Existem diferentes tipos de empilhadeira para elevar e transportar cargas em ambientes industriais e de armazenagem.
Embora utilizem garfos instalados em uma torre, os modelos variam conforme o espaço necessário para manobras, a altura de elevação e a forma de abastecimento, que pode ser bateria, gás liquefeito de petróleo (GLP), diesel ou gasolina.
Um dos erros mais comuns na compra é comparar os equipamentos apenas pela capacidade nominal, expressa em quilogramas nos catálogos.
Esse valor considera uma distância específica entre o centro da carga e a face dos garfos, mas a capacidade efetiva pode diminuir conforme o comprimento do palete e a altura de elevação.
Por isso, duas empilhadeiras com a mesma capacidade nominal podem apresentar desempenhos diferentes em uma operação, como explica o artigo sobre centro de carga e capacidade da empilhadeira.
Quais são os tipos de empilhadeira?
Os principais tipos de empilhadeira são a contrabalançada, a retrátil, a trilateral, a patolada, a selecionadora de pedidos, a manual ou semielétrica e a todo-terreno.
A escolha depende das condições de operação, principalmente do tipo de piso, da largura dos corredores e da altura de estocagem.
No Brasil, a ABNT NBR ISO 3691-1:2023 estabelece requisitos de segurança para veículos industriais autopropelidos.
Segundo o catálogo da ABNT, a norma abrange diferentes configurações, como veículos com contrapeso, torre retrátil, empilhamento lateral ou frontal e equipamentos destinados a terrenos irregulares.
A série também possui requisitos específicos para outras categorias. A ABNT NBR ISO 3691-3:2024 trata dos veículos com posição elevada do operador, enquanto a ABNT NBR ISO 3691-5:2024 contempla aqueles conduzidos por profissionais que caminham ao lado, com acionamento manual ou elétrico.
Ao solicitar um orçamento, peça ao fornecedor a declaração de conformidade com a parte da norma aplicável ao equipamento.
Dessa forma, é possível verificar se as propostas atendem aos mesmos requisitos de segurança.
Bateria, GLP, diesel ou gasolina: como a empilhadeira é abastecida
A ABNT NBR ISO 3691-1 se aplica a veículos “movidos a bateria, diesel, gasolina ou GLP”, e cada forma de abastecimento traz exigências próprias para a operação.
A escolha não depende só do preço da energia, mas também do ambiente, do número de turnos e da infraestrutura disponível.
A empilhadeira elétrica utiliza uma bateria recarregável, cujo carregamento pode levar horas e exige espaço adequado para o carregador, ventilação e procedimentos recomendados pelo fabricante.
Em operações com dois ou três turnos, também pode ser necessário manter baterias reserva para evitar interrupções.
Os cuidados com essa estrutura são apresentados no artigo sobre bateria de empilhadeira elétrica.
Já a empilhadeira a gás utiliza GLP e permite o reabastecimento por meio da substituição do cilindro.
No Brasil, o uso de GLP em motores é proibido, com exceção expressa para empilhadeiras e equipamentos industriais de limpeza, conforme o artigo 25 da Resolução ANP nº 957/2023.
Os cilindros cheios e vazios precisam ser armazenados em uma área que atenda aos requisitos da ABNT NBR 15514:2020, norma de segurança aplicável a recipientes transportáveis de GLP com capacidade de até 90 kg.
Por sua vez, a empilhadeira a combustão, movida a diesel ou gasolina, possui tanque de combustível, com abastecimento semelhante ao de outros veículos.
Nesse caso, uma das principais restrições está relacionada à ventilação do ambiente. O item 11.1.10 da NR-11 proíbe a utilização de máquinas com motores de combustão interna em locais fechados e sem ventilação, salvo quando equipadas com neutralizadores, conforme o texto oficial da NR-11.
Para avaliar as diferenças entre as tecnologias, consulte o artigo empilhadeira elétrica ou a combustão.
O corredor e a altura de estocagem definem o formato
Em armazéns com estruturas porta-paletes, a largura livre dos corredores é um dos principais fatores que limitam a escolha da empilhadeira.
Um trabalho de conclusão de curso da Universidade Federal do Ceará indica que os corredores variam, aproximadamente, de 1 a 4 m conforme o equipamento. A largura é sempre medida livre, entre paletes (Bezerra, UFC, 2015).
A tabela apresenta as principais aplicações de cada modelo e as informações necessárias para solicitar uma proposta:
| Tipo | Onde trabalha | O que informar na cotação |
|---|---|---|
| Contrabalançada | Docas, pátios, armazéns com corredor largo | Peso e medida do palete, piso, forma de abastecimento |
| Retrátil | Armazéns com porta-paletes e corredores estreitos | Altura do último nível, largura do corredor, peso do palete |
| Trilateral | Corredores muito estreitos e estocagem alta | Largura do corredor, altura de estocagem, tipo de piso |
| Patolada | Armazéns pequenos, carga leve, estocagem média | Altura de elevação, tipo de palete, distância percorrida |
| Manual ou semielétrica | Movimentação curta e eventual | Peso da carga, altura, frequência de uso |
| Todo-terreno | Obras, pátios de terra ou cascalho | Tipo de terreno, peso, altura de descarga |
A contrabalançada utiliza um contrapeso traseiro para equilibrar a carga, sem necessidade de braços de apoio. Essa configuração favorece o trabalho em docas e pátios, mas exige espaço suficiente para manobrar com o palete.
Já a retrátil possui uma torre que avança para alcançar a carga e recua durante o deslocamento, o que permite operar em corredores mais estreitos.
Uma monografia da Universidade Federal de Minas Gerais destaca sua aplicação na movimentação de mercadorias em estruturas porta-paletes e na estocagem vertical, conforme Pavan, UFMG, 2012.
Para corredores ainda mais estreitos, a trilateral permite posicionar os garfos lateralmente, sem a necessidade de girar toda a máquina para acessar as estruturas de armazenagem.
Entretanto, o estudo da UFC aponta que essa configuração exige investimento maior devido à utilização de trilhos ou fios indutivos para orientar o deslocamento.
Em caso de pane, outra empilhadeira convencional pode não conseguir acessar os paletes, o que exige atenção ao planejamento da manutenção.
A patolada, por sua vez, utiliza braços de apoio próximos ao piso e costuma atender operações com cargas leves e alturas intermediárias.
Seu formato favorece a movimentação em armazéns menores, mas a compatibilidade com os paletes e o espaço disponível para manobras precisam ser avaliados antes da compra.
Nos modelos manuais e semielétricos, o operador acompanha o equipamento a pé. A diferença está no acionamento da elevação, que ocorre por esforço manual no primeiro caso e por motor elétrico no segundo.
Essas alternativas atendem principalmente a movimentações curtas, e a frequência de uso ajuda a determinar qual delas é mais adequada.
Já a todo-terreno é desenvolvida para áreas externas, como obras e pátios de terra ou cascalho, onde o piso apresenta condições diferentes das encontradas nos armazéns.
Ainda assim, sua utilização depende da inclinação, da presença de lama ou buracos e dos limites de operação definidos para cada equipamento.
Além dessas configurações, existem as selecionadoras de pedidos, utilizadas em armazéns para retirar produtos diretamente das posições de estocagem.
Alguns modelos elevam o operador junto à área de coleta, o que exige atenção à altura de trabalho, à largura dos corredores e aos dispositivos de segurança.
Como as condições de circulação e armazenagem influenciam a escolha, envolva os profissionais responsáveis pelo layout do armazém antes de definir o equipamento.
O artigo sobre o que medir antes de solicitar a compra de um equipamento ajuda a organizar essas informações para a cotação.
Equipamentos manuais e semielétricos atendem carga leve e curta distância
A empilhadeira manual eleva a carga por bomba hidráulica acionada pelo operador e é empurrada a pé.
Já a empilhadeira elétrica manual, também chamada de semielétrica, eleva com motor elétrico, mas continua sendo conduzida por quem caminha ao lado.
A ABNT NBR ISO 3691-5:2024 abrange esses veículos com capacidade de até 1.000 kg, com levantamento manual ou elétrico movido a bateria.
É importante não confundir empilhadeira com paleteira. A mesma norma trata separadamente dos transportadores de paletes de baixo levantamento, com altura de levantamento de até 300 mm e capacidade nominal de até 2.300 kg.
Ou seja, a paleteira elétrica apenas tira o palete do chão para transportá-lo, enquanto a empilhadeira eleva a carga até os níveis de estocagem.
Além disso, a frequência de uso é o critério que separa a manual da semielétrica. Em movimentação eventual, o esforço do operador é aceitável. Em dezenas de elevações por turno, a elevação motorizada reduz a fadiga e o tempo de cada ciclo.
Pátio e canteiro de obras pedem a todo-terreno
Fora do armazém, o piso deixa de ser liso e nivelado. A empilhadeira todo-terreno, que a ABNT NBR ISO 3691-1 chama de veículo todo-terreno com contrapeso, é feita para pátios de terra, cascalho e canteiros de obras.
Ainda assim, “todo-terreno” não significa qualquer terreno. Na cotação, descreva o terreno real: inclinação, presença de lama e buracos, distância percorrida e a altura em que a carga será descarregada.
Com essas informações, o fornecedor indica o modelo e a capacidade adequados, e o responsável técnico avalia os limites de operação.
Como escolher a empilhadeira certa para a sua operação?
Escolha a empilhadeira pela descrição da operação: peso e medida do palete, altura máxima de estocagem, largura do corredor, tipo de piso, ambiente e número de turnos.
Com esses dados, o fornecedor indica o tipo, a forma de abastecimento e a capacidade adequados.
Antes de pedir orçamento de empilhadeira, reúna as seguintes informações, que permitem comparar propostas de fornecedores diferentes em igualdade de condições:
- Peso máximo da carga e dimensões do palete, com comprimento, largura e altura;
- Altura do último nível de estocagem e largura livre dos corredores;
- Condições do piso, seja interno, externo ou misto, e existência de rampas;
- Tipo de ambiente, como áreas fechadas, abertas ou câmaras frias, além do número de turnos diários;
- Modalidade desejada, seja compra, locação ou locação com manutenção incluída.
A última informação tem efeito direto sobre o custo total. O artigo sobre locação de empilhadeira em São Paulo mostra quando alugar pode ser vantajoso, e o texto sobre leasing, financiamento ou compra à vista compara as modalidades.
Para a operação do dia a dia, o checklist de empilhadeira antes do turno e as exigências da NR-11 para empilhadeira completam o planejamento.
Leve a operação descrita para a cotação
Depois de identificar o tipo de empilhadeira adequado, solicite propostas a diferentes fornecedores com a mesma especificação técnica.
O pedido deve apresentar a capacidade necessária no centro de carga indicado, a altura de elevação, a forma de abastecimento, a conformidade com a parte aplicável da ABNT NBR ISO 3691 e as condições de manutenção.
O Soluções Industriais reúne mais de 50 mil fornecedores cadastrados. Na plataforma, você pode comparar empresas de empilhadeira e pedir orçamentos, com base nas características da sua operação.
Romário Martins · Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends
Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transformar o cenário de mais de 20.000 empresas.