Como montar uma fábrica de velas: espaço, máquina e regras

Como montar uma fábrica de velas de parafina: definir a linha, dimensionar a máquina, preparar espaço e energia e cumprir o CNAE e a NR-12.
Dezenas de velas rechaud em copinhos de alumínio, uma delas sendo acesa com um palito

Para montar uma fábrica de velas de parafina, o primeiro passo é definir os produtos que serão fabricados e os canais de venda, para depois escolher a máquina conforme a produção necessária por turno.

O planejamento também deve considerar um espaço com energia elétrica adequada e ventilação, fornecedores de matéria-prima e o registro da empresa no CNAE 3299-0/06.

Um dos erros mais comuns é comprar o equipamento antes de definir a linha de produção, pois nem todas as máquinas permitem fabricar diferentes formatos.

Um modelo exclusivo para velas de maço, por exemplo, não produz velas de 7 dias, o que pode exigir a aquisição de outra máquina ou a substituição da primeira.

Seguir a ordem dessas decisões ajuda a evitar gastos desnecessários e adaptações após o investimento.

Defina a linha de velas e o canal de venda

A primeira decisão para montar uma fábrica é escolher quais tipos de vela serão produzidos e identificar o público que pretende comprar esses produtos.

As velas de maço, também conhecidas como palito, possuem alto giro e são comercializadas em mercados, padarias, quitandas e igrejas.

Por sua vez, as velas de 7 dias, chamadas de votivas, são encontradas principalmente em estabelecimentos de artigos religiosos, cemitérios e floriculturas.

Já as velas rechaud, aromatizadas e artesanais atendem ao mercado de decoração de casas, festas e eventos. As características de cada formato são apresentadas no artigo sobre tipos de vela.

Além do produto, é necessário definir o canal de comercialização, pois ele influencia diretamente a quantidade produzida e o tipo de embalagem utilizado.

A Imavel, fabricante de máquinas para velas de São Paulo (SP), apresenta em sua página de pontos de venda diferentes possibilidades, como atacadistas, supermercados, hotéis, bares, restaurantes, feiras livres e casas de artigos religiosos.

Antes de investir, converse com dois ou três compradores do segmento escolhido e pergunte quais formatos e embalagens eles procuram, além da quantidade que estariam dispostos a adquirir mensalmente.

Outro aspecto favorável é que as velas não são produtos perecíveis, característica destacada pela Imavel que permite fabricar em lotes e manter mercadorias em estoque.

Entretanto, essa vantagem não elimina a necessidade de estimar a demanda, pois o excesso de produtos acabados representa capital imobilizado e pode comprometer os recursos disponíveis para a operação.

Dimensione a máquina pela produção que você precisa

Com a demanda estimada, a escolha da máquina vira uma conta. Nas máquinas da Imavel, o modelo de maço com 40 formas produz até 200 velas por hora, segundo o fabricante.

Em um turno de 8 horas, isso corresponde a até 1.600 velas, ou 200 maços de oito unidades, antes de descontar paradas e o tempo de embalagem. O modelo de 7 dias com 10 formas produz até 20 velas por hora.

Se a linha tiver mais de um formato, compare a compra de duas máquinas com a de um equipamento que faça os dois.

A Imavel oferece a máquina 2 em 1, que produz velas de maço e de 7 dias no mesmo equipamento, em três capacidades.

Para comparar propostas de máquina de velas de fabricantes diferentes, peça a produção por hora de cada formato que você vai fabricar, e não só o número de formas.

Máquina verde de fabricar velas de maço da Imavel, vista de frente, com fileira de formas e bandejas na parte de baixo
Máquina para velas de maço, de porte compacto, com reservatório de parafina acoplado. Imagens: Imavel.

Prepare espaço, energia e matéria-prima

A estrutura necessária para uma fábrica de velas depende das características dos equipamentos escolhidos e das etapas previstas para a produção.

Segundo a Imavel, em sua página de apresentação da empresa, os modelos com reservatório de parafina acoplado e aquecimento elétrico dispensam fogão, caixa d’água, bomba, compressor e instalação hidráulica.

Nesses casos, o essencial é um ponto de energia compatível com a potência da máquina, área ventilada e espaço para estoque de parafina e para a embalagem.

O consumo de energia e de matéria-prima entra no planejamento desde o início. No demonstrativo de custos da Imavel, a máquina de maço de 40 formas consome 2 kWh para produzir 200 velas.

Já 1 kg de parafina rende 66 velas de maço de 14 mm de diâmetro por 120 mm de comprimento. Peça ao fornecedor da máquina os mesmos números para cada formato que você vai produzir.

A parafina merece atenção especial na compra. Segundo a nota técnica da Firjan, de agosto de 2021, ela representa mais de 90% do custo com insumos de quem fabrica velas, e a oferta nacional é concentrada.

Defina o grau com o fornecedor da máquina e qualifique mais de um fornecedor de parafina, como explica o texto sobre tipos de parafina para velas.

Registre a atividade com o CNAE correto

A fabricação de velas tem código próprio: a subclasse 3299-0/06, “Fabricação de velas, inclusive decorativas”, da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE).

Segundo as notas explicativas da Comissão Nacional de Classificação do IBGE, ela abrange velas de cera, sebo e estearina, entre outras, e as velas decorativas.

O CNAE é informado no registro da empresa e orienta as licenças seguintes. O alvará de funcionamento é emitido pela prefeitura.

Já a necessidade de licença ambiental e as exigências do Corpo de Bombeiros variam conforme o município, o estado e o porte da instalação.

Antes de alugar o imóvel, confirme com a prefeitura se a atividade é permitida no endereço e consulte um contador sobre o enquadramento tributário.

A máquina de velas precisa seguir a NR-12?

Em regra, sim: a Norma Regulamentadora nº 12 (NR-12) vale para máquinas e equipamentos em todas as atividades econômicas, da fabricação ao uso.

O empregador deve adotar as medidas de proteção que ela prevê. As exceções, como máquinas movidas só por força humana, estão no item 12.1.4 e devem ser avaliadas caso a caso.

Alguns itens da NR-12 têm relação direta com a máquina de velas. O item 12.10.4 exige proteção contra queimaduras em superfícies aquecidas, e o 12.10.3 pede medidas contra incêndio em máquinas que processam combustíveis, caso da parafina.

O item 12.13.1 exige que a máquina tenha manual de instruções fornecido pelo fabricante ou importador, com informações de segurança.

O 12.16.1 determina que a operação e a manutenção sejam feitas por trabalhadores capacitados e autorizados.

Também vale esclarecer um ponto de vocabulário. Alguns fabricantes chamam o reservatório de parafina de “caldeira”, mas, pela definição da NR-13, caldeira é o equipamento que produz e acumula vapor sob pressão superior à atmosférica.

Um reservatório que apenas derrete parafina não tem essa função, mas o enquadramento final de cada equipamento deve ser confirmado por profissional habilitado.

Próximo passo: cotar a máquina com a linha definida

Com a linha, o volume e o local definidos, o pedido de orçamento fica objetivo. Informe os tipos de vela, os comprimentos, a produção desejada por turno, a tensão elétrica disponível e o município de entrega.

Peça a cada fornecedor o manual de instruções, o treinamento incluído e o prazo de assistência técnica.

No Soluções Industriais, você pode comparar fornecedores de máquina de velas e pedir orçamento a vários fabricantes com a mesma especificação.

Para complementar a estrutura da fábrica, a página de máquina industrial apresenta outros equipamentos, enquanto o artigo sobre fabricação de velas explica as principais etapas do processo produtivo.

Artigo Anterior

Tipos de vela: maço, 7 dias, rechaud e decorativa

Próximo Artigo

O que é elevador cremalheira e como funciona

Escreva um Comentário

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *