Tambor de correia transportadora: tipos e revestimento

Tambor de correia transportadora: acionamento, retorno, esticador, dobra e encosto, revestimento, formato, NBR 6172, NR-12 e o que pedir na cotação.
Close de tambor de correia transportadora industrial, com revestimento em borracha e mancais de apoio, utilizado na movimentação da correia em uma pedreira.

O tambor de correia transportadora é um componente cilíndrico de aço responsável por orientar a correia nos pontos de mudança de direção do transportador.

O modelo de acionamento, conectado ao motor, transmite o movimento necessário para tracionar a correia, enquanto os demais tambores exercem funções de apoio, tensionamento e desvio.

A escolha depende da posição do componente no sistema e das tensões às quais será submetido.

Um dos erros mais comuns é solicitar um tambor apenas com base na largura da correia, sem considerar suas características mecânicas.

O diâmetro, o revestimento, o formato da superfície e as dimensões do eixo variam conforme a função e as condições de operação.

Por isso, um tambor de retorno não pode substituir automaticamente um de acionamento, mesmo que ambos tenham medidas externas semelhantes.

O que é o tambor de correia transportadora?

O tambor de correia transportadora é uma peça cilíndrica, geralmente fabricada em aço, que orienta o percurso da correia nos pontos em que ela precisa mudar de direção.

A apostila de transportadores contínuos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) explica que sua principal função é transmitir a tração necessária ao deslocamento da correia, tarefa realizada pelo tambor motriz, conectado ao sistema de acionamento.

Os demais tambores acompanham o movimento da correia e são utilizados para apoiar, desviar ou alterar seu percurso, conforme a configuração do transportador.

Segundo a mesma apostila, o componente é formado por corpo, discos laterais e centrais, cubos, elementos de transmissão de torque, eixo, mancais e revestimento.

Cada uma dessas partes exige dimensionamento conforme a largura e as tensões da correia. Por isso, para fabricar uma peça nova, o fornecedor precisa conhecer as condições de operação do transportador, e não apenas as dimensões do tambor antigo.

A principal referência brasileira é a ABNT NBR 6172:2014, que estabelece dimensões básicas e critérios de qualidade para tambores de transportadores de correia.

A norma classifica os componentes conforme a superfície de contato, revestida ou não, o formato geométrico, plano ou abaulado, e o tipo de acionamento, motriz ou livre. Ao solicitar orçamento, peça que a proposta informe a conformidade com a NBR 6172.

Quais são os tipos de tambor de correia transportadora?

Os tipos são definidos pela função no transportador: acionamento, retorno, esticador, dobra e encosto, além do aletado e do magnético, que têm construção especial.

A UFBA descreve as características de cada um, que precisam ser consideradas antes da escolha do componente.

O tambor de acionamento transmite o torque do motor para movimentar a correia e pode ficar na cabeceira, no centro ou no retorno do transportador.

Já o tambor de retorno, instalado na extremidade oposta à descarga, permite que a correia retorne ao início do percurso e, em determinadas configurações, também participa do esticamento.

O tambor esticador mantém a tensão necessária ao funcionamento, enquanto o tambor de dobra altera a direção da correia conforme o trajeto previsto no projeto.

Por sua vez, o tambor de encosto é instalado próximo ao motriz para aumentar a área de contato entre o cilindro e a correia, o que ajuda a reduzir o risco de deslizamento.

Existem ainda dois modelos com funções específicas. O tambor aletado possui uma construção que evita o esmagamento de materiais depositados sobre o lado de retorno da correia.

Segundo a UFBA, pode ser utilizado no retorno ou no esticamento de sistemas automáticos verticais.

Já o tambor magnético, geralmente instalado no terminal de descarga, permite separar peças metálicas do material transportado.

Liso ou revestido, plano, abaulado ou nervurado

A superfície do tambor pode ser lisa, diretamente em aço, ou receber um revestimento, geralmente de borracha, conforme as condições de operação.

Nos tambores motrizes, o revestimento aumenta o atrito com a correia e ajuda a evitar deslizamentos.

O capítulo 7 da apostila da UFBA recomenda essa solução principalmente em ambientes úmidos e relaciona o deslizamento ao desgaste excessivo da cobertura inferior da correia.

A forma de fixação da borracha também merece atenção. A apostila aponta que cabeças de parafusos utilizados na fixação do revestimento podem provocar desgaste na correia.

Nessas situações, as medidas indicadas incluem reapertar os parafusos, substituir o revestimento desgastado ou utilizar uma cobertura vulcanizada, fixada diretamente ao tambor por vulcanização.

Por isso, ao solicitar orçamento, informe a necessidade de revestimento e peça que o fornecedor especifique sua espessura e o método de fixação.

Além do material da superfície, os tambores podem apresentar diferentes formatos geométricos.

O tambor plano é utilizado em aplicações gerais, enquanto o abaulado, com a região central levemente mais elevada que as extremidades, pode auxiliar no alinhamento da correia.

Esse aspecto também é abordado no artigo sobre alinhamento de correia transportadora.

Já o tambor nervurado é indicado para operações com materiais muito abrasivos ou granulados, especialmente quando existe tendência de aderência à correia.

Diâmetro, emenda e carcaça precisam combinar

O diâmetro do tambor não pode ser escolhido sem olhar a correia. Segundo a UFBA, o dimensionamento do tambor considera a largura e as tensões da correia, e a emenda mecânica também impõe limite.

A UFBA registra que grampos grandes demais para o diâmetro do tambor causam cortes transversais logo atrás da emenda, e a correção é trocar por grampos menores.

Material preso entre a correia e o tambor é outra fonte de dano. Segundo a apostila, ele provoca cortes e fissuras na carcaça, e a correção é instalar limpadores no retorno, à frente do tambor de retorno.

Para materiais pegajosos, os raspadores, que atuam no lado sujo da correia logo após o tambor de descarga, protegem tambores de desvio e roletes de retorno.

Por isso, ao trocar a correia transportadora por outra de carcaça diferente, confira se os tambores existentes atendem.

E ao trocar um tambor, informe ao fornecedor a correia que roda sobre ele: largura, tipo de carcaça, número de lonas e tipo de emenda. O post sobre o que é correia transportadora explica cada um desses dados.

Tambor de acionamento: torque, mancais e acionamento interno

O tambor de acionamento é o mais solicitado do transportador, porque recebe todo o torque do motor.

A UFBA descreve o conjunto de acionamento como motor elétrico, redutor, acoplamentos e dispositivos de segurança, acoplados ao tambor motriz.

Em transportadores com tensão elevada, a apostila cita o acionamento duplo, com dois tambores motrizes e dois conjuntos independentes.

Há ainda o tambor com acionamento interno, em que o motor fica dentro do próprio tambor, mostrado na apostila da UFBA.

Se a proposta trouxer esse modelo, peça ao fornecedor o procedimento de manutenção do motor e o prazo de reparo, porque o motor fica embutido no tambor.

No tambor de acionamento, eixo, cubos e mancais têm, segundo a UFBA, dimensionamento próprio.

Informe a potência do motor, a rotação e a posição do redutor, e peça que a proposta especifique o diâmetro do eixo, o tipo de mancal e o tipo de fixação do cubo. Esses dados permitem comparar propostas que, à primeira vista, parecem iguais.

Segurança: proteção dos tambores segundo a NR-12

Os pontos em que a correia entra em contato com os tambores apresentam risco de agarramento e aprisionamento durante o funcionamento do transportador.

O subitem 12.8.1 do texto consolidado da Norma Regulamentadora nº 12 (NR-12) exige a proteção dos movimentos perigosos acessíveis durante a operação, especialmente nas regiões de esmagamento, agarramento e aprisionamento.

A substituição ou o reparo de um tambor também exige cuidados específicos. O transportador deve permanecer parado, com as fontes de energia isoladas e bloqueadas para evitar acionamentos inesperados.

O subitem 12.11.3 da NR-12 determina que serviços de manutenção e ajustes sejam realizados por profissionais capacitados e autorizados, com os procedimentos de isolamento e bloqueio de energia, inclusive a identificação por etiqueta.

Ao contratar o serviço, confirme que a proposta contempla a retirada e a recolocação das proteções necessárias para a substituição do componente.

O que levar especificado para a cotação

Com a função do tambor definida, a cotação pode trazer os dados que todos os fornecedores precisam para propor a mesma peça. A lista abaixo é o mínimo para que as propostas possam ser comparadas:

  • Função do tambor (acionamento, retorno, esticador, dobra, encosto, aletado ou magnético);
  • Largura da correia, tipo de carcaça, número de lonas e tipo de emenda;
  • Diâmetro e comprimento de face do tambor, com formato plano, abaulado ou nervurado;
  • Revestimento desejado, com espessura e forma de fixação;
  • Potência, rotação e tensões do transportador, diâmetro do eixo e tipo de mancal.

Com essas informações, você pode comparar propostas de fornecedores de correia transportadora no Soluções Industriais, que também atendem à substituição de componentes.

Caso a necessidade envolva a troca de outras partes do equipamento, consulte também os fornecedores de transportador de correia.

O site de correias da plataforma reúne ainda páginas de projeto de correia transportadora e montagem de correia transportadora, relacionadas ao dimensionamento e à instalação do sistema.

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