A correia sincronizadora, também chamada de correia dentada ou sincronizada, possui dentes na face interna que se encaixam nos canais de uma polia dentada.
Como a transmissão não depende do atrito, ela permite movimentar os eixos sem deslizamento e manter o sincronismo entre eles. O principal critério para sua escolha é o perfil dos dentes.
Um erro comum é confundir a correia sincronizadora com uma correia em V dentada e substituí-la por qualquer modelo de comprimento semelhante.
Na transmissão sincronizada, correia e polia formam um conjunto, que exige correspondência entre o perfil e o passo dos dentes.
Por isso, as normas brasileiras sobre o tema estabelecem especificações para os dois componentes.
O que é uma correia sincronizadora?
É uma correia de transmissão que liga dois ou mais eixos por meio de polias dentadas, sem escorregamento entre correia e polia.
A apostila de elementos de máquinas do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) indica seu uso em aplicações que não admitem deslizamento, como o comando de válvulas dos automóveis.
O termo sincronizadora está relacionado justamente à capacidade de manter os movimentos dos eixos sincronizados.
Na indústria, o mesmo sincronismo é exigido sempre que um eixo precisa girar exatamente uma fração do outro, como em máquinas-ferramenta, máquinas de embalagem e eixos de posicionamento.
Nessas aplicações, qualquer escorregamento poderia provocar erros de posição a cada volta.
A apostila do IFSC também apresenta a correia como alternativa às engrenagens quando o uso delas não é aconselhável por razões técnicas ou econômicas.
O termo “correia dentada” também é usado para a correia de comando do motor de automóveis.
O princípio é o mesmo, mas a correia automotiva é peça de reposição do veículo e segue a especificação da montadora.
Este texto trata da correia sincronizadora industrial, comprada por perfil, passo, comprimento e largura.
Como a correia sincronizadora funciona
A transmissão por correia depende de duas polias: a motora, ou condutora, que transmite movimento e força, e a movida, ou conduzida, que os recebe, como define a apostila do IFSC.
Na correia lisa ou em V, a força passa pelo atrito entre correia e polia. Na sincronizadora, passa pelo encaixe dos dentes da correia nos canais da polia, como numa engrenagem.
Como o encaixe é positivo, a relação de transmissão é dada pelo número de dentes das polias.
Em um exemplo de dimensionamento usado na disciplina de elementos de máquinas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), uma redução de 3 vezes é obtida com polia motora de 20 dentes e polia movida de 60 dentes, para transmitir 11 kW a 1.750 rpm com correia de perfil AT10.
O mesmo exemplo mostra o que define a capacidade da correia. A conta verifica quantos dentes ficam engrenados na polia menor, 12 no caso, e calcula a largura mínima pela resistência dos dentes.
A largura comercial escolhida foi de 32 mm. Em outras palavras, a correia sincronizadora é dimensionada pelo perfil, pelo número de dentes em contato e pela largura, e não só pelo comprimento.
Correia sincronizadora ou correia em V: qual a diferença?
A diferença está na forma de transmitir a força. A correia em V utiliza o atrito entre suas superfícies e as polias, o que permite algum deslizamento, enquanto a sincronizadora transmite o movimento pelo encaixe dos dentes, sem escorregamento.
Por essa razão, a correia sincronizadora é indicada quando existe necessidade de manter a posição relativa dos eixos.
Já a correia em V atende a aplicações nas quais o objetivo principal é transmitir potência, sem exigir o mesmo sincronismo.
Segundo a apostila do IFSC, a correia em V, também chamada de trapezoidal, possui seção em formato de trapézio e estrutura inteiriça, composta por borracha revestida de lona.
Em seu interior, há cordonéis vulcanizados responsáveis por suportar os esforços de tração. Seus perfis são identificados por letras, enquanto o comprimento é expresso em polegadas.
A correia sincronizadora também possui elementos internos de tração, mas utiliza os dentes como superfície de transmissão do movimento.
Na prática, substituir uma correia em V por uma sincronizadora exige a troca das polias, pois os canais trapezoidais não possuem os dentes necessários para o encaixe.
Se o equipamento apresenta escorregamento na partida ou perde a regulagem com o tempo, vale consultar um fornecedor sobre a possibilidade de conversão. Para outras aplicações, a plataforma reúne fornecedores de correia de transmissão.
Perfis e normas: o dente define a compatibilidade
Os perfis das correias sincronizadoras se dividem em dois grandes grupos, conforme o formato dos dentes, que podem ser trapezoidais ou curvilíneos.
No Brasil, a ABNT NBR ISO 19347:2021 estabelece os requisitos para correias e polias sincronizadoras de passo imperial com perfil trapezoidal.
Já a ABNT NBR ISO 13050:2025 trata dos sistemas de passo métrico com perfis curvilíneos G, H, R e S.
O passo é a distância entre os centros de dois dentes vizinhos, e é ele que torna correia e polia compatíveis.
A nomenclatura de transmissões sincronizadoras da fabricante de polias Martin Sprocket mostra, por exemplo, os perfis trapezoidais XL, de 1/5 de polegada, L, de 3/8, e H, de 1/2, e polias de perfil curvilíneo de 5 mm, 8 mm, 14 mm e 20 mm de passo.
Os perfis, os passos e a forma de identificar cada um estão detalhados no post sobre os perfis de correia sincronizada.
O ponto a guardar aqui é simples: a correia nova tem de ter o mesmo perfil e o mesmo passo da polia, e isso vale também para a polia nova numa correia existente.
A polia sincronizadora faz parte da compra
O funcionamento da correia sincronizadora depende de uma polia com perfil e passo correspondentes.
Por isso, a especificação dos dois componentes deve ser considerada tanto na montagem de uma transmissão quanto na reposição de peças.
Conforme a nomenclatura da Martin Sprocket, as polias são identificadas pelo número de dentes, pelo passo e pela largura da correia utilizada.
Elas também podem ser fornecidas com furo piloto, destinado à usinagem conforme a aplicação, ou preparadas para receber uma bucha cônica de fixação.
Essas informações precisam constar no pedido, principalmente quando a compra envolve a substituição do conjunto completo.
Na troca apenas da correia, é importante verificar o estado dos canais da polia antiga, pois o novo componente utilizará as mesmas superfícies de contato.
Se houver necessidade de substituição, solicite a avaliação das duas peças e consulte fornecedores de polia sincronizadora.
O artigo sobre estoque de peças de reposição inclui as correias entre os componentes de desgaste que justificam a manutenção de um estoque mínimo.
Para máquinas críticas, manter a especificação completa registrada facilita a reposição e evita que a linha fique parada enquanto a equipe realiza novas medições.
Segurança: proteção das transmissões segundo a NR-12
As transmissões por polias e correias possuem partes móveis que podem provocar acidentes por agarramento. Por isso, devem contar com medidas de proteção adequadas aos riscos da operação.
O subitem 12.5.9 do texto consolidado da Norma Regulamentadora nº 12 (NR-12) estabelece que as transmissões de força e os componentes móveis a elas ligados, quando acessíveis ou expostos, devem possuir proteções fixas ou móveis com intertravamento que impeçam o acesso por todos os lados.
A substituição da correia exige a remoção dessas proteções para permitir o acesso aos componentes.
Nesses casos, o subitem 12.11.3 determina que a intervenção ocorra com a máquina parada, as fontes de energia isoladas e bloqueadas e a identificação necessária para evitar o religamento.
Ao contratar o serviço, confirme que as proteções serão reinstaladas após a troca. A definição dos dispositivos de proteção adequados à máquina cabe a profissional legalmente habilitado.
O que levar especificado para a cotação
A correia sincronizadora deve ser especificada pelo perfil, passo, comprimento, largura e material. Se a identificação da correia antiga ainda estiver legível, envie uma fotografia ao fornecedor para facilitar a reposição.
Caso a marcação não esteja disponível, informe o número de dentes, a largura em milímetros e o formato do dente.
Para projetos novos, acrescente também a potência e a rotação do motor, necessárias ao dimensionamento da transmissão.
Outro ponto importante é o material da correia, que pode ser de borracha ou poliuretano. Informe também se precisa de um modelo fechado, sem emenda, ou aberto, com extremidades livres para fixação no equipamento.
Para consultar opções de fornecimento, existem páginas específicas de correia sincronizada industrial e correia dentada sincronizada, que ajudam a identificar produtos dessa categoria.
Com as especificações definidas, você pode comparar propostas de fornecedores de correia sincronizadora no Soluções Industriais, plataforma que reúne revendas e fabricantes da categoria e conta com mais de 50 mil fornecedores.
Para aplicações em comandos de motores e máquinas, também é possível consultar fornecedores de correia dentada.
Se ainda precisa identificar as dimensões da peça, veja o artigo sobre como medir correia sincronizada antes de solicitar o orçamento.