Para medir correia sincronizada, é necessário identificar quatro dados: perfil do dente, passo, número de dentes e largura.
A partir do passo e da quantidade de dentes, calcula-se o comprimento primitivo, medida utilizada para identificar a correia. Se o código gravado no dorso estiver legível, não é necessário realizar a medição.
O erro mais comum é medir a volta da correia com uma trena pelo lado de fora e pedir “uma correia de tantos milímetros”. Essa medida não corresponde ao comprimento primitivo e não diz o passo.
Duas correias com a mesma volta externa podem ter passos diferentes e não servir na mesma polia.
Como medir uma correia sincronizada?
A identificação de uma correia sincronizada depende da medição do passo, da contagem dos dentes, da largura e da observação do perfil.
Com esses quatro dados, o fornecedor identifica a correia mesmo sem o código. Esse cuidado evita a compra de uma peça que não encaixa na polia.
Antes de começar, retire a correia com o equipamento parado e travado. O subitem 12.11.3 do texto consolidado da Norma Regulamentadora nº 12 (NR-12) estabelece os requisitos de segurança para serviços de manutenção e ajuste.
Essas atividades devem ser realizadas por profissionais capacitados e autorizados, com a máquina parada, as fontes de energia isoladas e bloqueadas e a identificação contra religamento. A proteção da transmissão retirada durante a troca também deve ser recolocada.
Os passos abaixo seguem a ordem em que os dados são usados para identificar a correia.
Use um paquímetro ou uma régua de aço com escala em milímetros e, se a correia tiver código em polegadas, uma tabela de conversão:
- Procure o código gravado no dorso da correia e fotografe-o, mesmo que esteja parcialmente apagado;
- Observe o dente de perfil: lados retos e topo plano indicam perfil trapezoidal; flancos arredondados, perfil curvilíneo;
- Meça a distância de dez passos, do centro do primeiro dente ao centro do décimo primeiro, e divida por dez;
- Marque um dente com giz e conte todos os dentes da volta completa;
- Meça a largura da correia em milímetros, em um trecho sem desgaste nas bordas;
- Multiplique o passo pelo número de dentes para obter o comprimento primitivo.
Por que medir dez passos e não um só
Medir apenas um passo pode gerar erros, principalmente porque alguns perfis possuem diferenças dimensionais muito pequenas.
Segundo a nomenclatura de transmissões sincronizadoras da Martin Sprocket, o perfil XL possui passo de 1/5 de polegada, equivalente a 5,08 mm. O documento também apresenta polias curvilíneas com passo de 5 mm.
A diferença entre esses modelos é de apenas 0,08 mm por passo, valor difícil de identificar com uma régua comum.
Ao medir dez passos, a diferença acumulada chega a 0,8 mm, com 50,8 mm para o perfil XL e 50 mm para o modelo métrico. Com vinte passos, ela aumenta para 1,6 mm, o que facilita a distinção entre os dois sistemas.
Além da medida, observe o formato do dente para confirmar a identificação. Se o passo estiver próximo de 5 mm e os dentes forem arredondados, a correia pode pertencer a um sistema curvilíneo métrico.
Já uma medida de 5,08 mm, associada a dentes trapezoidais, indica o perfil XL. Existem ainda perfis trapezoidais métricos, como o T5, que a Martin Sprocket apresenta como fabricação especial.
Para conhecer as diferenças entre essas geometrias, consulte o artigo sobre os perfis de correia sincronizada.
Comprimento primitivo: o passo vezes o número de dentes
Como o passo é constante, o comprimento primitivo da correia é o passo multiplicado pelo número de dentes.
Uma correia de passo 8 mm com 173 dentes tem 1.384 mm de comprimento primitivo, e uma de passo L, 9,525 mm, com 100 dentes, tem 952,5 mm.
É esse comprimento, ou o número de dentes, que o fornecedor usa para localizar a correia no catálogo.
Em projeto novo, o comprimento é escolhido entre os comprimentos comerciais, e a distância entre centros é ajustada a ele.
O exemplo de dimensionamento da Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostra a sequência: o comprimento calculado foi de 2.452,8 mm, a correia comercial escolhida tem 2.500 mm, e a distância entre centros passou a 1.023,5 mm.
Por isso, o equipamento precisa de folga para montar e tensionar a correia. Se a máquina tem esticador ou base de motor regulável, informe a faixa de ajuste ao fornecedor. Se não tem, o comprimento da correia nova precisa ser exatamente o da antiga.
Largura e tipo de correia completam a identificação
A largura da correia deve ser medida em milímetros, embora alguns modelos de passo imperial utilizem códigos específicos para identificar essa dimensão.
Segundo a Martin Sprocket, o código 037 corresponde a 3/8 de polegada, aproximadamente 9,5 mm.
Já o 050 representa 1/2 polegada, ou 12,7 mm, enquanto o 075 indica 3/4 de polegada, equivalente a 19,05 mm, e o 100 corresponde a 1 polegada, ou 25,4 mm.
Se a largura encontrada corresponder a uma dessas medidas, existe a possibilidade de a correia pertencer a um sistema de passo imperial.
Além da largura, é necessário identificar o tipo de correia. Os modelos fechados, sem emenda, são utilizados em transmissões entre duas ou mais polias, enquanto as correias abertas possuem extremidades livres para fixação no equipamento, como ocorre em sistemas de posicionamento.
Também existem modelos com dentes nas duas faces, destinados a aplicações em que uma mesma correia precisa acionar polias pelos dois lados.
Para consultar essas configurações, veja as opções de correia sincronizadora aberta e correia sincronizada duplo dente.
Registre ainda o material de fabricação, que pode ser borracha ou poliuretano, e eventuais características especiais, como a presença de revestimento no dorso.
Com o perfil, passo, número de dentes, largura e tipo identificados, você terá as informações necessárias para solicitar orçamento de correia sincronizadora a diferentes fornecedores.
Meça também a polia antes de pedir
A polia confirma o perfil e o passo da correia. Conte os dentes da polia e meça o diâmetro externo; com o passo, o fornecedor confere se o par está correto.
A Martin Sprocket identifica a polia pelo número de dentes, pelo passo e pela largura da correia, além do tipo de furo ou de bucha, e esses mesmos dados servem para pedir uma polia nova.
Se a polia estiver gasta, com canais deformados, a troca só da correia pode não resolver. Nesse caso, cote o conjunto com os fornecedores de polia sincronizadora da plataforma.
O post sobre a falha de componentes de baixo custo na linha de produção mostra por que uma peça barata parada pode custar mais que a própria peça.
Depois de identificar a correia, registre a especificação na ficha do equipamento.
O post sobre estoque de peças de reposição trata das correias entre as peças de desgaste, e a ficha completa permite repor a peça sem nova medição.
O que levar para a cotação
Envie ao fornecedor a foto do código, quando houver, o perfil, o passo medido, o número de dentes, o comprimento primitivo calculado, a largura e o tipo de correia, fechada, aberta ou com dentes nas duas faces.
Diga o material e a quantidade, e se quer cotar também as polias. Se a correia é de uma máquina crítica, peça o prazo de entrega na proposta.
Com esses dados, compare propostas de fornecedores de correia sincronizadora no Soluções Industriais, que reúne revendas e fabricantes da categoria em uma mesma cotação.
Para entender o funcionamento da transmissão antes da troca, veja também o post sobre o que é correia sincronizadora.