferro fundido e vedação de elastômero pré-tensionada, voltada para pós e granulados.
A vantagem da borboleta é a manobra rápida e o corpo compacto. A limitação está no disco, que fica no meio da passagem mesmo quando aberto e, ao fechar, precisa girar contra o material.
Com pó fino de fluxo livre, isso não é problema; com material que empedra ou tem grãos maiores, o disco pode não completar o curso.
A borboleta para líquidos, comparada à globo e à esfera, aparece no post sobre válvula globo, borboleta ou esfera.
Use a borboleta onde a função é abrir e fechar com frequência um fluxo de pó seco, como na alimentação de balanças, misturadores e ensacadeiras.
A linha de válvula borboleta para pós e granulados da Macvale segue a mesma indicação.
Na especificação, informe o diâmetro, o tipo de acionamento e se a válvula fica em linha pressurizada.
Válvula rotativa: dosagem e vedação do transporte pneumático
A rotativa é um rotor com compartimentos, as células, que gira dentro de uma carcaça e leva porções do material da entrada para a saída.
Segundo o site da Macvale, as válvulas rotativas que ela distribui têm estrutura de ferro fundido ou aço inox, rotor montado na horizontal e unidade de acionamento.
É a única das três que dosa: a vazão depende da rotação e do tamanho das células. Ela também separa ambientes de pressões diferentes.
Quando o silo descarrega numa linha de transporte pneumático, a rotativa alimenta o material e impede que o ar da linha suba para o silo.
Nem a guilhotina nem a borboleta cumprem essa função com a válvula aberta, porque deixam a passagem livre.
Por trabalhar o tempo todo, a rotativa sofre desgaste e precisa de manutenção periódica.
É aí que entra a guilhotina acima dela: fechada, permite retirar o rotor sem esvaziar o silo.
Quem precisa cotar a rotativa encontra fornecedores na página de válvula rotativa da plataforma; quando o material segue por rosca, a página de rosca transportadora reúne os fornecedores desse equipamento.
Quem entra no silo para desobstruir a saída?
Ninguém deve entrar sem os procedimentos da NR-33. A Norma Regulamentadora nº 33 (NR-33), do Ministério do Trabalho e Emprego, trata do trabalho em espaços confinados, categoria em que o interior de um silo normalmente se enquadra.
Ela exige avaliação de riscos e autorização formal antes da entrada. Esse ponto tem efeito direto na compra da válvula.
Uma saída que trava com frequência leva a tentativas de desobstrução pelo lado de dentro, com risco de soterramento.
Por isso, a escolha da válvula deve considerar se o material forma ponte ou empedra e se há recursos para soltar o material pelo lado de fora, como os vibradores e o vibrofluidificador do catálogo da Macvale.
A decisão sobre o procedimento de entrada é do responsável pela segurança do trabalho da empresa.
O que o comprador pode fazer é registrar, na especificação, o histórico de travamento do silo e pedir ao fornecedor que indique a combinação de válvula e de auxiliar de descarga para aquele material.
Monte a especificação da descarga completa
A cotação fica comparável quando descreve a saída do silo inteira, e não só uma válvula. Informe o material, com granulometria, umidade e tendência a empedrar, a vazão necessária e a medida e o formato da boca do silo.
Acrescente o equipamento que vem depois (rosca, linha pneumática, balança ou caminhão), a frequência de manobra e se a área tem poeira combustível.
Peça também o filtro de silo, se o enchimento for pneumático, e os indicadores de nível, se o controle de estoque for automático.
Com a especificação pronta, compare fornecedores de válvula guilhotina na Soluções Industriais, que reúne mais de 50 mil fornecedores e permite cotar com vários de uma vez.
A equipe da Macvale Brasil, distribuidora autorizada Wamgroup em São José dos Campos (SP), ajuda a dimensionar o conjunto de guilhotina, rotativa e rosca para cada material.
Se a guilhotina for automatizada, veja as opções no post sobre acionamento de válvula guilhotina.