Exaustão da cabine de pintura: como funciona e o que pedir

Veja como funciona a exaustão da cabine de pintura, como se calcula a vazão, o efeito dos filtros saturados, as normas e o que pedir ao fornecedor.
Cabine de pintura industrial com cortina transparente e sistema de exaustão para retenção da névoa de tinta.

A exaustão da cabine de pintura é o sistema de exaustor, dutos e filtros que retira o ar carregado de tinta e solvente.

O conjunto capta o ar na zona de aplicação, retém o particulado e conduz o fluxo filtrado para o ambiente externo.

Seu dimensionamento depende da área de passagem do ar, da velocidade exigida e do tipo de filtragem.

O erro mais comum é comprar o exaustor apenas pela potência do motor, sem considerar os demais componentes do sistema.

Mesmo um equipamento potente pode não entregar a vazão prevista quando os filtros estão saturados ou os dutos são mal dimensionados.

O resultado aparece na cabine, com névoa persistente, retorno de tinta sobre a peça e maior exposição do pintor ao solvente.

Como funciona o sistema de exaustão

O ar entra na cabine pela frente ou pelo teto, atravessa a zona em que o pintor trabalha e é puxado para a parede ou o piso de captação.

Ali estão os elementos que retêm o overspray, a parte da tinta pulverizada que não adere à peça.

Depois dos filtros, o ar passa pelo exaustor e segue pela chaminé, já sem o particulado de tinta.

Esse processo depende de três partes que precisam ser dimensionadas em conjunto.

A primeira é a captação, que pode utilizar filtro seco, cortina d’água ou cartucho, conforme o tipo de tinta.

A segunda é o exaustor, responsável por gerar a depressão necessária para movimentar o ar através do sistema.

Já a terceira reúne os dutos e a chaminé, cujo diâmetro e comprimento determinam a resistência que o equipamento precisa vencer.

Na linha da ACCI, fabricante de instalações de pintura industrial em São Paulo, os exaustores podem ser axiais ou centrífugos.

O modelo axial movimenta grandes volumes de ar com pouca resistência, enquanto o centrífugo supera resistências maiores, como cartuchos e dutos longos.

As diferenças entre as tecnologias de captação estão explicadas no artigo sobre cabine a seco, cortina d’água ou a pó.

Como calcular a exaustão de uma cabine de pintura?

A vazão de exaustão é calculada pela multiplicação da área de passagem pela velocidade exigida para o fluxo de ar.

Em cabines de fluxo horizontal, essa área corresponde à abertura frontal. Já nas de fluxo vertical, o cálculo considera a área do piso.

A velocidade necessária depende da tinta, do método de aplicação e das características da peça, com definição pelo projetista.

Após determinar a vazão, o profissional calcula as perdas de carga dos filtros, dutos, curvas e chaminé.

A perda de carga representa a resistência que cada componente oferece à passagem do ar pelo sistema.

Esse valor é essencial para escolher o exaustor, pois o mesmo equipamento entrega vazões diferentes conforme a resistência encontrada.

Por isso, uma cabine maior do que o necessário também aumenta o custo de operação.

Quanto maior a área de passagem, maior deve ser a vazão para manter a mesma velocidade de ar. Isso exige um exaustor de maior capacidade e eleva o consumo de energia.

A fábrica de cabine de pintura ACCI informa que o dimensionamento parte da maior peça e da vazão necessária. O objetivo é captar o overspray no volume de trabalho previsto.

Ao solicitar propostas aos fornecedores de cabine de pintura, peça que especifiquem a vazão e a velocidade adotadas no projeto.

Dutos metálicos de ventilação brancos presos ao teto escuro de um galpão industrial
O diâmetro, as curvas e o comprimento dos dutos entram no cálculo do exaustor. Foto: Freepik.

Filtros saturados reduzem a exaustão

À medida que o filtro retém tinta, a passagem do ar fica mais difícil e a perda de carga aumenta.

A empresa ACCI descreve esse comportamento na página do filtro para cabine de pintura.

O particulado retido forma uma camada que, até certo ponto, melhora a filtragem, mas depois passa a restringir o fluxo.

Nos cartuchos laváveis, a limpeza ocorre por pulse jet, um pulso de ar comprimido que desprende a camada acumulada.

Já os elementos descartáveis precisam ser substituídos após atingir o limite de saturação.

Na prática, um dos sinais desse problema é a névoa que permanece na cabine por mais tempo.

Para acompanhar a condição do filtro, pode ser utilizado um manômetro diferencial, que mede a diferença de pressão antes e depois do elemento.

Esse instrumento permite identificar a saturação sem depender apenas da observação do pintor. Por isso, vale solicitar sua inclusão na especificação da cabine.

A reposição dos filtros também deve entrar no cálculo do custo de operação, e não apenas nas despesas de manutenção.

Antes da compra, confirme o tipo de elemento utilizado, o preço de reposição e sua disponibilidade no mercado.

As opções de filtro para cabine de pintura e de coletor de pó podem ser comparadas no Soluções Industriais.

Qual NR fala sobre cabine de pintura?

Na indústria em geral, não existe uma Norma Regulamentadora exclusiva para cabines de pintura.

A exaustão está relacionada às normas que tratam da exposição a agentes químicos e dos riscos de atmosferas explosivas.

A definição de cabine presente nas normas trabalhistas aparece na NR-34, aplicável às atividades de construção e reparação naval.

Essa definição foi incluída pela Portaria MTb nº 1.112/2016. Ela descreve a cabine como um local projetado por profissional legalmente habilitado, com materiais incombustíveis ou resistentes ao fogo.

O recinto também deve contar com ventilação ou exaustão, filtragem e controles ambientais.

Mesmo fora do setor naval, essa descrição serve como referência para os requisitos que o comprador deve observar no projeto.

Nos demais setores, a NR-9 trata da avaliação e do controle da exposição ocupacional a agentes químicos.

Entre esses agentes estão os solventes presentes nas tintas utilizadas durante a aplicação.

Já a classificação de áreas com vapores inflamáveis segue a ABNT NBR IEC 60079-10-1.

Os equipamentos elétricos instalados nessas áreas precisam de certificação conforme a Portaria Inmetro nº 115/2022.

A escolha final dos equipamentos e sistemas de proteção deve passar por profissional habilitado em segurança do trabalho e pelo projeto da instalação.

Solvente, faísca e área classificada

Na pintura líquida, o ar retirado da cabine pode conter vapores de solventes inflamáveis, o que exige cuidados específicos de segurança.

Por isso, o exaustor utilizado nesse processo não deve ser escolhido como um ventilador comum, sem avaliação das condições de operação.

A ACCI informa que suas cabines via úmida utilizam rotor de polipropileno, material que não gera faísca no contato com o particulado de tinta.

Quando a análise de risco identifica uma área classificada, os equipamentos elétricos instalados nela precisam ser adequados à atmosfera explosiva.

Essa exigência inclui motores, iluminação e painéis, conforme a classificação prevista no projeto.

O requisito deve constar do pedido de compra, para evitar a identificação de incompatibilidades apenas durante a instalação.

Na pintura a pó, o risco é diferente, pois o material em suspensão também pode formar uma atmosfera explosiva. Nesse caso, o projeto precisa considerar a classificação de áreas para poeiras.

A chaminé completa o sistema de exaustão e conduz o ar filtrado para o ambiente externo.

Nas cabines a seco, a ACCI oferece pós-filtros de carvão ativado para reduzir o odor de solvente lançado pela chaminé. Essa opção aparece na ficha da cabine de pintura a seco.

A necessidade desse estágio adicional depende das condições da vizinhança e das exigências do órgão ambiental do município.

O que pedir ao fornecedor da exaustão

Para receber propostas comparáveis, todos os fornecedores precisam apresentar os mesmos dados sobre o sistema de exaustão.

Peça que cada um informe a vazão de exaustão, a velocidade do ar adotada, o tipo de exaustor e o material do rotor.

A proposta também deve indicar a perda de carga prevista com filtros limpos e saturados, além do elemento filtrante de reposição. Inclua ainda o diâmetro e o trajeto dos dutos e da chaminé.

Ao solicitar o orçamento, informe as dimensões da maior peça, o tipo de tinta, seu fabricante e a produção por turno.

Apresente também a planta do galpão, com a indicação do ponto de saída da chaminé.

Para entender o funcionamento completo do equipamento, consulte o artigo sobre como funciona a cabine de pintura.

Com esses dados, solicite propostas aos fabricantes de cabine de pintura parceiros do Soluções Industriais e compare as características da exaustão.

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