A armazenagem de grãos reúne as etapas de recebimento, limpeza, secagem e conservação da safra até sua venda ou consumo.
Seu objetivo não é melhorar a qualidade do produto colhido, mas preservar suas características por meio do controle da umidade, da temperatura da massa de grãos e da presença de pragas.
Um dos erros mais comuns é tratar o silo como um depósito, no qual basta guardar os grãos até o momento da retirada.
Mesmo após a colheita, eles continuam a respirar, produzir calor e perder matéria seca, processo que se intensifica em condições de umidade e temperatura elevadas.
Por isso, a secagem até um teor seguro, a aeração e o acompanhamento da temperatura são essenciais para evitar perdas, mesmo em instalações novas.
As etapas da unidade armazenadora
A unidade armazenadora, segundo a Embrapa Milho e Sorgo, precisa de projeto, estrutura e gestão para atender às etapas de recepção, limpeza, secagem, armazenagem e expedição.
Para isso, conta com moegas, máquinas de pré-limpeza e de limpeza, secadores, transportadores, silos-pulmão e silos ou graneleiros.
A ordem das etapas, para o produto que chega úmido, é a seguinte:
- Recepção: descarga do caminhão ou esteira na moega;
- Pré-limpeza: retirada de palha, terra e impurezas grossas antes da secagem;
- Secagem: redução da umidade até o teor seguro para guardar o grão;
- Limpeza: retirada das impurezas finas e dos grãos quebrados;
- Armazenagem: guarda em silos, graneleiros ou sacaria, com aeração e termometria;
- Expedição: carregamento para a indústria, o porto ou o consumo.
Quando os grãos já chegam secos do campo, podem seguir diretamente para a limpeza e a armazenagem, sem necessidade de passar pelo secador.
A Embrapa destaca que a limpeza ajuda a reduzir a infestação por insetos e os problemas durante a secagem.
Caso os grãos apresentem infestação desde a lavoura, o produto deve passar por expurgo antes de ser armazenado.
Entre essas etapas, a secagem costuma exigir maior investimento em equipamentos e combustível.
O funcionamento e os sistemas disponíveis são apresentados no artigo sobre secagem de grãos.
Já as diferenças entre os equipamentos utilizados nessa etapa estão no conteúdo sobre secador intermitente ou contínuo.
Silo, graneleiro, sacaria ou silo-bolsa
A Embrapa Milho e Sorgo apresenta quatro formas principais de armazenagem de grãos, que se diferenciam pela estrutura utilizada e pelas condições de conservação.
A primeira é a armazenagem a granel em silos, que podem ser metálicos, de alvenaria ou de concreto.
As demais incluem os armazéns graneleiros, os armazéns convencionais com produtos ensacados e as estruturas temporárias, como os silos-bolsa.
Entre essas alternativas, o silo é considerado o método mais seguro pela facilidade de integração com sistemas de secagem por ar forçado, aeração e controle de temperatura.
O graneleiro, também chamado de silo horizontal, possui base ampla e altura reduzida. Segundo a Embrapa, esse tipo de estrutura não é vedado, característica que dificulta a aplicação de expurgo com gás.
Já os silos metálicos podem apresentar capacidades estáticas entre 16 t e mais de 13.000 t. A capacidade estática corresponde à quantidade de grãos que a estrutura consegue armazenar de uma só vez.
A armazenagem convencional em sacaria, por sua vez, é mais comum em pequenas propriedades, conforme registra a Embrapa Arroz e Feijão.
Além da estrutura física, as unidades armazenadoras também são classificadas conforme sua função na cadeia de abastecimento.
A Instrução Normativa MAPA nº 29/2011 diferencia as instalações em nível de fazenda, coletoras, intermediárias e terminais.
As unidades de fazenda atendem ao próprio produtor, enquanto as coletoras recebem grãos diretamente das lavouras e prestam serviços a diferentes produtores.
As intermediárias concentram os estoques provenientes das unidades coletoras. Já as terminais ficam próximas de portos e grandes centros consumidores, onde a movimentação dos produtos costuma apresentar alta rotatividade.
Qual a umidade ideal para armazenar grãos?
A umidade adequada para armazenagem geralmente varia entre 12% e 14%, conforme o tipo de grão e sua finalidade.
A Embrapa recomenda que os produtos entrem no armazém limpos e secos, preferencialmente com umidade entre 12% e 13%, conforme o livro Manejo Integrado de Pragas de Grãos e Sementes Armazenadas.
Entretanto, cada cultura possui recomendações específicas. A tabela reúne os teores máximos indicados pela Embrapa para diferentes produtos:
| Grão | Umidade máxima para armazenar | Fonte |
|---|---|---|
| Milho a granel | 13% | Embrapa Milho e Sorgo |
| Soja (grão) | 14% | Manual de Segurança e Qualidade para a Cultura da Soja |
| Soja (semente) | 12,5% | Mesmo manual |
| Trigo | 13% | Normas da Produção Integrada de Trigo |
| Arroz | 13% a 14% | Embrapa Arroz e Feijão |
O milho, segundo a Embrapa Milho e Sorgo, costuma ser colhido com 25% de umidade e precisa ser seco até 13%, o que permite conservá-lo por mais de um ano.
Para o trigo, a norma da Embrapa limita a temperatura da massa de grãos dentro do secador a 60 °C.
O teor de colheita de soja e milho e o momento de colher estão no post sobre umidade da soja e do milho.
Aeração e termometria: o controle da temperatura no silo
A temperatura da massa de grãos define a velocidade das perdas. A Embrapa Milho e Sorgo dá um exemplo com dados de clima temperado.
Mil toneladas de grãos com 15% de umidade, armazenadas a 35 °C, perdem cerca de 5,4 t de matéria seca em um mês.
A 10 °C, a perda cai para 0,2 t. A mesma fonte aponta que os insetos se reproduzem melhor entre 25 °C e 33 °C e suspendem a atividade perto de 13 °C.
A aeração é a passagem forçada de ar pela massa de grãos para resfriá-la, uniformizar a temperatura e evitar o aquecimento.
A Embrapa recomenda ligá-la quando a diferença entre a temperatura dos grãos e a do ar externo passa de 5 °C, com o ar mais frio e mais seco.
A IN MAPA nº 29/2011 fixa a vazão mínima por tonelada de capacidade estática de cada compartimento. Nos silos verticais, ela é de 0,05 m³ por minuto, e nos graneleiros, de 0,1 m³ por minuto.
A termometria é feita por cabos com sensores instalados dentro do silo. A IN nº 29/2011 a exige nas unidades a granel de fazenda, coletoras e intermediárias e recomenda a leitura em horário fixo, de preferência pela manhã, com registro arquivado.
Um ponto que aquece mais que o resto da massa indica um foco, causado em geral pela migração de umidade.
A Embrapa a descreve como a umidade que se move dentro do silo quando há diferenças de temperatura. Esse movimento cria pontos favoráveis a fungos e insetos.
Pragas e expurgo com fosfina
As pragas de grãos armazenados se dividem em primárias e secundárias, segundo a Embrapa.
As primárias atacam grãos sadios, como as espécies Sitophilus oryzae, Sitophilus zeamais e Rhyzopertha dominica, que estão entre as mais preocupantes economicamente.
As secundárias só atacam grãos quebrados ou danificados, mas se multiplicam rapidamente. Por isso, a limpeza antes da armazenagem reduz a infestação.
Quando há pragas na massa de grãos, a Embrapa indica o expurgo com fosfina, um gás fumigante, sempre com vedação total.
O livro de manejo de pragas recomenda exposição mínima de 168 horas, conforme a temperatura e a umidade. Ele desaconselha o expurgo abaixo de 10 °C ou com umidade relativa abaixo de 25%.
A fosfina é um gás altamente tóxico, e o manuseio exige proteção respiratória e demais Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Durante o expurgo, é proibida a presença de pessoas sem EPI no armazém.
O que a NR-31 exige em silos e secadores
A segurança em silos e secadores no meio rural segue o item 31.13 da NR-31, com redação da Portaria SEPRT nº 22.677/2020.
Os secadores devem ser projetados e montados sob a responsabilidade de profissional legalmente habilitado.
Os que usam gás ou combustível líquido precisam de proteção contra explosão por falha de chama e contra retrocesso da chama.
O acesso ao interior do silo, pelo item 31.13.6, só pode ocorrer quando for extremamente necessário e com o silo fora de operação.
Também são exigidos ao menos dois trabalhadores, um deles do lado de fora, e um sistema de proteção contra queda ancorado na estrutura.
Antes da entrada, é preciso avaliar os riscos de engolfamento, soterramento e sufocamento.
O item 31.13.13 trata silos, moegas, túneis e secadores como espaços confinados, com permissão de entrada por escrito e monitoramento da atmosfera.
A norma também manda adotar medidas contra a inalação de poeira e contra incêndio e explosão de poeira nos intervalos de operação (item 31.13.10).
Na compra de silo, secador ou transportador, esses requisitos entram no projeto, e a escolha final passa por profissional legalmente habilitado.
Capacidade de armazenagem no Brasil e certificação
A capacidade estática brasileira era de 210,1 milhões de toneladas, segundo dado divulgado pela Conab em 28/05/2025, para uma safra 2024/25 estimada em 332,9 milhões de toneladas.
A própria Conab ressalva que a diferença não reflete um déficit real, porque o país colhe mais de uma safra por ano.
Segundo a Conab, os armazéns nas fazendas somavam 35,64 milhões de toneladas em 2025, 16,8% do total.
A certificação das unidades armazenadoras mudou em 2026. A Lei nº 15.429/2026 alterou a Lei nº 9.973/2000 e tornou voluntária a adesão ao sistema de certificação do MAPA, que antes era obrigatória para quem armazenava produto de terceiros.
A IN nº 29/2011 continua sendo a referência técnica dos requisitos, mas vale confirmar com o MAPA como ficará a regulamentação depois da nova lei.
O que pedir na cotação de secador e silo
Na cotação do secador, informe o grão, a umidade de colheita e a umidade final. Informe também a capacidade em toneladas por hora, o combustível da fornalha e o tipo de secador desejado.
Para o silo, informe a capacidade estática, o grão, a vazão de aeração por tonelada e o número de cabos de termometria. Nos dois casos, peça o projeto com responsável técnico e os itens de segurança da NR-31.
Pergunte também como o fornecedor integra o secador aos transportadores e aos silos-pulmão, porque a capacidade da linha é a do equipamento mais lento.
Quando todos os fornecedores de secador de grãos recebem os mesmos dados, as propostas ficam comparáveis. Para a estrutura de guarda, veja também os empresas de silo.
Com a especificação pronta, compare propostas de secador de grãos no Soluções Industriais, que permite cotar com várias companhias de uma vez.