Placa magnética ou barra magnética: quando usar cada uma

Veja a diferença entre placa magnética e barra magnética na separação de ferro, quando usar cada uma, quando combinar as duas e o que informar ao cotar.
Placas e barras magnéticas industriais de diferentes dimensões, utilizadas na separação de materiais ferrosos.

A escolha entre placa magnética ou barra magnética depende do tamanho dos contaminantes e da forma como o produto escoa.

A placa atua na superfície e retém peças ferrosas maiores, como parafusos, porcas e arames, sem obstruir o fluxo. Já a barra fica imersa no produto e capta limalha, pó fino de ferro e cavacos pequenos.

O erro mais comum é esperar que um único equipamento consiga reter todos os contaminantes presentes na linha.

A placa tem menor alcance sobre partículas finas espalhadas no produto, enquanto a barra pode travar com grânulos grandes e fibras.

Por isso, muitas linhas utilizam os dois equipamentos em sequência para atender às diferentes necessidades de separação.

Como a placa magnética separa o ferro?

A placa magnética é um conjunto plano de ímãs permanentes, protegido por uma face de aço inox ou por uma caixa.

Ela pode ser instalada no fundo de calhas e rampas, na parede de dutos retangulares de queda ou suspensa sobre esteiras.

O campo magnético da face atrai as peças ferrosas próximas, enquanto o restante do material continua seu percurso pela linha.

Segundo a página de placa magnética da Kort Fort, de Ribeirão Pires (SP), esse desenho não obstrui a passagem do produto.

Também aceita materiais de granulometria grande, com grãos ou pedaços graúdos, sem formar pontes que bloqueiam o escoamento.

A principal limitação é a distância, pois a força do ímã diminui rapidamente à medida que a peça se afasta da face.

Por isso, a camada de produto precisa ser fina e a velocidade de passagem deve permanecer moderada.

Em esteiras com camada alta, por exemplo, as peças no fundo da correia podem ficar fora do alcance de uma placa suspensa.

Nesse caso, a Kort Fort indica a instalação no ponto de descarga, onde a camada se abre durante a queda.

O funcionamento geral está explicado no post sobre como funciona a placa de ímã. Já os fornecedores podem ser encontrados na página de placa de ímã do Soluções Industriais.

Placa magnética retangular suspensa por estrutura de aço com ajuste de altura sobre uma esteira transportadora de grãos em fábrica
Placa suspensa sobre a esteira: funciona com camadas baixas de material. Imagem ilustrativa gerada no Magnific.

Qual montagem de placa facilita a limpeza?

A placa magnética pode ser instalada em diferentes configurações, conforme o espaço disponível, o fluxo do produto e a necessidade de limpeza.

Segundo a Kort Fort, cada montagem atende a uma condição específica da linha e influencia o tempo necessário para retirar os contaminantes.

A placa simples de embutir substitui um trecho do fundo da calha e é a mais fácil de adaptar. Entretanto, a limpeza exige a parada da linha para retirar as peças ferrosas acumuladas.

Já a placa em carcaça de duto vem montada em um trecho retangular com flanges, pronto para intercalar na linha.

Outra opção é a placa com degrau, cuja borda faz o produto rolar e expõe as peças de ferro à face magnética. Essa configuração ajuda na separação em camadas um pouco mais altas.

Para linhas de turnos contínuos, a montagem com dobradiça facilita a limpeza, pois permite abrir a placa para fora da calha.

Também existem modelos com extrator, que afasta os ímãs da face para soltar as peças retidas. Essas soluções reduzem o tempo de parada necessário para a manutenção.

Na limpeza de placas de neodímio, a força de atração pode esmagar dedos entre o ímã e uma peça de aço.

Por isso, use luvas e raspadores não magnéticos e mantenha os ímãs longe de marca-passos.

Como a barra magnética separa o ferro?

A barra magnética é um tubo, geralmente de aço inox, com ímãs permanentes alinhados em seu interior.

Segundo a página de barra magnética da Kort Fort, ela é instalada no caminho do produto para reter partículas de ferro e aço.

A empresa cita aplicações nos setores alimentício, farmacêutico, plástico e cerâmico como alguns dos principais.

A barra fica em funis, moegas, tubulações e carcaças de líquido, onde entra em contato direto com o fluxo.

Como o produto passa a poucos milímetros da superfície magnética, a barra capta partículas pequenas que uma placa distante deixaria passar.

Várias barras lado a lado, com vãos definidos, formam a grade magnética, tema do post sobre grade magnética.

Os vãos entre as barras determinam o equilíbrio entre a captação de contaminantes e a vazão do produto.

Espaçamentos menores favorecem a retenção, mas aumentam a perda de carga, ou seja, a resistência imposta à passagem do material.

Os fornecedores estão na página de barra magnética do Soluções Industriais. Já a versão utilizada em óleo e água aparece no post sobre filtro magnético.

Qual a diferença entre placa e barra magnética?

A principal diferença está na posição em relação ao fluxo do produto e no tamanho dos contaminantes que cada equipamento consegue reter.

A placa atua de um lado do material, próxima à superfície, e remove peças maiores sem comprometer a vazão.

Já a barra fica dentro do fluxo e capta partículas finas, embora provoque uma pequena perda de vazão.

A tabela abaixo traz mais informações:

Situação na linha Placa magnética Barra magnética
Parafuso, porca ou arame solto Indicada Pode reter, mas a peça arrisca travar a grade
Limalha ou pó de desgaste Retém só o que passa encostado na face Indicada
Produto graúdo ou fibroso Não obstrui Risco de pontes e travamento
Ponto de instalação Calha, rampa, duto retangular, esteira Funil, moega, tubulação, carcaça de líquido
Efeito na vazão Praticamente nenhum Pequena perda, conforme os vãos

A leitura da tabela começa pelo tipo de contaminante encontrado na linha, pois cada equipamento atende melhor a uma condição específica.

Se o problema envolve peças soltas de manutenção, como parafusos e porcas, a placa costuma ser a opção indicada.

Já para limalha gerada pelo desgaste de peneiras, roscas e moinhos, a barra oferece a captação necessária.

Quando os dois tipos de contaminantes aparecem no processo, a solução pode exigir o uso dos equipamentos em sequência.

Quando usar as duas na mesma linha

Em linhas que recebem contaminantes grandes e pequenos, a placa e a barra podem atuar em estágios diferentes.

Essa é a combinação descrita pela Kort Fort, na qual a placa retira primeiro as peças maiores e a barra retém as partículas finas.

A sequência evita que a grade de barras receba peças capazes de provocar travamentos e comprometer a passagem do produto.

Cada estágio possui sua frequência de limpeza, e o registro do material retirado ajuda a identificar a origem da contaminação.

Parafusos e porcas podem indicar peças soltas em equipamentos anteriores, enquanto o aumento da quantidade de limalha sugere desgaste. Nesse caso, a manutenção deve corrigir a fonte do contaminante.

Entretanto, a separação magnética só consegue reter materiais atraídos pelo ímã, sem alcançar todos os metais presentes no processo.

O inox não magnético, o alumínio e o cobre, por exemplo, atravessam placas e barras sem serem retidos.

Quando o risco inclui esses materiais, a linha precisa de um detector de metais.

Na indústria alimentícia, a escolha entre separador e detector deve seguir o plano de segurança de alimentos da planta e a avaliação do responsável técnico.

A referência legal é a Resolução RDC nº 623/2022 da Anvisa, que trata das matérias estranhas em alimentos.

Entre as matérias indicativas de risco à saúde, a resolução inclui fragmentos de metal rígidos, pontiagudos ou cortantes a partir de 7 mm na maior dimensão. Também inclui objetos rígidos, como metal, a partir de 2 mm.

Alimentos com essas matérias estranhas ficam em desacordo com a resolução, o que exige atenção ao controle de perigos da planta.

Por isso, a separação e a detecção de metais devem ser consideradas conforme os riscos identificados no processo.

O que informar para cotar placa e barra?

Para receber propostas comparáveis, o pedido deve descrever as características do processo, e não apenas o equipamento desejado.

Informe o tipo de produto, a granulometria, a vazão ou a velocidade de passagem e a altura da camada.

Acrescente a temperatura, a umidade, o tamanho dos contaminantes encontrados e as medidas disponíveis no ponto de instalação.

Quando houver dúvida entre placa e barra, descreva o contaminante e peça ao fornecedor que indique a solução mais adequada.

Assim, será possível comparar uma proposta apenas com placa e outra que combine os dois equipamentos, conforme a capacidade de retenção.

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Tipos de ímã: quais existem e onde cada um é usado

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