Projeto luminotécnico é o estudo que define o tipo, a quantidade e a posição das luminárias para que cada ambiente receba a luz que a atividade exige.
Em locais de trabalho, a referência é a ABNT NBR ISO/CIE 8995-1:2013, que fixa por tarefa a iluminância, o limite de ofuscamento e a reprodução de cor mínima.
A elaboração desse estudo exige mais do que a escolha de lâmpadas pela potência, pois o consumo de energia, expresso em watts, não representa a quantidade de luz que efetivamente alcança mesas, bancadas e outras superfícies de trabalho.
Outro cuidado importante é diferenciar a iluminação convencional da iluminação de emergência, já que esta possui uma finalidade específica e segue requisitos normativos próprios.
Sem um dimensionamento adequado, o ambiente pode apresentar excesso de luminosidade em determinadas áreas e iluminação insuficiente em outras, com prejuízos ao conforto visual e à execução das atividades.
O que o projeto luminotécnico entrega
A elaboração de um projeto luminotécnico começa pela identificação das atividades realizadas em cada ambiente e resulta em documentos técnicos que orientam a compra dos equipamentos e sua instalação.
Entre os principais documentos está o memorial de cálculo, que apresenta os níveis de iluminância previstos para cada espaço e os parâmetros utilizados no dimensionamento.
A planta de pontos, por sua vez, identifica a posição das luminárias e os respectivos sistemas de acionamento, enquanto a especificação técnica reúne características como modelo, fonte de luz, fluxo luminoso, temperatura de cor e índice de reprodução de cor.
Essas informações permitem que diferentes fornecedores apresentem propostas com equipamentos equivalentes, o que facilita a comparação de preços e características de desempenho.
Os resultados do estudo também são utilizados no dimensionamento das instalações elétricas, pois a quantidade e a potência das luminárias influenciam a definição dos circuitos, da carga instalada e dos dispositivos de proteção.
Por essa razão, o levantamento luminotécnico deve ocorrer antes ou em conjunto com o projeto elétrico, para evitar alterações após a conclusão da obra.
As etapas que envolvem o levantamento de cargas e a documentação técnica são apresentadas no artigo sobre como é feito um projeto elétrico.
A potência destinada à iluminação também participa do cálculo da demanda elétrica, utilizado para determinar as características da entrada de energia da edificação.
Esse procedimento é abordado no conteúdo sobre fator de demanda e carga instalada.
Lux, lúmen e lúmen por watt: as grandezas do cálculo
O dimensionamento da iluminação utiliza três grandezas principais, que permitem avaliar a quantidade de luz emitida, a intensidade recebida pelas superfícies e a eficiência energética dos equipamentos.
O fluxo luminoso, expresso em lúmens (lm), corresponde à quantidade total de luz emitida por uma fonte, enquanto a iluminância, medida em lux (lx), representa o fluxo luminoso incidente sobre determinada área.
Conforme a Norma de Higiene Ocupacional nº 11 (NHO 11), da Fundacentro, um lux equivale a um lúmen por metro quadrado (1 lm/m²).
Essa distinção é importante porque as normas estabelecem requisitos de iluminância para as tarefas, e não apenas uma quantidade mínima de lúmens emitidos pelas luminárias.
Um equipamento com alto fluxo luminoso, por exemplo, pode proporcionar iluminação insuficiente sobre uma bancada caso esteja instalado em altura excessiva ou direcione parte da luz para fora da área de trabalho.
Por isso, o cálculo deve considerar a iluminância no plano em que a atividade ocorre, cuja altura de referência pode ser de 0,75 m quando não existe informação específica, conforme a apostila da UDESC sobre a NBR ISO/CIE 8995-1.
A terceira grandeza é a eficiência luminosa, expressa em lúmens por watt (lm/W), que relaciona a quantidade de luz emitida ao consumo elétrico.
Essa relação é explicada no trabalho de conclusão de curso da UFMG sobre a iluminação de um escritório, que analisa alternativas para melhorar a eficiência do sistema.
Assim, duas soluções capazes de proporcionar a mesma iluminância podem apresentar consumos diferentes, o que torna o indicador lm/W importante na avaliação dos custos operacionais.
Quantos lux cada ambiente precisa?
Depende da tarefa: pela ABNT NBR ISO/CIE 8995-1:2013, são 500 lux para escrever e ler em escritório, 300 lux para recepção e 100 lux para corredores.
A norma foi publicada em 03/2013, teve a confirmação publicada em 09/2017 e aparece como vigente no catálogo de normas.
Ela substituiu a antiga ABNT NBR 5413:1992, como registra a aula prática de iluminação da UFES.
A versão internacional foi revista em 2025, e a comissão brasileira tem a atualização na pauta, segundo a revista O Setor Elétrico.
Na segurança do trabalho, a NR-17, no item 17.8.3, exige que os ambientes internos tenham iluminação conforme os níveis mínimos da NHO 11, na versão de 2018.
A NHO 11 lista a NBR ISO/CIE 8995-1 entre as suas referências e traz, no Quadro 1, os níveis por ambiente, tarefa ou atividade.
Em resumo, a norma da ABNT orienta o projeto, e a NHO 11 é o procedimento para avaliar o ambiente em uso.
A tabela a seguir reúne exemplos desse quadro, com o índice de reprodução de cor (IRC) mínimo, explicado mais adiante:
| Ambiente, tarefa ou atividade | Iluminância mínima (lux) | IRC mínimo |
|---|---|---|
| Área de circulação e corredor | 100 | 40 |
| Escada | 150 | 40 |
| Depósito e estoque | 100 (200 se continuamente ocupado) | 60 |
| Refeitório e cantina | 200 | 80 |
| Vestiário, banheiro e toalete | 200 | 80 |
| Escritório: arquivamento, cópia e circulação | 300 | 80 |
| Escritório: recepção | 300 | 80 |
| Escritório: escrever, teclar, ler e processar dados | 500 | 80 |
| Escritório: sala de reunião e conferência | 500 | 80 |
| Escritório: desenho técnico | 750 | 80 |
| Subestação: sala de controle | 500 | 80 |
| Indústria elétrica: montagem média (por exemplo, quadros de distribuição) | 500 | 80 |
| Indústria elétrica: montagem de precisão (por exemplo, equipamentos de medição) | 1.000 | 80 |
Quando a tarefa não aparece no quadro, a NHO 11 manda adotar o valor da tarefa mais parecida, e áreas com trabalho contínuo não podem ficar abaixo de 200 lux.
A mesma norma exige subir ao menos um degrau na escala de iluminância quando o trabalho visual é crítico ou a tarefa tem contraste muito baixo.
Com a lista de ambientes e tarefas em mãos, já é possível cotar projeto de iluminação pedindo que cada proposta informe o nível adotado por área.
Ofuscamento, uniformidade e cor também estão na norma
Iluminância suficiente não garante conforto. A NBR ISO/CIE 8995-1 fixa também o índice de ofuscamento unificado limite (UGRL), que mede o desconforto causado por fontes muito brilhantes no campo de visão.
A escala vai de 13, mais confortável, a 28, menos confortável, segundo a apostila da UDESC.
Pela tabela da norma reproduzida no TCC da UFMG, o limite é 19 para escrever e digitar, 16 para desenho técnico e 28 para corredores.
A NR-17, no item 17.8.2, também exige iluminação projetada para evitar ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastes excessivos.
A uniformidade é a razão entre a iluminância mínima e a média de uma área. Na área da tarefa, ela não pode ser menor que 0,7.
No entorno imediato, uma faixa de no mínimo 0,5 m ao redor da tarefa, não pode ser menor que 0,5, como resume a apostila da UDESC.
Um projeto que atinge 500 lux na média, mas deixa cantos escuros sobre a bancada, não cumpre esse requisito.
Segundo a NHO 11, o índice de reprodução de cor (IRC ou Ra) varia de 0 a 100 e mede a fidelidade da cor dos objetos sob a luz. A temperatura de cor correlata, em kelvin (K), descreve a tonalidade.
A mesma norma chama de quente a luz abaixo de 3.300 K, de intermediária a que fica entre 3.300 K e 5.300 K e de fria a que passa de 5.300 K. A NHO 11 recomenda as cores frias para escritórios e salas de aula.
Algumas tarefas têm exigência própria, como a inspeção de cor, que pede 1.000 lux, IRC 90 e no mínimo 6.500 K.
Como é feito o cálculo luminotécnico?
O cálculo inicial é feito, em geral, pelo método dos lúmens, ensinado em disciplinas de instalações elétricas como a aula prática da UFES.
O método parte da iluminância exigida e da área do ambiente para chegar ao fluxo luminoso total necessário.
Em seguida, divide esse total pelo fluxo de cada luminária, corrigido pelo aproveitamento da luz e pela perda ao longo do tempo, e chega à quantidade de luminárias.
O aproveitamento depende do próprio ambiente. Para aplicar o método, a aula da UFES orienta levantar as dimensões e a altura do teto e do plano de trabalho.
Pede também as cores de paredes, teto e piso e os dados das luminárias. Paredes escuras e pé-direito alto fazem uma parte maior da luz se perder antes de chegar à tarefa. Por isso, a mesma luminária pode atender a uma sala e não atender a outra de mesma área.
A perda ao longo do tempo entra pelo fator de manutenção, tratado no Anexo D da NBR ISO/CIE 8995-1. Ele combina a queda do fluxo da fonte, as falhas, a sujeira acumulada na luminária e a sujeira de teto, paredes, piso e mobiliário.
Nos exemplos da norma reproduzidos pela apostila da UDESC, o fator vai de 0,80, em ambiente muito limpo com manutenção anual, a 0,53, em ambiente sujo. Assim, a instalação nova entrega mais luz para que, depois da perda, o nível da tabela ainda seja atendido.
Depois do cálculo inicial, o projetista pode conferir o resultado ponto a ponto em programa de simulação. Foi o que fez o TCC da UFMG ao comparar opções de luminárias para o mesmo escritório.
Em qualquer caso, o memorial deve trazer a iluminância, a uniformidade e o UGR calculados por ambiente, e não só a quantidade de luminárias.
Iluminação de emergência é outro projeto
A iluminação de emergência serve para garantir a saída das pessoas quando falta energia, e não para a execução da tarefa.
Ela segue a ABNT NBR 10898:2023, que especifica os requisitos mínimos dos sistemas de iluminação de emergência nas edificações.
As regras estaduais de segurança contra incêndio adotam essa norma como referência, como mostra a minuta de resolução técnica do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul.
Na prática, os dois projetos podem ser contratados juntos, mas são calculados com critérios diferentes. Ao cotar, deixe claro se o escopo inclui a iluminação de emergência.
Corredores e escadas são os locais em que as falhas de iluminação aparecem primeiro, como discute o post sobre o que a iluminação do corredor revela sobre a instalação elétrica.
Descreva os ambientes antes de cotar o projeto
Para receber propostas comparáveis, descreva cada ambiente antes de pedir o orçamento. Sem essas informações, cada projetista supõe um uso diferente, e os preços deixam de ser comparáveis.
A lista a seguir reúne o que deve ir no pedido:
- Dimensões: planta ou medidas de cada ambiente, com pé-direito e altura do plano de trabalho;
- Atividades: descrição das tarefas realizadas em cada área e indicação de trabalho contínuo, quando aplicável;
- Características construtivas: cores e acabamentos de paredes, teto e piso;
- Condições de utilização: horários de funcionamento e presença de iluminação natural;
- Escopo técnico: memorial de cálculo, planta de pontos, especificação das luminárias e projeto de iluminação de emergência, quando necessário;
- Instalação elétrica: tensão disponível e informação sobre a contratação do projeto elétrico pelo mesmo profissional.
Peça também que a proposta informe a norma de referência, os níveis adotados por ambiente e o fator de manutenção usado no cálculo.
Com esse escopo, compare fornecedores de projeto de iluminação no Soluções Industriais e envie o mesmo pedido a vários deles de uma vez. A plataforma reúne mais de 50 mil fornecedores.
O projeto deve ser elaborado por profissional legalmente habilitado, com responsabilidade técnica, e seguir a versão vigente das normas.